Os desafios do trânsito em São Mateus do Sul

27 de maio de 2016

Um “raio x” sobre os números da frota local, acidentes, principais demandas e comportamento dos motoristas nas ruas

 

DSC_0221Fotos: jornal ACONTECEU 

 

São Mateus do Sul ainda é considerada uma cidade pequena, mas o fluxo de veículos pelas principais ruas impressiona nos horários de pico. A concentração de agências bancárias, órgãos públicos e comércios em poucas quadras colabora para “abarrotar” o trânsito no centro e gerar certa dificuldade para estacionar. O desafio do município é acompanhar o aumento da população e da frota de veículos com a estrutura necessária para um bom trânsito.

O ano de 2015 fechou com 23.382 veículos registrados em São Mateus do Sul, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), o que representa uma média de quase um carro para cada dois habitantes. Na comparação com os dados anteriores, a frota municipal cresce uma média de mil veículos por ano.

Mais carros, mais chance de acidentes. O ACONTECEU também obteve, com a 3ª Companhia da Polícia Militar, um levantamento dos acidentes nas vias urbanas de São Mateus do Sul. Conforme os dados, houve um total de 170 acidentes nas ruas da cidade em 2015. O tipo de acidente mais comum foi a colisão transversal e a maioria das vítimas tem entre 18 e 29 anos. No período, as ocorrências se distribuíram em várias vias do centro e também da vila Amaral. Agora em 2016, é possível adiantar que a rua Ulisses Faria é a que mais têm sido palco de acidentes.

 

Conscientizar

É justamente no mês de maio que intensifica-se a preocupação em relação aos perigos do trânsito, por causa do movimento Maio Amarelo, campanha que busca chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. A nível de Estado, o Detran PR está promovendo um conjunto de atividades dedicado à prevenção de acidentes e redução das vítimas, e variadas instituições normalmente organizam ações paralelas. Em São Mateus do Sul, houve uma panfletagem na PR 151 nesta quarta-feira (25), promovida pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE), Rotary Club São Mateus do Sul e Rotary Club Xisto do Iguaçu. A ação atingiu motoristas que passavam pelo posto da PRE, na saída para São João do Triunfo, tendo em vista a necessidade de maiores cuidados para quem pega a estrada. “Orientamos principalmente quanto aos cuidados preventivos, atenção, respeito às regras de trânsito, sinalização e limites de velocidade”, explica o sargento Sandro Skodoski. Segundo ele, a PRE local já registrou 46 acidentes nos trechos sob sua jurisdição, e as blitze frequentes objetivam inibir os hábitos perigosos no trânsito. “Fazemos operações diárias e identificamos diversas infrações. A mais comum é a ultrapassagem em faixa contínua. Muita gente também é pega sem habilitação”, revela.

 

Municipalização do trânsito

Com a criação da Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito, há dois anos, cresceu o otimismo quanto à realização de ações mais efetivas na área, a começar pela municipalização do trânsito, dando mais autonomia para o município administrar novos projetos. Os planos ambiciosos da nova pasta incluíam a criação de uma Guarda Municipal, a implantação do Estacionamento Regulamentado (Estar) e a instalação de câmaras de monitoramento. De lá para cá, somente as câmeras saíram do papel, e os demais projetos pararam por divergências ou falta de orçamento. Para atualizar as informações sobre os projetos, procuramos o secretário municipal de Segurança e Trânsito, Benedito Facini.

Segundo ele, o processo para municipalização do trânsito está em análise no Departamento de Trânsito (Detran), e o andamento no órgão será verificado no segundo semestre deste ano. Sobre o Estar, o impedimento para a instalação do serviço parou após a licitação, realizada no final do ano passado, terminar deserta. O desinteresse das empresas, segundo apurado pela Secretaria, seria a inviabilidade econômica para operar o serviço. Antes de ser aprovado, o projeto passou por modificações da Câmara Municipal, que teriam interferido no preço e também flexibilizado o tempo de tolerância para o uso das vagas sem pagar. “As alterações interferem no modus operandi da empresa, com uma pequena chance de sucesso. É preciso considerar que a empresa precisa fazer um investimento inicial e manter a sinalização, funcionários”, diz Facini. Segundo ele, o projeto original agora precisa ser restabelecido e uma sugestão da Secretaria está em análise no gabinete.

O projeto da Guarda Municipal, que colaboraria significativamente por manter a ordem no trânsito, inibir ações irregulares e responsabilizar infratores, parou por falta de recursos para sua implantação, uma vez que impactaria consideravelmente a folha de pagamento da Prefeitura com pelo menos 16 agentes, conforme estudo inicial. “O projeto está pronto e deve ser compatibilizado de acordo com o orçamento”, disse o secretário.

As câmeras de vigilância, por sua vez, investimento perto de R$ 200 mil, estão em atividade monitorando pontos do centro e saídas da cidade. São oito câmeras no total, que têm uma programação definida, mas podem ser conduzidas a critério da Secretaria ou das polícias. O sistema é acessado pela Polícia Civil e Polícia Rodoviária Estadual, e ainda não está acessível para a Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal por causa de seus equipamentos ainda incompatíveis.

 

Desafios

Questionado sobre sua visão em relação ao trânsito são-mateuense atualmente, Facini acredita que a situação não é preocupante, mesmo considerando o número alto de veículos e o fato de a cidade ser cortada por rodovias de fluxo pesado. “Se considerarmos os cidadãos ativos, a frota local hoje representa praticamente um carro por pessoa que dirige, e ainda assim vemos poucos acidentes e acidentes de menor gravidade. A maioria respeita”, comenta. Ele destaca como um desafio quebrar certos hábitos mantidos por uma questão cultural, como estacionar em locais inapropriados (o maior exemplo são as esquinas do Supermercado Brongiel, cujos carros bloqueiam a visão de quem trafega). “O trânsito em São Mateus do Sul tem questões como em qualquer outra cidade, mas, é claro, pode melhorar, com campanhas, operações de trânsito e fiscalização. Acredito que o futuro aumento do efetivo da Polícia Militar certamente já ajudará um pouco”.

Já para a presidente do Conselho Municipal de Segurança (Conseg), Genesi Nalin Bettanin, os principais problemas do trânsito local são o excesso de veículos e inexistência de estacionamento regulamentado; falta de educação de condutores e pedestres; embriaguez ao volante; ciclistas trafegando em local inapropriado; e pedestres andando na rua, por falta de infraestrutura dos passeios públicos. Em sua opinião, é necessária uma atuação mais eficiente do poder público em relação às calçadas e criação de ciclovias, e também intensificar as fiscalizações com blitze e punições mais severas aos infratores, além da própria conscientização da população. “A sociedade precisa compreender que a educação no trânsito, o respeito ao próximo e a submissão a leis mais duras e eficientes são as únicas armas para tentar diminuir os assustadores números de sinistros”, comenta.

Todos os anos, durante a Semana Municipal do Trânsito, o Conseg realiza atividades educativas com o intuito de chamar a atenção da sociedade para os problemas no trânsito.

 

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