Contorno deve tirar tráfego pesado da área urbana de São Mateus do Sul

31 de julho de 2015

Com concessão e duplicação da BR 476, rodovia desviará a cidade nos próximos 4 anos

 

Untitled-1Conforme projeto, contorno incluirá um viaduto no cruzamento com a PR 151 e uma ponte sobre o rio Iguaçu (divulgação ANTT)

 

A cada novo passo do programa de concessões rodoviárias que inclui a BR 476, revelam-se novidades que vão trazer mudanças para as cidades contempladas pelo trecho, que, passando para a iniciativa privada, será duplicado e receberá outras intervenções. Entre elas, está a confirmação do contorno que vai tirar o tráfego pesado da área urbana de São Mateus do Sul.

Discutido há muitos anos na região, a construção do contorno tornou-se viável no projeto, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), principalmente pelos altos custos construtivos e de desapropriação que a duplicação da travessia urbana exigiria. Com a obra, o contorno ainda terá uma extensão menor do que o atual trecho urbano — reduzindo o trajeto de 10,9 quilômetros para 7,9 quilômetros — e agilizará o tráfego na região, hoje lento devido ao traçado sinuoso e à alta densidade urbana às margens da rodovia.

Conforme as informações divulgadas pela ANTT, que abriu as minutas do edital de concessão para recolhimento de sugestões, o contorno terá início no quilômetro 272,7 da BR 476, chegada por Curitiba, nas proximidades da Ervateira Vier, e termina no quilômetro 283,6 sentido União da Vitória, próximo ao acesso para o Clube do Bolinha. O projeto prevê a construção de um viaduto para cruzar a PR 151 na altura do Parque Aquático Helho’s e uma ponte sobre o rio Iguaçu no final do contorno (confira o mapa).

A mudança impacta diretamente o município de diversas formas. O sargento aposentado da Polícia Rodoviária Estadual, Carlos René Ferreira da Silva, que atuou por mais de 30 anos na região, ainda quando o Estado administrava a BR 476, lembra de quando a rodovia foi tirada da então avenida Ozy Mendonça de Lima para o desvio atual, alternativa que rapidamente foi saturada, hoje com fluxo de cerca de 15 mil veículos diários, em sua maioria de caminhões. “A estrutura atual é muito pequena, não comporta um fluxo tão pesado de veículos. Além disso, ruas da cidade também já acabaram comprometidas quando a enchente interditou a rodovia. Então minha opinião é que esse contorno é de extrema importância”, opina. Já o chefe da 2ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal, Roderjan Alves Rodrigues, estima a redução de acidentes. “O alto índice de acidentes na região diminuiu com algumas medidas, como a instalação de redutores de velocidade recentemente, mas a rodovia no perímetro urbano ainda expõe riscos de atropelamento, colisões traseiras e também em cruzamentos”, destaca.

O prefeito de São Mateus do Sul em exercício, Clóvis Distéfano, vê com bons olhos a oportunidade de revitalizar a área urbana. “O contorno vai dar uma nova cara à nossa cidade, uma vez que vai tirar todo o tráfego de dentro de São Mateus do Sul e vai possibilitar que revitalizemos o asfalto. Hoje, não podemos usar recursos municipais nessas vias justamente por ser BR”, diz. Distéfano também é confiante em relação ao impacto nas atividades comerciais. “O escoamento de produção, tanto do norte de Santa Catarina ou mesmo para o porto de Paranaguá, vai ser muito favorecido. Evidentemente, com o contorno, o escoamento da produção ganhará uma hora, meia hora, que se perderia passando por dentro de uma cidade. E isso vai facilitar muito o escoamento das indústrias que futuramente poderão se instalar em São Mateus do Sul”.

Haroldo Mildemberg Ferreira, que possui um restaurante no trecho urbano da BR 476, pensa na influência em relação ao movimento de seu comércio, mas defende a mudança da rodovia pelo bem comum. “Saindo o tráfego pesado, todo mundo ganha, diminuindo também os acidentes. Nós já temos uma clientela formada e creio que os estabelecimentos vão manter os clientes”.

A concessão consiste na exploração por 30 anos da infraestrutura e prestação de serviços no trecho de rodovias federais atingido, e as obras de duplicação, assim como a construção do contorno, devem ser concluídas em até 48 meses a contar da data de expedição da licença de operação.

 

Seria hora de um portal?

Outra iniciativa tão sugerida há anos na cidade, porém, que nunca foi efetivada, é a construção de um portal que identificasse as características culturais e históricas de São Mateus do Sul e atraísse os visitantes para conhecer a cidade. Uma vez que o tráfego da BR 476 seja desviado da área urbana, um ou mais portais nos acessos poderiam colaborar pelo turismo e garantir a visitação de viajantes que não mais passarão tão próximo da cidade. Questionado sobre o assunto, o prefeito em exercício disse que o assunto é pensado, no entanto, não deu detalhes significativos. “Temos projetos em andamento, que são os trevos com as cuias, que infelizmente não saíram por entraves administrativos, mas que não foram abandonados”, diz, se referindo a uma iniciativa do Conselho do Jovem Empresário (Conjove), que propõe a construção de monumentos no formato de cuia de chimarrão nas entradas da cidade, para evidenciar a tradição da exploração de erva-mate na região.

 

DSC_0608

Projeto prevê início do contorno no Km 272,7 da rodovia, próximo à Ervateira Vier, terminando no Km 283,6 (fotos: jornal ACONTECEU)

DSC_0586

 

São Mateus não é representada por nenhuma liderança em audiência sobre o tema

Na sexta-feira (24), ocorreu em Curitiba uma das audiências públicas promovidas pela ANTT para divulgação do projeto de concessão das rodovias BRs 476/153/282/480 e recolhimento de sugestões para a melhoria do edital. Com a presença de empresários, representantes da indústria e lideranças políticas dos municípios interessados, o encontro esclareceu dúvidas e ouviu demandas, entre elas, apelo geral para que a ANTT intervenha para que o valor do pedágio seja o menor possível. Conforme o edital, a tarifa-teto está em R$ 0,13 por quilômetro, e estão previstas seis praças de pedágio na extensão dos 460 quilômetros contemplados — na Lapa, em Paulo Frontin, General Carneiro, Vargem Bonita, Concórdia e Xanxerê. São Mateus do Sul, que vinha reivindicando uma das praças, não foi representada por nenhuma liderança na audiência pública.

 

IMG_6293Foto: jornal ACONTECEU

Comentários