Superlotação mantém instabilidade na cadeia local

10 de abril de 2015

“Na carceragem a gente enxuga gelo”, resume delegado sobre o espaço devido ao número expressivo de detentos e tentativas de fuga

 

DSC_0827Cerca de 30 presos já são condenados aguardam transferência na carceragem da delegacia (foto: jornal ACONTECEU)

 

Com o trabalho nas ruas a todo ritmo, instaurando operações e vivendo um dos momentos com mais prisões que se viu na cidade, principalmente de traficantes, a polícia de São Mateus do Sul vive outra realidade dentro da delegacia, por causa do clima de instabilidade na carceragem da 3ª Subdivisão de Polícia Civil. Enquanto a parte operacional funciona e o comando afirma não ter do que se queixar, as celas inchadas são problema constante que parece distante de ser resolvido.

Antes da última fuga de presos, ocorrida no dia 1º de fevereiro deste ano, a carceragem chegou a comportar 90 detentos, num espaço para 24. Com a recaptura de apenas cinco dos 13 foragidos, e com um ligeiro aumento momentâneo de transferências, a lotação baixou para 75. Contudo, ainda longe do ideal. A instabilidade se mantém, e no feriado da Sexta-Feira Santa, os presos ensaiaram uma nova fuga, ao identificar um reboco recente no chão do solário, mas foram frustrados pelos agentes carcerários antes de embrenharem-se mais uma vez pelo esgoto da delegacia.

Segundo o delegado-chefe da 3ª SDP, Nagib Nassif Palma, a área da delegacia foi recentemente reformada, e a estrutura de trabalho dos policiais está adequada. O problema se concentra na superlotação da carceragem, que gera tantos dissabores. O jornal ACONTECEU pediu para fotografar o interior das instalações, mas a permissão não foi concedida por ordem do comando de Curitiba. Nagib resume: “Na carceragem a gente enxuga gelo. Mantemos o espaço consertando os estragos feitos pelos presos em tentativas de fuga”.

Conforme apurado pela reportagem, cerca de 30 dos 75 detentos são condenados, ou seja, não deveriam estar mais em uma delegacia. “O poder judiciário está fazendo muitos esforços para remover esses presos, mas é muito difícil. Se esses 30 fossem transferidos, já ajudaria muito”, ressalta Nagib.

Entre os que estão detidos, a maioria é por tráfico, e as mulheres presas, em geral ligadas à ação criminosa dos companheiros, ficam em uma área separada dos homens e são removidas para Curitiba em um espaço de tempo variável. Diante da superlotação, a polícia afirma que tem tentado conter a entrada de objetos intensificando as revistas, e uma tela foi instalada sobre o solário para evitar que itens como drogas e celulares sejam jogados para dentro da carceragem, como já ocorreu.

Segundo o promotor de Justiça Almir Carreiro Jorge Santos, a comarca trabalha com constantes apelos ao comitê da Central de Vagas do Estado, para sensibilizar quanto à necessidade do andamento das remoções de presos, mas a dificuldade é realidade em todo o Paraná. “Nos casos de pena com regime semiaberto ou progressão de pena, também há limitação das unidades que recebem esses detentos, mas o juiz pode adaptar, colocando em liberdade mediante algumas determinações, como uso de tornozeleira eletrônica, comprovação de trabalho lícito e constante monitoramento. Mas o que nos dá maior preocupação é que a maioria dos nossos condenados cumpre pena de regime fechado, e então é necessário aguardar a Central de Vagas”, explica. “Trabalhamos numa linha tênue, entre preservar os direitos dos apenados sem descuidar que em liberdade não sejam praticados novos crimes”.

 

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O judiciário está fazendo muitos esforços para  remover esses presos, mas é muito difícil. Se esses 30 [condenados] fossem transferidos, já ajudaria muito – Nagib Nassif Palma, delegado

 

Trabalhamos numa linha tênue, entre preservar os direitos dos apenados sem descuidar que em liberdade não sejam praticados novos crimes – Almir Carreiro Santos, promotor de Justiça

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