“Só quem sofre na pele vê o abalo causado pela violência”, diz comerciante assaltado duas vezes em 40 dias

31 de julho de 2015

Moradores e empresários inseguros com seguidos assaltos depositam esperanças nas prometidas câmeras de segurança para obter um pouco mais de tranquilidade em São Mateus do Sul

 

O estigma de cidade pacata parece ter deixado São Mateus do Sul há muito tempo. Seguidos episódios de assaltos à mão armada estão trazendo insegurança para moradores, empresários e trabalhadores do comércio, que passam a conviver com mais frequência com situações de perigo nas mãos de bandidos. Na semana passada, a revolta e sensação de impotência abalaram o proprietário de uma rede local de farmácias, vítima de assalto pela segunda vez em um intervalo de 40 dias.

“Os prejuízos financeiros são recuperáveis com trabalho, bom atendimento, mas os traumas causados, esses não têm retorno. Só quem sofre na pele vê o abalo causado pela violência”, descreve Pedro Gilmar Rincão, dono das farmácias Popular e Avenida. Uma das lojas, na rua 21 de Setembro, havia sido assaltada em 11 de junho por dois indivíduos armados. Já na noite de 22 de julho, ele e mais duas funcionárias foram surpreendidos por um assaltante, também armado, na filial da vila Prohmann.

Rincão diz esperar que medidas sejam tomadas para contornar essas situações. “É visível em lojas, farmácias, casas lotéricas e postos de combustíveis o medo de nossos funcionários, pessoas de bem, que são reféns de uma situação de violência que impera. Devemos esperar que aconteça alguma tragédia conosco ou algum de nossos funcionários?”, indaga.

O principal projeto de segurança em São Mateus do Sul este ano é a prometida instalação de câmeras de vigilância na cidade e saídas para as rodovias. A iniciativa é uma reivindicação do Conselho Municipal de Segurança (Conseg) desde o ano passado, que já era para estar em operação.

Em reunião realizada com os órgãos de segurança no dia 19 de junho, a Prefeitura anunciou que a compra dos equipamentos e execução dos projetos já haviam sido licitados, e que a empresa contratada deveria começar os trabalhos na sequência. A esperada instalação do sistema de monitoramento, no entanto, ainda não começou. Questionado pela reportagem, o secretário de Segurança e Trânsito, Benedito Facini, disse que a instalação deve ocorrer no próximo mês. “Estamos fazendo levantamento ponto a ponto do que vai ser necessário em cada um dos locais, para instalar agora em agosto”, afirma. Segundo ele, neste primeiro momento serão instaladas sete câmeras em pontos públicos. Elas serão monitoradas 24 horas por dia em um trabalho integrado com as polícias.

Para o delegado da 3ª Subdivisão de Polícia Civil, Nagib Nassif Palma, as câmeras serão de grande ajuda, desde que a qualidade permita identificação de características físicas, placas de veículos, e é o que está previsto no projeto. “Em momentos de investigação as imagens serão muito úteis, além de inibir muitos criminosos, obviamente. Esses casos recentes de assaltos já teriam outro rumo se houvesse câmeras na cidade”, comenta.

Sobre os roubos recentes, Nagib fala do trabalho da polícia. “Houve um grupo preso pela polícia da Lapa recentemente, que fez assaltos em São Mateus, e a investigação sobre a situação da farmácia está bem encaminhada, temos indicativos. São pessoas de fora, oportunistas. Estamos preocupados, mas atentos e demandando nesse sentido”. Segundo o delegado, entre as dificuldades para coibir esses crimes, está um fator que esbarra com outro problema de segurança. “Em todo o Paraná o Judiciário está fazendo mutirões para rever processos e amenizar a superlotação das delegacias, soltando muita gente. Isso dificulta bastante nosso trabalho, pois muitos acabam não ficando presos e a reincidência no crime é muito grande”, revela.

Durante a última reunião do Conseg, realizada na terça-feira (28), a Polícia Militar foi representada pelo sargento De Paula, que falou sobre seu trabalho em relação à onda de assaltos, também descrevendo serem criminosos de fora, com muitas passagens pela polícia, e pediu atenção com ações preventivas. A Polícia Militar local também tem sofrido dificuldades com viaturas paradas, por falta de verba para manutenção, conserto e até desabastecimento.

 

IMG-20150723-WA0001Rede de farmácias foi um dos alvos dos bandidos, que segundo a polícia, são quadrilhas de fora (foto: jornal ACONTECEU)

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