Fuga de presos é estopim de complicada situação de superlotação da delegacia

06 de fevereiro de 2015

Falta de vagas no sistema prisional impede transferência de um terço dos presos da carceragem da 3ª SDP, que já estão condenados; no último domingo (1º), 13 detentos fugiram

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A superlotação das delegacias, que atinge mais da metade das cadeias do Paraná, é realidade também em São Mateus do Sul, onde até poucos dias atrás, cerca de 90 presos dividiam um espaço projetado para 24. O número diminuiu, mas não porque esses detentos foram transferidos — foi porque fugiram, como estopim de uma situação delicada que permanece há meses.

Por volta das 16h de domingo, 1º de fevereiro, 13 detentos fugiram da carceragem da 3ª Subdivisão de Polícia Civil de São Mateus do Sul. Segundo a polícia, os presos descobriram um ponto frágil abaixo do solário, espaço onde eles tomam sol durante determinado período do dia. Abriram um buraco no piso e acessaram a saída de esgoto do local. A rede deu acesso ao pátio da delegacia, onde ficam vários veículos apreendidos pela polícia. Os detentos então pularam o muro da frente, saindo em plena avenida Ozy Mendonça de Lima, principal rua da cidade. Quando os agentes se deram conta da fuga, conseguiram capturar um 14º preso, no momento em que ele pulava o muro.

Apesar do clima tenso por causa da superlotação, que já gerou tentativas de rebelião nos últimos meses, os agentes do Departamento de Execução Penal (Depen) faziam checagem das celas frequentemente — a última dois dias antes da fuga — e não constataram nada fora do normal. O que intriga a polícia é como os presos identificaram o acesso ao esgoto sob o solário e o horário incomum da fuga. Com a delegacia localizada no centro da cidade, os foragidos invadiram ruas movimentadas à luz do dia, deixando pelo caminho peças do uniforme que os identifica como detentos.

Segundo o delegado-chefe da 3ª SDP, Nagib Nassif Palma, a superlotação da carceragem aumentou nos últimos tempos, como resultado das ações intensificadas das polícias nas ruas, mas cerca de 35 presos — um terço do total — já são condenados, ou seja, deveriam ser transferidos para presídios. “Foi oficiada inúmeras vezes a remoção desses presos condenados que não deveriam estar aqui. Enviamos ofícios ao Poder Judiciário e Ministério Público, que também agiram com todas as forças, mas não conseguimos, principalmente devido às várias rebeliões nas penitenciárias, que diminuíram as remoções. Isso também foi um ponto explosivo que infelizmente não depende de nós. Depende da disponibilidade de vagas”, diz.

Segundo a Polícia Civil, entre os fugitivos encontram-se condenados por tráfico, roubo e homicídio. No dia seguinte à fuga, um deles foi recapturado — Maicon Douglas Martins Cordo, de 28 anos, e na terça-feira (3), Efraim da Silva Portes, de 23 anos, foi encontrado na casa da família, no Potinga. Na quarta-feira, mais dois foram recapturados: Everaldo Oliveira de Santana, 24 anos, e Natanael Elizeu de Freitas, 23 anos.

Problema histórico, obras atrasadas

A esperança da 3ª SDP em relação à superlotação está na agilização das transferências com a inclusão do Depen sob jurisdição da Secretaria de Segurança Pública, a qual pertence a Polícia Civil (antes, o Depen pertencia à Secretaria de Justiça). A própria Secretaria, que agora é nomeada como Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, confirma esta possibilidade. “A vontade de transferir e o conhecimento desta necessidade existe. A tendência é que, com a vinculação de toda a área de segurança pública na mesma secretaria, as ações sejam facilitadas”, informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil, que enfatiza que o problema de São Mateus do Sul não é isolado. “Presos em delegacias são um problema histórico, que permanece há 30 anos. As medidas possíveis estão sendo feitas”.

Segundo dados do fim de dezembro, o Paraná tem mais de 9 mil presos em delegacias. Há dois anos, o Estado fez contrato para a construção de 12 novos presídios e ampliação de oito penitenciárias. Quando a iniciativa foi anunciada, em 2013, a entrega das edificações estava prevista para final de 2014 ou início de 2015, mas algumas obras não saíram da fase inicial e estão paradas, e a maioria sequer começou. À imprensa, o governo estadual disse ter havido suspensões para readequações de projeto e outras adaptações que adiaram o início de algumas obras, e que tudo deve ser retomado no primeiro trimestre deste ano.

Denúncias   

A Polícia Civil pede que a população colabore com qualquer informação que possa contribuir pela captura dos foragidos, e em especial pede sensibilização para que eles se entreguem espontaneamente. “Incentivamos que eles se entreguem e não haverá nenhuma retaliação. Há várias equipes na busca pelos foragidos, e neste caso tudo pode acontecer”, enfatiza o delegado.

As denúncias/informações podem ser passadas à polícia pelos telefones 190, 197 e 3532 1202.

Fotos: jornal ACONTECEU/Polícia Civil

São os que ainda se encontram foragidos:

Gildo Pires dos Santos 21

Gildo Pires dos Santos

Reginaldo Monteiro de Oliveira 18

Reginaldo de Oliveira

Ozeias Correa dos Reis 40

Ozeias Correa dos Reis

Jackson Ciro Padilha Guimarães 23

Jackson Padilha Guimarães

Ewerton Afonso Alves 25

Ewerton Afonso Alves

Eder Reis 24

Eder Reis

Anderson Ferreira Leal 26

Anderson Ferreira Leal

Adevir Neris 33

Adevir Neris

Aderlan Samuel Metka 21

Aderlan Samuel Metka

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