Empresa local é vítima de crime cibernético

03 de julho de 2015

Ação criminosa internacional tenta extorquir proprietários dos Supermercados Brongiel para liberar todo o banco de dados retirado do sistema da empresa

 

838brongielEmpresa não cedeu à ação criminosa; se não fosse o backup, prejuízo seria grande (foto: jornal ACONTECEU)

 

Uma empresa são-mateuense está sendo vítima de um crime internacional que desafia até mesmo os mais sofisticados centros de investigação do mundo. Uma ação criminosa retirou do sistema todo o banco de dados dos Supermercados Brongiel e agora tenta extorquir os proprietários para liberar o acesso aos dados. O crime aconteceu na madrugada do último sábado (27), momento em que os bandidos fizeram contato por e-mail exigindo US$ 3 mil — em Reais, aproximadamente R$ 10 mil.

O banco de dados da empresa contém, entre outras informações, o registro de todo o estoque do supermercado. A perda desses dados poderia exigir que o estabelecimento passasse dias de portas fechadas para estabelecer o controle das mercadorias, representando grande prejuízo à empresa. Esse seria o risco com o crime, não fosse o fato de que os Supermercados Brongiel mantêm cópia de segurança (backup) desses dados. O que a empresa não tem como recuperar, a não ser pelas mãos dos bandidos, são os registros do ponto eletrônico, ou seja, do controle de funcionários.

É chantageando as empresas, escolhidas de forma praticamente aleatória pelo mundo, que os bandidos agem, conforme confirmou na prática o gerente proprietário Márcio Roberto Brongiel. “Não sabemos se é uma ação de uma só pessoa ou um grupo. Fato é que não é uma organização brasileira, é um crime internacional, que envolve investigação até mesmo do FBI”, conta o empresário, que se surpreendeu com o ágil esquema de alternância de IPs (identificação do computador) constatado, que em questão de minutos saltou de uma máquina na Polônia para outra na Rússia, e na Holanda, sucessivamente, impedindo a identificação da origem da ação.

A reportagem tentou entrar em contato com o delegado da 3ª Subdivisão de Polícia Civil, Nagib Nassif Palma, para saber como a polícia está procedendo em relação ao crime. O delegado estava fora da cidade, incomunicável até o fechamento desta edição, mas, segundo o escrivão Sandro Marcos, o caso é encaminhado para uma delegacia própria para crimes cibernéticos, de Curitiba, que tem ferramentas para agir, apesar da dificuldade de se chegar aos criminosos. Sandro ressalta que a polícia aconselha, de imediato, que a vítima não ceda às exigências dos bandidos, indicação que os Supermercados Brongiel seguiram à risca. “É um processo de extorsão, que muitas vezes não termina com o pagamento. São pessoas que não têm escrúpulos”, enfatiza.

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