Entrevista: O que muda com a 3ª CIA?

20 de maio de 2016

Em entrevista ao ACONTECEU, o comandante Ederson Crevelin fala sobre as mudanças e desafios da nova Companhia da Polícia Militar

 

IMG_3851Foto: jornal ACONTECEU

 

A criação do 27º Batalhão da Polícia Militar de União da Vitória, há dois meses, trouxe a expectativa de melhorar a estrutura e o efetivo policial de 11 cidades da região. Depois do município-sede do Batalhão, São Mateus do Sul foi o que sofreu mudança mais significativa, uma vez que deixou de ser um Pelotão subordinado à 1ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) da Lapa para sediar a 3ª Companhia do 27º BPM, abrangendo ainda Antonio Olinto e São João do Triunfo, que também deixaram a CIPM da Lapa. Mas, em termos práticos, o que muda com isso?

O jornal ACONTECEU entrevistou o comandante da 3ª CIA, 1º tenente Ederson Pinheiro Crevelin, que falou sobre as mudanças e também os desafios da nova Companhia.

Natural de São Mateus do Sul, Crevelin atuou durante cinco anos na 8ª CIPM de Irati em diversas funções, como subcomandante, oficial de inteligência e oficial da parte logística, ficou à frente de vários setores da Companhia, e agora foi designado para assumir o comando da recém-criada 3ª Cia do 27º BPM.

 

jornal ACONTECEU (J.A): Como você recebeu esta incumbência de comandar esta nova Companhia?

Ederson Crevelin (E.C): Foi um convite do major Gilmar [comandante do 27º BPM], com quem eu já tinha trabalhado em Laranjeiras do Sul, que me chamou para assumir essa função. Sou uma pessoa que gosta de mudança, não gosto de ficar tanto tempo no mesmo lugar. Gosto de novos ares, novos desafios. Então encaro como um desafio, porque sabemos da realidade daqui, que infelizmente não é das melhores, mas a gente tem que trabalhar com o que tem, fazer o possível, desenvolver um bom trabalho para poder ajudar a comunidade.

 

J.A: Quais seriam os principais desafios da 3ª CIA?

E.C: Neste primeiro momento seria o efetivo policial. Para o tamanho da cidade, seria necessário pelo menos mais uma viatura nas ruas. Mas a escola já está formando novos policiais em União da Vitória, então já existe a previsão que cheguem mais policiais aqui. Mas o novo efetivo vai esbarrar na carência de viaturas. Então já é algo que teremos que correr atrás para resolver.

 

J.A: Quantos novos policiais estão previstos para a Companhia neste primeiro momento, com o término do curso de formação?

E.C: Aproximadamente 12 policiais. Desses 12, vai ser colocada mais uma viatura na cidade. Vou ativar a Patrulha Rural, que vai atender os três municípios [São Mateus, Antonio Olinto e São João do Triunfo], e também uma viatura Rotam, que vai fazer operações, com um efetivo mais preparado para dar um apoio aos três municípios também. A ideia do major é que alguns desses policiais em formação já façam o estágio operacional aqui, em breve.

 

J.A: Além do efetivo, que mudança a elevação do Pelotão para Companhia representa?

E.C: Essa é justamente a principal mudança. Como Pelotão, há um número determinado de policiais, e como Companhia, é possível ter um número maior, até 90. Claro, isso não vai acontecer já, mas pode aumentar com o passar do tempo, então basicamente é uma questão de regulamento para poder atender. Como Companhia também há mais autonomia, não tão vinculado como era com a Lapa, embora exista vínculo com União da Vitória, que sedia o Batalhão. Tem a questão do prédio, vamos ter que aumentar estrutura, e até o próprio serviço administrativo aumenta.

 

J.A: Você considera alguma área que demanda maior preocupação, que representa um maior desafio para a Polícia Militar em São Mateus do Sul?

E.C: A própria área central precisa atenção especial, por conta de bancos, comércios, e algumas vilas que a gente já conhece, principalmente a região da Bom Jesus, com situações de tráfico que sabemos que existem. Tem surgido algumas denúncias, então está sendo feito por lá um trabalho de abordagem diuturnamente. Todo dia a viatura está lá fazendo abordagem, em bares, pessoas nas ruas, para tentar coibir e prender pessoas que estiverem traficando. E também vila Verde e Santa Cruz, que identifiquei.

 

J.A: Como você vê a participação da comunidade com denúncias?

E.C: Esta semana mesmo houve uma denúncia anônima, informando sobre pessoas armadas na Bom Jesus. A viatura foi até lá e a ação teve sucesso. Todas as denúncias são verificadas. É muito importante essa colaboração da sociedade para auxiliar o trabalho policial, afinal, a viatura não pode estar em todos os lugares. Falei bastante nas entrevistas que eu dei que é muito importante essa colaboração da comunidade no trabalho policial e a situação desta semana exemplifica esta questão, foi bem ao encontro disso.

 

J.A: Como você define seu modo de atuação como policial e agora como comandante?

E.C: Eu penso que temos que priorizar o básico da Polícia Militar que é o serviço preventivo. Considero importante também as parcerias com a comunidade, com o Conseg, trabalhando sempre junto. Também campanhas educativas, para poder conscientizar a população de fazer a coisa certa, buscar a coisa certa. São as ideias principais, com o foco na prevenção.

 

J.A: Um desafio também está na questão das quadrilhas de fora, que vem até aqui praticar os crimes…

E.C: São Mateus do Sul é muito próxima de Curitiba, próxima Santa Catarina. Sabemos dessas quadrilhas que vêm cometer esses crimes e vão embora. Por isso, é importante o contato com unidades vizinhas para poder identificar e ficar de olho. Mas se conseguirmos desenvolver um trabalho preventivo aqui de forma satisfatória, essas quadrilhas provavelmente vão evitar a cidade.

 

J.A: Você já atuou em algumas outras cidades. Com base na sua experiência, como você considera a realidade são-mateuense em relação à criminalidade?

E.C: Considero até tranquilo. Trabalhei em Laranjeiras do Sul, cidade um pouco menor e com número de ocorrências maior. Outro exemplo, Telêmaco Borba, onde trabalhei, é uma cidade um pouco maior mas com o índice de criminalidade muito grande. A própria cidade de Irati também. Aqui, sabemos da realidade em que passam muitas pessoas de fora, com a Petrobras, mas ainda é tranquilo.

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