“A sensação de medo é enorme”, dizem vítimas de onda de assaltos que devasta São Mateus

28 de agosto de 2015

Vítimas revelam trauma, desmotivação e sentimento de impunidade

 

846postoAilson Marin teve posto de combustível assaltado pela quarta vez desde junho 

 

“Neste ano vejo muita gente desanimada pela crise, e nós estávamos na contramão. Queríamos investir mais. Mas agora estou desmotivado”, desabafa o empresário Ailson Marin, assaltado quatro vezes desde o mês de junho. Ele é uma das vítimas da onda de crimes que devasta São Mateus do Sul nos últimos meses e aumenta a sensação de insegurança de maneira geral.

Conduzindo há 21 anos o Posto Santana, na BR 476, saída para Lapa, que emprega 11 funcionários, Ailson possivelmente foi quem mais sentiu na pele o aumento da criminalidade, vendo seu estabelecimento ser considerado “alvo fácil” para os bandidos, que encontram uma rota ágil de fuga e consideravelmente distante da polícia. Todos os episódios foram de assalto à mão armada e o último, na segunda-feira (24), surpreendeu pelo horário — 18h30, momento de grande movimento no estabelecimento, que estava cheio de clientes.

Os dois assaltantes fugiram sentido Lapa em um Volkswagen Gol de cor prata. As equipes da Polícia Militar de São Mateus do Sul e Antonio Olinto deram início às buscas, chegando a patrulhar pela localidade de Lagoa da Cruz, Antonio Olinto, onde o suposto veículo havia sido avistado. Contudo, não localizaram os suspeitos. Dias antes, outro posto de combustível — o Posto Amigão, em Fluviópolis — também havia sido alvo de um criminoso armado, que gerou pânico nos funcionários ao disparar cinco vezes a esmo.

Apesar da ação da polícia, boa parte dos recentes crimes relacionados ao patrimônio não foi solucionada, tendo suspeitos ainda investigados. Ailson acredita que os autores sejam, em geral, pessoas da região, que partem para a capital e, frustrados, retornam para o interior, mas nesse intervalo já tendo se envolvido com drogas e criminalidade. “Quem nos assaltou fez isso para comprar droga, não é para comprar feijão e arroz”, aponta o empresário, que já mudou o horário de funcionamento e instalou câmeras de monitoramento para conter os bandidos, coisas que não resolveram. “Nossos funcionários ficam preocupados quando escurece e muitos clientes estão se afastando. O que doeu mais não foi o prejuízo financeiro, mas ele [o assaltante] colocar a arma na minha cabeça e dizer ‘me dê o dinheiro, vagabundo’”.

Ailson se queixa de impunidade. “A polícia está desmotivada, não pelo salário, mas por estar atuando sem equipamentos suficientes. “Quando prende, a Justiça solta. E se não solta, há fuga de presos da cadeia. Nós, como contribuintes, temos que aprender a pagar a conta”.

O sentimento é compartilhado por outro empresário, Gilson Padilha, que foi assaltado na porta de casa no último sábado (22), quando voltava do trabalho acompanhado da esposa e da filha. “Nossa segurança é muito precária. As polícias fazem o que podem, mas não dão conta”, opina. O criminoso, que levou dinheiro e usou o carro da vítima para fugir, ainda não foi preso, e deixou a família traumatizada. “Não voltamos para casa ainda”, revela Gilson. “Nós já vivíamos como dentro de uma gaiola, e agora estamos indo atrás de um segurança, pois a sensação de medo é enorme”.

 

846padilhaGilson Padilha foi abordado por assaltante quando voltava do trabalho (foto: jornal ACONTECEU)

 

 

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