Vacinação contra o HPV entra na segunda etapa tentando quebrar receios

26 de setembro de 2014

Enfermeira esclarece importância da vacina e alerta quanto a conclusões precipitadas a respeito de reações divulgadas sem embasamento científico

vacina

O calendário de imunizações prevê a aplicação da segunda dose da vacina contra o papiloma vírus humano (HPV), neste final de setembro. Meninas de 11 a 13 anos precisam se prevenir contra a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo, a partir de vacina aplicada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. A adesão, no entanto, tem sido comprometida pela divulgação de informações a respeito de reações à vacina, o que está preocupando a área.

Segundo a enfermeira e chefe do setor de Epidemiologia local, Rosângela Mendes Paul, a primeira fase da aplicação realizada em São Mateus do Sul no mês de março imunizou mais de mil meninas, sem nenhuma intercorrência. Os eventos adversos pós-vacinação, no entanto, são reações esperadas por todos os imunobiológicos. “Nenhuma vacina está totalmente livre de provocar eventos adversos, porém, os riscos de complicações graves causadas pelas vacinas do calendário de imunizações são muito menores do que os das doenças contra as quais elas protegem”, frisa. A questão, segundo ela, é o fato de estar havendo grande sensacionalismo em relação à vacina do HPV, prejudicando a imunização. “O público deve ser informado corretamente sobre a ocorrência dos eventos adversos pós-vacinação, evitando-se noticiários sensacionalistas e precipitados, que podem abalar a confiança no programa de imunizações e diminuir as coberturas vacinais, com resultados desastrosos”.

Não há até o momento nenhum estudo que tenha associado de maneira inequívoca a vacina do HPV a algum evento adverso grave. Após anos de uso da vacina, os dados de segurança obtidos pelos sistemas de vigilância dos países que a introduziram nos seus programas mostram que a vacina é segura, com a ocorrência de eventos adversos, na sua maioria, leves, como dor no local da aplicação, inchaço e eritema (vermelhidão). Em raros casos, ela pode ocasionar dor de cabeça, febre ou desmaios. A ocorrência de desmaios durante a vacinação contra o HPV não estaria relacionada à vacina especificamente, mas sim ao processo de vacinação, podendo acontecer com a aplicação de qualquer outra vacina ou produto biológico injetável. “Quando a vacina foi aprovada nos Estados Unidos em 2006, as autoridades revisaram estudos que incluíram perto de 20 mil mulheres de várias idades que receberam a vacina de HPV ou outras vacinas em estudos controlados, demonstrando segurança e eficácia de mais de 90%  na prevenção de lesões pré-cancerosas, adenocarcinoma e verrugas genitais causadas pelos tipos contemplados pela vacina”, informa Rosângela.

A chave está na vacinação segura, que procura garantir a utilização de vacinas de qualidade, aplicação rigorosamente dentro da técnica de imunização, monitoramento dos eventos adversos pós-vacinação que possam ocorrer, além de mensagens claras sobre as estratégias, prioridades e segurança da vacinação.

Por que essa faixa etária?

Segundo a enfermeira, a faixa etária dos 11 aos 13 anos foi escolhida por dois motivos. “Primeiro, a vacina é mais efetiva em meninas que ainda não tiveram contato sexual e não foram expostas ao HPV. Segundo, porque é nessa idade que o sistema imunológico apresenta melhor resposta às vacinas. Com base em pesquisas feitas pelo IBGE, 28% dos jovens  começam a ter contato sexual a partir dos 13 anos, então vacinando essa faixa etária conseguimos um melhor aproveitamento dos efeitos da vacina”, explica.

Além disso, ela alerta da importância de manter a prevenção a partir dos exames periódicos e do uso do preservativo. “A vacinação é uma ferramenta de prevenção primária, antes da entrada do vírus no organismo, e não substitui o rastreamento do câncer de colo de útero que já esteja em evolução. Portanto, é imprescindível manter a realização do exame preventivo, o Papanicolau, pois as vacinas não protegem contra todos os tipos oncogênicos de HPV”.

Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

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