Morte de menino acende discussão sobre necessidade de pediatras

08 de agosto de 2014

Enquanto se apura se houve algum tipo de negligência no atendimento do menino Pedro, saúde pública se vê cobrada pela carência de especialistas

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A sexta-feira ensolarada e agitada do dia 1º de agosto recebeu o contraste de um grupo de pessoas vestidas de preto, que marcharam em silêncio pelo centro da cidade. O clima pesado se intensificou quando todos eles se ajoelharam em frente à Prefeitura Municipal e ao Pronto Atendimento, rezaram e seguiram caminhada. O protesto silencioso observado curiosamente pela cidade era compreendido ao lerem-se os cartazes segurados por mãos em luto. Uma morte despertou a atenção para uma causa.

A pediatria está entre as especialidades médicas que dominam o índice de carência no país, segundo levantamento do Ministério da Saúde, e o desafio da saúde pública, de equiparar o número de profissionais a uma demanda crescente, é difícil mesmo quando a oferta é de volumosos salários. O objetivo da passeata buscou um empenho maior para atender o município em relação a essa carência.

Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) trabalha, em São Mateus do Sul, com quatro pediatras, e, nos plantões, apesar de haver clínicos gerais atendendo presencialmente, os especialistas ficam em sobreaviso. Para o município, a dificuldade de ampliar a oferta de pediatras se deve principalmente à falta do profissional no mercado, além do fato de a cidade possuir uma estrutura pequena que dê suporte à área. “O município já chegou a trabalhar com clínicos gerais suprindo a falta de pediatras, e hoje os plantões contam com especialistas em sobreaviso, o que já nos deixa satisfeitos. O último profissional que passou a atuar no município, poucos meses atrás, foi uma conquista nossa, porque realmente é muito difícil”, diz o prefeito, Clóvis Ledur. O prefeito também destacou que o município investe uma grande fatia da receita à saúde, bem acima do exigido por lei, e criticou a falta de apoio do governo estadual para a área.

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Fatalidade ou negligência

O movimento que tomou as ruas para pedir por pediatras foi motivada pela tragédia envolvendo o pequeno Pedro Henrique de Lima Pereira, de um ano e três meses, que morreu dias atrás. A criança recebeu atendimento no dia 25 de julho, com um quadro de vômito e febre alta, foi atendido por um médico e encaminhado para casa. Seu quadro, no entanto, piorou, e não houve tempo para salvá-lo. Pedro morreu por aspiração bronco-pulmonar a caminho do Pronto Atendimento.

A família, impactada com a morte repentina e com o fato de ele ter sido mandado para casa após um rápido atendimento, relata a necessidade de que Pedro tivesse ficado em observação, mas disse ter sido informada de que não havia um pediatra para se dedicar ao atendimento, e o médico teria avaliado como desnecessária a internação.

Diante do caso, que chocou muitas pessoas, o município pediu um relatório circunstanciado para apurar o ocorrido, fazendo um levantamento dos fatos, e informou a abertura de uma sindicância para averiguar se a morte de Pedro foi uma fatalidade, ou se houve alguma negligência médica. O prefeito disse à reportagem que havia pediatra na manhã em que Pedro foi levado para atendimento.

Em uma carta trazida à redação do ACONTECEU, que descreve seu posicionamento em relação ao ocorrido, a família diz esperar que a verdade dos fatos seja buscada e que a situação se reflita em alguma mudança para a área da saúde. “Se isso acontecer, estaremos mais aliviados e teremos um pouco mais de tranquilidade”, descreve. A família também disse que reprova e lamenta a atitude que algumas pessoas vêm demonstrando nas redes sociais, aproveitando-se da situação para interesses políticos, e agradece àqueles que estão dando apoio, na forma de carinho ou de protesto.

A reportagem procurou pelo médico que fez o atendimento, mas não o encontrou no Pronto Atendimento e nem conseguiu seu contato telefônico, informação que a Secretaria de Saúde ou o próprio P.A. não tinham autorização para fornecer.

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Fotos: jornal ACONTECEU/Reprodução Facebook

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