Audiência pública discute novo hospital

05 de junho de 2015

Proposta do município é aberta para a população com novas definições; entre dúvidas e esclarecimentos, projeto ainda é permeado por desconfianças

 

DSC_1155Público presente ouviu a proposta e fez perguntas sobre o projeto (fotos: jornal ACONTECEU)

 

O projeto um tanto complexo do município para permitir a construção de novas, maiores e mais modernas instalações do Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes deu um novo passo, com a primeira do que promete ser uma série de audiências públicas para mostrar a proposta de forma mais clara à população. Na reunião realizada na noite de sexta-feira (29), na Câmara Municipal, foram reveladas novas definições do projeto, em relação a custos e prazos, que esclareceram alguns cidadãos, mas ainda não foram suficientes para retirar a expressão de desconfiança de outros.

Participaram da audiência cerca de 40 pessoas, entre elas o prefeito Clóvis Ledur, o vice, Clóvis Distéfano, a secretária de Saúde, Fernanda Sardanha, a presidente do Conselho de Saúde, Sílvia Botezini., o presidente da Câmara de Vereadores, Enéas Melnisk, e o presidente do hospital, Michel Ulbrich, além de outros secretários e vereadores presentes junto ao público. Na ocasião, as pessoas presentes puderam fazer questionamentos, que foram comentados pela Prefeitura.

O prefeito explicou como é a proposta, contextualizando com os problemas existentes nas atuais instalações do hospital e também do Lar São Mateus, que vai entrar na proposta. A ideia da Prefeitura é adquirir o espaço, ao custo de R$ 6,8 milhões, reformar o prédio e utilizá-lo para secretarias. Como parte do financiamento, entraria a venda do terreno do Lar São Mateus, cujo prédio está condenado, sob a condição de o hospital construir novas instalações para a entidade, em terreno da Prefeitura, na Vila Prohmann. A expectativa é que o novo hospital tenha cerca de 2,5 mil m² com capacidade de ampliação, cem leitos de enfermaria e dez leitos de UTI administrados pelo Estado. “Atualmente o hospital é um problema crônico. Já existem projetos que nunca saíram do papel, há problemas com liberações do Corpo de Bombeiros e a ampliação é considerada inviável. A nossa proposta é fruto de muita conversa, para resolver tanto os problemas do hospital como do lar São Mateus, e é viável”, defendeu Ledur. Para o município, o negócio ainda seria positivo no sentido de gerar economia — cerca de R$100 mil mensais — com aluguéis para muitos setores da administração e deslocamentos para atendimentos de média e alta complexidade fora da cidade.

A Prefeitura afirma ter R$ 1,5 milhão em depósito, além do R$ 1,7 milhão repassado pela Câmara e previsão de R$ 800 mil de “sobras” do Legislativo no ano. O orçamento deve permitir o pagamento de R$ 250 mil por mês. A previsão seria de 15 meses de obra, iniciando em setembro deste ano, após a efetivação do negócio e contratação do projeto executivo.

Entre os questionamentos mais pertinentes da audiência esteve o porquê de o município não construir o novo hospital e fazer a cessão para que seja administrado pela diretoria do Doutor Paulo Fortes. Segundo a primeira-dama, Marina Ledur, a Prefeitura fica impossibilitada de fazer repasses de subvenção se o imóvel for de sua propriedade. Na ocasião, a parceria entre a Prefeitura e a Câmara em prol da iniciativa foi elogiada, e, por outro lado, houve crítica por falta de clareza em relação à iniciativa. Segundo o poder público, haverá novas audiências públicas para gerar o máximo de esclarecimento.

Segundo exposto pela secretária de Saúde, Fernanda Sardanha, uma comissão municipal, formada por representantes do Executivo, Legislativo, Conselho Regional de Medicina (CRM), Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Ministério Público e comunidade, fará o acompanhamento da construção do novo hospital.

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Desfalcada, entidade aprova compra

No dia 29 de abril, houve assembleia com os associados do Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes para apreciar a proposta e votar pela venda da estrutura. Dos cerca de 200 sócios aptos a votar, apenas dez compareceram. Apesar do desfalque maciço, o estatuto da entidade permite a decisão, que foi favorável ao projeto, desde que todos os novos passos passem por assembleia da entidade.

Uma nova reunião deve acontecer para decidir pelo terreno que vai abrigar a nova estrutura — cogita-se uma área de 40 mil m² às margens da BR 476, sentido União da Vitória.

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