AIDS: A realidade de hoje em São Mateus do Sul

20 de março de 2015

Atualmente, 34 pacientes fazem tratamento e recebem acompanhamento da equipe de epidemiologia local

A taxa de detecção de Aids em jovens brasileiros tem aumentado — no período de 2004 a 2013,  cresceu de 9,6 para 12,7 casos por 100 mil habitantes. Os dados são do Ministério da Saúde em nível nacional, mas refletem tranquilamente a realidade de São Mateus do Sul, onde o setor de epidemiologia da saúde pública constata igual preocupação. A realidade local é de 34 casos acompanhados para uma cidade de 44 mil habitantes, a maioria também jovens, sem contar os casos em que os doentes não procuram assistência.

“O adulto jovem de hoje não acompanhou aquele momento de auge da Aids, nos anos 1980, que matou Cazuza e gerou toda aquela repercussão. Agora, se sente como se estivesse imune a tudo, como se esse mal não existisse. Só que existe e está crescendo”, destaca a chefe de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Mendes Paul, atribuindo sua opinião para esse aparente desligamento em relação ao risco do vírus. Atualmente, segundo ela, 32 soropositivos de São Mateus fazem uso da medicação fornecida pelo governo federal. Outros dois que apresentam menor carga viral e boa imunidade seguem monitorados. Todos fazem parte de um protocolo de consultas mensais ou, no máximo, bimestrais, na sede do Conselho Intermunicipal de Saúde do Vale do Iguaçu (Cisvali), e fazem exames periódicos, a fim de acompanhar sua saúde e prevenir doenças oportunistas, como uma simples gripe, que, para um infectado, pode representar maior risco. O tratamento, que para o governo gera um custo mensal de cerca de R$ 3 mil por paciente só em medicamentos, sai de graça para o paciente, assim como toda a estrutura física e psicológica fornecida a partir da epidemiologia e do Cisvali.

Ainda segundo os dados do setor, há registros de cinco mulheres portadoras do vírus que engravidaram, e cujo acompanhamento impediu que o HIV fosse transmitido para os bebês. “Orientamos que essas pacientes não engravidem, mas todos têm seu livre arbítrio, e se engravidam, tentamos propiciar a elas a melhor gravidez possível, com a medicação adequada e orientando em relação a não amamentar”, explica Rosângela.

Outro problema observado na cidade é a pouca procura pelos testes rápidos, mesmo embora tanto o exame quanto o tratamento respeitem a privacidade do indivíduo, sem o expor. “Por isso orientamos ao máximo para que as pessoas se cuidem, evitem se expor ao risco de contrair o vírus, e tenham consciência das consequências que podem vir”, frisa Rosângela. Diante de um resultado positivo, todo o suporte é para que elas aprendam a viver com a doença e a enfrentem. “O tratamento é para sempre, mas o uso dos medicamentos e cuidados do dia a dia dão uma boa qualidade de vida, permitem que o infectado viva normalmente, trabalhe, faça suas atividades. Tentamos acolhê-los o melhor possível para saberem que não estão sozinhos, e que a vida não acabou”.

É o caso de um paciente entrevistado pelo jornal ACONTECEU, que não terá seu nome revelado. Ele se trata há pouco mais de três anos, fazendo uso diário de seis comprimidos. Afirma que sofreu os efeitos dos medicamentos no início do tratamento, com náuseas e vômito, até a adaptação ao organismo, mas que hoje leva uma vida tranquila. “Hoje trabalho normalmente, faço caminhada ao menos três vezes por semana, sem sofrer praticamente nenhum efeito. Depois da doença, aliás, melhorei minha alimentação, que agora é mais balanceada”, conta. Comprometido, mantém sua vida sexual normal, obviamente com proteção, e, para tranquilidade dos dois, sua parceira faz o exame do HIV com certa periodicidade. “Em geral, vida normal”.

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Chefe da Epidemiologia, Rosângela Mendes Paul (sentada, junto da colega Josineide Santana da Silva), orienta quanto à prevenção e ao apoio para pacientes

Hepatites também preocupam

Outra doença que vem preocupando a saúde local é a hepatite, em todos os seus tipos, cujos casos também têm aumentado. Recentemente, o município foi orientado a conscientizar em relação ao contágio pelo uso de instrumentos estéticos, como pinças e alicates de manicure, e também equipamentos de tatuagem, por exemplo, sem a devida higienização, que permitem a infecção sem que o paciente possa imaginar que corre esse risco. O tratamento inserido recentemente pelo Ministério da Saúde, que traz chance de até 90% de baixa na carga viral e é recorrido quando o tratamento convencional não funciona, custa R$ 17 mil mensais ao governo por paciente.

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