Na contramão de movimento que percorre o Paraná, vereadores de São Mateus do Sul votam aumento nos seus salários

25 de agosto de 2015

Reajuste de 8,41% segue acumulado do INPC, diz projeto; população não gostou muito da ideia

 

DSC_1175Foto: jornal ACONTECEU

 

Enquanto o Legislativo de muitos municípios paranaenses vem sofrendo pressão pela redução dos salários dos vereadores, São Mateus do Sul andou na contramão. Esta semana, entrou em primeira votação na Câmara Municipal o projeto de lei 015/2015, que concede reajuste salarial aos vereadores. A proposta foi aprovada, mas deve enfrentar resistência da população, que não gostou muito da ideia.

Assinado pelos vereadores Manoel Ferreto, Mario Stori Stuski, Geraldo de Paula e Silva, Antonio Wilson Waligurski (Bira) e Miguel Paulo Ferreira, o projeto prevê reajuste de 8,41% nos subsídios, conforme percentual medido pelo índice acumulado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao período de abril de 2014 a março de 2015.

Os autores do projeto justificam a iniciativa alegando atendimento à legislação específica que prevê revisão geral anual aos servidores públicos e aos agentes políticos. “Importante salientar que a revisão geral anual tem por objetivo atualizar as remunerações de modo a acompanhar a evolução do poder aquisitivo da moeda em cada caso”, descrevem, na justificativa.

Na primeira votação, que teve ausência do vereador Omar Picheth, somente o vereador Rui Rossetim foi contrário ao projeto. Ele disse que seria incoerente de sua parte ser favorável à proposta, levando em conta os movimentos sociais aos quais está inserido. “Vemos que muitas pessoas não estão contentes. É como um contrato. Se as pessoas estão reclamando é porque o contrato não está sendo cumprido. Acho que precisamos rever esses papéis”. Ninguém mais se manifestou.

O projeto ainda vai passar por uma segunda votação, prevista para a próxima segunda-feira, 31 de agosto. A sessão promete grande público, por causa de uma mobilização que está se formando nas redes sociais. Muitos cidadãos não concordam com o reajuste e pedem a redução dos salários dos vereadores. Também há críticas em relação ao site da Câmara, que está fora do ar há algumas semanas, e à página no Facebook, que não está disponível desde terça-feira (25), dia seguinte à votação. Sobre o site, que funciona como portal da transparência, a informação é que ele está em manutenção, passando por modificações. Sobre a página da rede social, a Câmara não se manifestou.

Hoje remunerados em R$ 6.210 (bruto), os vereadores passarão a receber R$ 6.732 se o projeto for aprovado e sancionado posteriormente pelo Executivo. Ainda conforme a proposição, a lei entra em vigor na data de sua publicação, com efeitos retroativos a partir de abril de 2015.


 

Atualização – Está confirmada para esta quinta-feira (27) a votação do projeto de reajuste salarial em sessão extraordinária, às 18h. Durante esta quarta-feira, especulou-se a possibilidade de que o projeto seja retirado por causa da pressão popular. Uma reunião entre os parlamentares à noite deve decidir os rumos da proposta.

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