Impeachment: o que pensar?

15 de abril de 2016

Ouvimos representantes de alguns segmentos em São Mateus do Sul para expor diferentes opiniões e pontos de vista sobre a questão que mais agita o país atualmente

 

 

O cenário político brasileiro está agitado com a possibilidade de o país viver o segundo processo de impeachment de um presidente em sua história. A semana está sendo decisiva para Dilma Rousseff (PT), depois que a comissão especial na Câmara dos Deputados aprovou o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) favorável à abertura do processo de afastamento do cargo. O assunto é pauta na Casa até domingo (17), quando está prevista a conclusão da votação no plenário. Se aprovado, segue então para o Senado, que é onde será decidido pela abertura ou arquivamento do processo de impeachment.

No pedido de afastamento, a presidente é acusada de crimes de responsabilidade, com as “pedaladas fiscais”, e pela assinatura de decretos de abertura de crédito sem autorização do Congresso, além de improbidade administrativa por omissão no caso de corrupção na Petrobras.

Naturalmente, o assunto divide opiniões e está gerando tensão entre governistas e opositores, e também dúvida em grande parte da população, insegura quanto ao que é melhor para o país em um momento tão delicado política e economicamente.

Instigando o debate e trazendo a questão para a realidade local, o jornal ACONTECEU ouviu pessoas de diferentes segmentos da sociedade são-mateuense que aceitaram expor suas opiniões e pontos de vista acerca do assunto, assim como lideranças locais do governo e da oposição. Apesar de eventualmente estarem ligadas a determinadas instituições, a intenção com seus comentários não é representar as entidades, mas refletir uma visão pessoal de cada um. O intuito é angariar argumentos de representantes de áreas distintas e saber como a possibilidade de um impeachment está sendo vista em São Mateus do Sul. A oportunidade de opinar naturalmente será aberta também para a comunidade em geral que deseje se manifestar, por meio da enquete em nosso site (veja o box).

 

  Como você vê a possibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff? E que reflexos você acredita que a aprovação ou o arquivamento do processo podem gerar?

 

DSC_0423Foto: jornal ACONTECEU

 

A situação do impeachment é uma ação política de Michel Temer e de Eduardo Cunha sem base jurídica. Se for aceito o impedimento no domingo, serão seis meses de estagnação, pois em seis meses não conseguirão fazer nada. Não é tempo hábil para alguma mudança, pois almejam algo totalmente diferente do que o governo que foi eleito. Serão seis meses travados, uma estagnação política/econômica que é o pior para o povo.

Se o impeachment não passar, que a oposição deixe a presidente governar, o que não deixou nesses últimos seis meses. Para que a economia ande como deveria ter andado.

A melhora do país refletirá nos municípios. E que a oposição apresente alguém com capacidade para concorrer às eleições.

Clovis Ledur (PT)
Prefeito Municipal



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Foto: jornal ACONTECEU

 

A sociedade brasileira está amplamente favorável ao impeachment, só que hoje nós dependemos, é claro, dos votos dos deputados, que vão decidir. Mas vejo hoje que há um clamor da sociedade brasileira a favor do impeachment, e eu estou junto com a população.

Com certeza vai trazer um alento positivo, mas, é claro, não é só o impeachment que já vai resolver. Será necessária uma série de ações por parte de quem assumir o governo, ações concretas para que haja uma melhoria do governo.

Se não houver impeachment, vejo que a própria presidente, os ministros em torno dela, estão falando que deve-se repactuar o Brasil, então acredito que ela vai fazer também algumas modificações, pois o país não pode ficar parado do jeito que está, e as coisas tendem até a piorar, se ficar estagnado como está.

Então, havendo ou não o impeachment, deverão ser tomadas medidas, na minha modesta opinião, para o melhoramento do nosso país.

Havendo essa melhora da situação do país, é claro, atingirá também todos os municípios, mas, lógico, não será num curto espaço de tempo.

Luiz Adyr Gonçalves Pereira
Líder do PSDB em São Mateus do Sul


IMG-20160413-WA0016Foto: Arquivo pessoal

 

Com o devido respeito a quem pensa diferente, creio que o impeachment é uma importante ferramenta constitucional que tem por objetivo a preservação da própria democracia, no sentido de combater excessos/desvios (crimes de responsabilidade) de governantes, que agindo assim contrariam a vontade e os interesses do povo.

Dentro desse contexto, independentemente de partidos ou ideologias políticas, é aplicável referido instituto para hipóteses de escândalos de corrupção, tal como vem ocorrendo com o atual governo, que perdeu totalmente a credibilidade resultando numa gravíssima crise político-econômica sem precedentes.

Entretanto, não podemos deixar de lado que os escândalos de corrupção não envolvem apenas o governo, mas também os mais variados segmentos da política e do mercado brasileiros, sendo forçoso reconhecer – sem generalizar – que trata-se de uma problema cultural, não bastando apenas a aplicação de uma medida isolada, sem que haja uma mudança estrutural no pensamento do povo.

Todavia, apesar de todo esse turbilhão de problemas, ao contrário de muitos, eu tenho a crença num futuro melhor!

E um bom começo é iniciarmos a mudança por nós mesmos, deixando de lado o famoso (e famigerado) “jeitinho brasileiro”, educando nossos filhos para agirem com ética, retidão e respeito ao próximo e às leis do país.

Cristiano Niz
Advogado


IMG_0882Foto: arquivo pessoal

 

O Brasil está num estado de letargia, literalmente parado, aguardando atento o funcionamento das nossas instituições.

Após a comprovação de que o dinheiro obtido através de corrupção foi usado na campanha presidencial, não há mais condições de a atual presidente se manter no cargo.

Há uma crise política e moral, e saber se a Justiça terá força para vencer esta disputa é fundamental para que os cidadãos tenham confiança.

Só com esta confiança renovada é que o país voltará a crescer e ter esperança no futuro.

Fernando Gonzaga Pinto
Empresário


P_20160413_094748Foto: jornal ACONTECEU

 

Pessoalmente sou a favor do impeachment, porque o governo não tem mais condições de governar o Brasil. Nós temos aumento de desemprego, inflação, recessão, empresas fechando as portas, empresas transferindo unidades para fora do Brasil. No ano passado, quase cem mil lojas do varejo fecharam. Não existe mais confiança no país. Os investidores não estão acreditando no Brasil. As agências de risco a cada vez diminuem as notas do país. O Brasil praticamente está virando uma piada internacional.

A nossa presidente não representa a classe produtiva do Brasil. Hoje o Brasil não tem um ambiente empresarial. Sou a favor pelo bem do Brasil. Se continuarmos com esse governo, o Brasil não vai se manter estagnado, mas vai cair cada vez mais. Quanto mais tempo perdermos com esse governo, mais demorada vai ser a retomada econômica do nosso país. Nós só regredimos, e para recuperar isso vai levar muito tempo.

A única forma de gerar empregos é através da criação de empresas, crescimento, e da forma que está não temos expectativa. Quanto antes se resolver essa situação política no Brasil, antes vamos nos recuperar.

Ingrid Eliane Hoch Ulbrich
Presidente da CDL São Mateus do Sul


DSC_0426Foto: jornal ACONTECEU

 

Com ou sem impeachment, o fato é que o poder público está utilizando aproximadamente 70% do dinheiro disponível ao crédito, restando a toda a iniciativa privada menos de um terço para o financiamento de todas as atividades produtivas. Atividades produtivas estas que são responsáveis pelo recolhimento de tributos que, por sua vez, são a origem dos recursos do poder público. Então, o poder público repassa quase que imediatamente em torno de 30% de tudo o que arrecada para as instituições financeiras, para pagamento de dívidas e seus altíssimos juros. É um círculo vicioso altamente destrutivo.

Em síntese, estamos diante de uma ingerência administrativa em praticamente todas as esferas públicas, e que são problemas muito mais graves do que se imagina. A substituição do comando no governo federal não é suficiente, assim como a sua simples permanência também não é! Necessitamos de profundas alterações em todo o sistema político, nos serviços públicos, no sistema tributário e econômico.

Penso que, qualquer que seja a direção a ser tomada, não teremos grandes alterações no quadro econômico atual. Estamos praticamente “à espera de um milagre”, mas não há nenhum “santo” no elenco capaz de o realizar!

Timóteo Klich
Contador


DSC_0451Foto: jornal ACONTECEU

 

Em relação à votação do impeachment da presidenta Dilma no dia 17 de abril de 2016, domingo, primeiramente há que se perguntar: por que no domingo? É para que seja transmitido no Programa Domingão do Faustão, consolidando assim o espetáculo midiático em que a Rede Globo de Televisão, em conluio com o juiz Sérgio Moro, transformou este momento tão grave da situação brasileira?

No caso de aprovação do impedimento: apenas declaro que “não vai ter golpe”!

No caso do não impedimento da presidente Dilma: Este é o cenário concreto. Impossível que dois terços dos deputados federais estejam a favor do golpe. Não há crime passível de impedimento!

O impedimento na comissão passou “raspando”, porque os deputados preferiram “empurrar” para a plenária esta importante decisão. Embora a proposta de impedimento nada tenha a ver com a Operação Lava Jato, todas as investigações devem e vão continuar, pois corruptos e corruptores devem pagar por seus crimes e devolver o que roubaram. No caso do impedimento, a corrupção “sumiria do Brasil”, pois os golpistas são os maiores envolvidos nela e não iriam querer continuar a ser investigados.

Investigações de corrupção avançaram justamente devido a medidas adotadas no governo Dilma. Ela não é corrupta.

Afastando-se o impedimento da presidente Dilma, ela terá vencido também o Terceiro Turno da Eleições 2014 e esperamos que os derrotados aceitem, e se quiserem colocar seus programas de governo que se candidatem e vençam as eleições 2018.

Finalmente, a presidente Dilma poderá governar e continuar avançando nos direitos sociais e dos trabalhadores, interrompidos com o inconformismo dos que perderam em 2014. Resgataremos a Petrobras, consolidaremos de vez a sustentabilidade da SIX, retomaremos os empregos e o Brasil continuará seu papel de protagonista econômico e social na América Latina e no mundo.

Deixem a mulher governar!

Rui Rossetim
Sindicalista, movimentos sociais


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