Em coletiva, prefeito fala sobre a “SIX dependência”

12 de fevereiro de 2016

Após retorno de Brasília, onde a crise da SIX foi discutida com o vice-presidente Michel Temer, Ledur foi questionado sobre a urgência de diversificar a economia local

 

DSC_0394Foto: jornal ACONTECEU

 

O prefeito de São Mateus do Sul, Clovis Ledur, convocou uma coletiva de imprensa, na quinta-feira (4), ocasião em que, junto com o vice Clóvis Distéfano, falou sobre a visita a Brasília realizada naquela semana, principalmente para buscar apoio a fim de evitar a desativação da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) da Petrobras em São Mateus do Sul. A visita rendeu uma reunião com o vice-presidente da República, Michel Temer, que teria se sensibilizado com a situação e iria agendar um novo encontro com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, e representantes da Petrobras.

Segundo Ledur, o olhar para o desempenho financeiro da SIX não tem sido favorável para a unidade, e nesse contexto, o fechamento seria interesse dos acionistas. Mas, para o encerramento das atividades, a Petrobras teria dificuldades até para arcar com os altos custos de desativação da mina e passivos ambientais. “Nossa missão é mostrar que a Petrobras aqui não é só a contabilidade final que apresenta nesse momento”, declarou Ledur, que acredita que o município poderia levar décadas para se recuperar sem a unidade. “Temos um contexto socioeconômico e uma história a defender e vamos fazer isso com todos os esforços necessários”.

 

Lastro

Uma aposta para reverter a situação da SIX em termos econômicos vem sendo trabalhada com apelo junto ao governo do Estado e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Aguarda-se a liberação de licença ambiental para ampliar a capacidade de processamento de lastro (recuperação da “borra” do petróleo para reaproveitamento) na unidade, o que poderia aumentar a viabilidade econômica da SIX. Segundo o vice-prefeito, a ampliação poderia gerar receita de mais R$ 70 milhões/ano e incremento real de mais de R$ 140 milhões para o Sistema Petrobras. “Com isso eu não tenho dúvida de que a Petrobras de São Mateus do Sul demonstrará a viabilidade também econômica”, destacou Distéfano.

 

Novos rumos

Questionado sobre a necessidade de trabalhar para ampliar a economia do município visando outras áreas de desenvolvimento que não a dependência quase que única da SIX, o prefeito respondeu estar havendo uma articulação que vai envolver diversos segmentos em prol de novas estratégias. “Nossa agenda para a semana seguinte ao Carnaval é irmos ao secretário de Estado de Planejamento, levarmos nossa sociedade civil organizada, e vamos ter que pensar São Mateus de outra forma”, comentou.

Ledur enfatizou a chegada do gasoduto à cidade — projeto de expansão da rede da Companhia Paranaense de Gás (Compagas) — que promete colaborar pela atração de novas empresas a partir da oferta de energia, e disse que, com mais esse episódio, o governo estadual garantiu esforço. “Nossa proposta, junto ao Silvio Barros, que nos ofertou a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e todos os seus doutores, é refletirmos, repensarmos junto com nossas entidades uma alternativa para o desenvolvimento local, para sairmos da ‘SIX dependência’”, relatou. “Não existe outra forma. Pode não demorar para enfrentarmos outra crise na SIX”.

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