ELEIÇÕES 2016: ACONTECEU entrevista Luiz Adyr

26 de setembro de 2016

Luiz Adyr Gonçalves Pereira encerra série de entrevistas com os candidatos a prefeito de São Mateus do Sul, apostando na experiência e trazendo no discurso o reequilíbrio das finanças municipais

 

dsc_0035Foto: jornal ACONTECEU 

 

Chegamos ao fim da série de entrevistas com os candidatos a prefeito de São Mateus do Sul recebendo Luiz Adyr (PSDB), que tenta o quarto mandato na Prefeitura. A entrevista foi realizada na quinta-feira (15), quando o candidato esteve na redação do ACONTECEU, acompanhado do companheiro de partido e seu braço direito, Oswaldo Jasinski.

Luiz Adyr Gonçalves Pereira, 62 anos, é casado, tem três filhos e é natural de São Mateus do Sul. Formado em Odontologia, foi vereador, presidente da Câmara e prefeito nas gestões 1997-2000, 2001-2004 e 2009-2012.

 

JA – Você vem criticando a administração atual em relação à gestão dos recursos, e para reafirmar isso, apresentando números que mostram crescimento da arrecadação do município. Este discurso de que a arrecadação está boa será mantida a partir de janeiro de 2017, se você for eleito, ou você alegará escassez de recursos e atribuirá as crises à administração anterior?

Luiz Adyr – É importante separar um pouco as coisas. Não digo que a arrecadação seja suficiente para atender todas as demandas. O município tem uma extensão muito grande, 40% da população morando no interior, e esse pessoal o município tem que procurar atender da melhor maneira possível. Sempre procurei levantar essa questão do aumento de receita porque eles estão querendo atribuir o insucesso deles na administração pública à queda na receita, quando foi bem comprovado que em 2012 a receita foi de R$ 62 milhões e em 2015 foi R$ 86 milhões, crescimento de 38% na arrecadação contra uma inflação de 24%. É um aumento significativo que cobriu toda a inflação e sobrou para investimento. Isso é importante deixar claro. Três motivos fizeram com que houvesse aumento da receita: primeiro os royalties, segundo que o Estado tomou medidas com aumento de alíquotas que ajudaram muito os municípios, e a população aumentou, aumentando também o FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. A arrecadação aumentou e vemos um número muito pequeno de obras.

 

JA – Você propõe estimular a ampliação da oferta de ensino superior. Mas quando prefeito, no final dos anos 1990, você quis acabar com o curso de Administração da UEPG na cidade. O que mudou?

Luiz Adyr – Não me recordo desse projeto. Desconheço isso. Acho que foi algo para mudar o curso, mas jamais tomaríamos uma atitude dessas. Não procede. Até nós sempre mantivemos um estreito relacionamento com UEPG, pagamos o transporte dos professores em dia, diárias religiosamente em dia, fomos conversar com reitor e conseguimos o curso de Ciências Contábeis. E vamos restabelecer contato com UEPG, pois estou sabendo que a turma está se formando e não vi nenhum movimento para que seja dada continuidade ao campus. Sendo vitorioso nesse pleito, imediatamente vou me dirigir até a universidade para que permaneçam aqui, pois sabemos da importância. E temos também a Uniuv. Vamos tentar estimular novos cursos aqui, que venham ao encontro dos anseios da população. Lembrando também que foi esforço nosso a escola do Senai, e é onde podemos conversar também, conforme demanda.

 

JA – Apesar da arrecadação, quando se fala em saúde pública os são-mateuenses ainda precisam se deslocar para outras cidades para atendimentos mais criteriosos, e não necessariamente grandes centros  – um exemplo é União da Vitória. Por que é difícil manter uma saúde de qualidade? Qual o segredo de uma cidade como essa para ter uma condição de saúde bem melhor do que a nossa?

Luiz Adyr – Lá é uma sede de microrregião, duas cidades juntas uma da outra. Cinco cidades que gravitam em torno de União da Vitória, tudo isso ajuda. E foram instalados ali vários núcleos de governo, o que acabou favorecendo essa região, inclusive na saúde. Nós temos aqui Antonio Olinto e São João do Triunfo conosco, população menor, e estamos mais perto de Curitiba. Agora sonhar, todos sonhamos, quem não quer que exista um hospital novo…

 

JA – Você considera que funcionaria um hospital como a gestão atual planejou?

Luiz Adyr – Eles queriam comprar em 2015 o hospital por R$ 6 milhões. E mesmo pegando mais de R$ 1milhão do Fundo de Previdência, R$ 1,6 milhão da Câmara, terminaram com déficit de mais de R$ 6 milhões. Então imagine se eles tivessem feito essa compra, não teriam condições. Para fazer isso primeiro tem que arrumar a situação orçamentária e financeira da Prefeitura. Após eleito, com certeza vamos telefonar para Ministério da Saúde, marcar audiência, até aproveitando que o ministro da Saúde é paranaense, Ricardo Barros, de um partido coligado conosco, e interceder para que haja essa reivindicação. Mas não é a Prefeitura que vai construir, vamos interceder e pedir que governo olhe com mais carinho para nós. É importante ressaltar que planejamos aumentar as equipes Estratégia Saúde da Família (ESF), pois com a cobertura maior o hospital pode se cadastrar no HospSUS e receber verba maior do Estado. Vamos permanecer com os médicos que estão atuando aqui, mas temos que fazer o cadastramento. Às vezes estão trabalhando, mas por falta de organização, não foi feito cadastramento para transformar isso numa equipe completa ESF, e o município está perdendo recursos por causa disso.

 

JA – Embora tenhamos grande potencial turístico (erva-mate, xisto, capital polonesa), essa é uma área pouco desenvolvida aqui, ao contrário de outros municípios pequenos que souberam aproveitar seus potenciais. Por que São Mateus ainda não saiu do embrião quando se fala em turismo?

Luiz Adyr – Não é porque não obtivemos sucesso em algumas coisas relacionadas no passado que não vamos ter para frente. Temos alguns objetivos. Queremos implantar um Parque Linear Canoas-Iguaçu, ligando ASPP [Associação dos Servidores Públicos do Paraná], Centro da Juventude, com a ciclovia que já existe, a estrutura do Ginásio Polacão, e podendo se dirigir até a Praça do Iguaçu, permitindo a pesca de lambari que as pessoas tanto apreciam, e depois ainda até a “prainha” às margens do Iguaçu, na Vila Amaral. Ainda temos que interagir com Conselho Municipal de Turismo e entidades representativas, e os próprios setores produtivos, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Associação Comercial, Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo, que podem dar sugestões. Também é importante reativar a Expomate e transformar em uma grande feira, porque acho que só uma feira de porte permite trazer pessoas que venham visitar o município, conhecer a cidade. Também queremos fazer uma campanha “Venha Morar em São Mateus do Sul”. Aproveitar os imóveis, o custo de vida, que baixou. São Mateus é uma cidade agradável para viver, com segurança. E com a própria Expomate, se transformando numa feira de eventos que traga visitantes, que olhem São Mateus com outros olhos. Além das campanhas natalinas, torneios de pesca que atraíam pessoas de fora no passado, e preservar áreas de interesse turístico.

 

JA – Esta campanha, que está em seu plano de governo, propõe mostrar os atrativos da cidade e como é bom morar aqui. Como corresponder a essa propaganda com o que os moradores precisam?

Luiz Adyr – Pode-se pensar que viver em Curitiba é estar perto de um bom atendimento de saúde, mas e o desgaste, o trânsito, a poluição, os índices de criminalidade? Aqui se tem uma qualidade de vida melhor. Nos outros mandatos procuramos estruturar melhor as unidades de saúde do município, onde estávamos muito mal estruturados. E fizemos muitas unidades de saúde na cidade e interior. E agora, já estruturados, podemos canalizar recursos da saúde para outras questões. Uma delas é o que falei sobre investir nas ESF, cadastrar e até conseguir recursos para o hospital, para melhorar a parte hospitalar também. Temos que melhorar, mas existe o algo a mais que compensa morar aqui.

 

JA – Estamos entre as 30 maiores produções agropecuárias do Paraná. O que fazer para desenvolver ainda mais nosso potencial?

Luiz Adyr – A primeira coisa é dar condições para que essas pessoas continuem morando no interior e produzindo, então devem ter estradas de qualidade. Segundo, em parceria com a Secretaria de Agricultura, nossos técnicos e Emater, passar cada vez mais conhecimento para essas pessoas. Um dos planos é criar uma premiação para os produtores, principalmente pequenos e médios, que aumentem produtividade, tenham menos perdas, através de conhecimentos que possam ter de tecnologia.

 

JA – Você se orgulha de ter adquirido o terreno do Distrito Industrial, mas depois essas empresas não tiveram muita infraestrutura de logística, e agora você fala em investimentos em geração de emprego e renda. O que você pensa sobre isso?

Luiz Adyr – O pessoal quer que asfalte todas aquelas vias, só que, se não fizemos esses asfaltamentos, outra infraestrutura foi dada para que essas empresas se instalassem. Só que se for ver a questão de pavimentar ruas, muitos bairros precisam. Como falei, a receita tem que ser muito bem administrada para ter o recurso, para contrapartida quando consegue financiamento, ou para quando vem emenda parlamentar individual. O dinheiro nunca foi suficiente para realizar tudo o que a cidade precisa. Mas a questão da infraestrutura da área industrial terá certamente atenção.

 

JA – Nosso centro demanda de uma grande revitalização por questões de mobilidade, acessibilidade, organização, tomando como exemplo do oposto, novamente, União da Vitória, por ser uma referência próxima. Porque é tão difícil obter um centro bem organizado?

Luiz Adyr – União da Vitória é 95% urbana, comércio forte, cinco cidades gravitando, e o prefeito não precisa se preocupar tanto com área rural. Mas São Mateus precisa que o interior seja forte, e por isso temos que investir recursos no interior. Mas não se pode deixar a cidade, é importante com certeza. Acho até que valia uma campanha sobre a responsabilidade dos passeios, que é dos proprietários. Muitas pessoas se confundem achando que é do poder público. E a Prefeitura tem que fiscalizar. Realmente tem que ser feita melhoria nos passeios, centro da cidade, e hoje também podemos buscar recursos para isso. A própria revitalização da Ulisses Faria, vamos buscar junto ao Paranaurbano, para que isso aconteça, e por que não na própria Ozy Mendonça? Mas é importante que as pessoas entendam da importância de dar atenção especial às pessoas do interior, principalmente nos dias de hoje, que fazem com que nosso município se torne forte. A agricultura tem um peso importante e pode ter ainda mais, principalmente se o Xisto Agrícola der certo, e esperamos que dê.

 

JA – O fomento à prática esportiva, que não restringe apenas ao futebol, e apoio aos talentos no esporte, terão espaço no seu governo?

Luiz Adyr – Quando falamos de esporte, é importante que poder público priorize investimentos de base, com as crianças. Estão em nossos projetos escolinhas, para todas as modalidades, treinamentos inclusive visando ensinar através do lúdico. Assim como garantir que os jovens tenham participação nos Jogos da Juventude, Jogos Abertos e total apoio aos Jogos Escolares. O esporte com certeza terá apoio muito grande. Como também o próprio esporte de laço, nos CTGs. Vemos o quanto é importante a criançada se direcionar para esse tipo de atividade.

 

JA – Algumas de suas propostas de governo destacam ações participativas com a comunidade e entidades de classe, convidando as pessoas para participar, mas você é conhecido e até criticado pelos seus opositores como um gestor muito centralizador. O Luiz Adyr de agora é diferente do Luiz Adyr das gestões anteriores?

Luiz Adyr – Sou a mesma pessoa, meu caráter continua o mesmo. Estou candidato porque entendo que é obrigação minha continuar colaborando com município. A questão de ser centralizador, discordo totalmente, para não falar a palavra ditador, que já usaram. Fui eleito pelo voto e sempre procurei conversar, reunir-me com os secretários, nunca fui contra o parecer de um procurador, sempre ouvi a opinião do povo para errar o mínimo possível, agora, não se pode confundir firmeza de opinião na decisão, com ser ditador, e também não se pode mentir para o povo. Quando precisei dizer não, disse não, e quando foi para dizer sim, disse sim, e sempre procurei cumprir a minha palavra, e utilizar os recursos públicos em favor da maioria. Então eu não me tacho de ditador. Agora, que eu fico de olho nas coisas, eu costumo fazer. Sete horas da manhã eu estava no pátio de máquinas, depois ia nas diversas secretarias ver o que precisava, no gabinete procurava atender as pessoas, procuro estar atento ao andamento da administração pública. Esse é um rótulo que os meus adversários tentam colocar. Mas não se pode dizer que é ditador quando se utilizam recursos públicos da melhor forma possível. Quantas unidades de saúde, quantas creches, quantos terrenos adquiridos nas nossas gestões? Procurando distribuição das verbas públicas pelos diversos bairros e pelo interior também, fazendo com que haja atendimento de modo geral. Seria ditador se canalizasse recursos só para um determinado segmento da sociedade. Até uma das coisas que quero criar é o Conselho de Desenvolvimento Econômico, onde vamos precisar que entidades participativas, segmentos organizados, participem ativamente. Visitamos Maringá, conhecendo uma administração diferente, o Conselho de lá, e com certeza são ideias que queremos trazer para o nosso mandato. O próprio Observatório Social é muito importante, pois a sociedade tem que fiscalizar o poder público. Não vai atrapalhar, vai ajudar. Conclamo a sociedade que se organize e passe a fiscalizar melhor as ações do poder público.

 

JA – Em seus 12 anos de administração municipal, houve muitos acertos e muitos erros. O que hoje você assume que errou, que agora faria diferente?

Luiz Adyr – Eu penso que eu vou fazer aquilo que eu sempre procurei orientar, porque ao administrar um município, a primeira coisa a ter em mente é que se não cuidar de receitas e despesas, não se chega a lugar nenhum. A questão da própria folha de pagamento, por exemplo. Estudos mostram que para ter bons recursos para investimentos a folha tem que ter um patamar da ordem de 40%. Então falhas podem até existir, mas temos que ordenar as coisas de modo que haja equilíbrio. E isso eu acredito que sempre fiz e vou seguir da mesma maneira.

 

JA – E qual seria o seu erro? Ou você acha que não errou?

Luiz Adyr – Isso quem vai julgar é o povo. Deixo para o povo, porque se o povo me eleger novamente, ele entendeu que procuramos fazer uma administração voltada para os interesses da população. Estou me submetendo à vontade popular.

 

JA – Qual é a sua principal promessa de campanha? Seu principal objetivo?

Luiz Adyr – Penso no que está ruim: o desequilíbrio financeiro. Então minha principal promessa é a recuperação das finanças. Ela deverá ser buscada e mantida como condição prioritária e prévia para o adequado cumprimento das responsabilidades e encargos da Prefeitura. O orçamento próprio deverá prever recursos destinados às contrapartidas e investimentos necessários, como inclusive a implantação de infraestrutura para novos conjuntos habitacionais, incentivos para instalação de indústrias, compras de terrenos e outras coisas. E a própria melhoria da saúde, que tanto discutimos, que é tão importante para a população, e para atrair novos moradores.

 

JA – Fique à vontade para suas considerações finais.

Luiz Adyr – Primeiro quero agradecer pela oportunidade da entrevista, é importante para todos os candidatos, para a democracia. E gostaria de dizer à população que não é pelo fato de que fomos eleitos já por três vezes, que vamos nos acomodar. Muito pelo contrário. Vamos utilizar nosso conhecimento e experiência adquirida em benefício do nosso município, buscando o desenvolvimento e bem estar da população, porque se queremos um município melhor, devemos estar dispostos a participar e fazer a nossa parte.

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