ELEIÇÕES 2016: ACONTECEU entrevista Francisco Luiz Ulbrich

02 de setembro de 2016

Francisco Luiz Ulbrich, o Tiquinho, é o entrevistado da semana na série com os candidatos a prefeito de São Mateus do Sul, comentando sua intenção de retornar à Prefeitura após oito anos

 

DSC_9480Foto: jornal ACONTECEU

 

O jornal ACONTECEU dá sequência à série de entrevistas com os candidatos a prefeito de São Mateus do Sul. Depois da conversa com o candidato Clóvis Distéfano (PSC) na semana passada, por ordem alfabética, o convidado da vez foi Francisco Luiz Ulbrich, o Tiquinho (PMDB), da coligação Por um amanhã melhor. Ele esteve na redação do ACONTECEU na terça-feira (30), acompanhado do candidato a vice-prefeito Adão Staniszewski (PMDB)

Francisco Luiz Ulbrich, 69 anos, é empresário, casado e natural de São Mateus do Sul. Foi prefeito da cidade no período de 2005 a 2008.

 

JA – Por que você não tentou a reeleição em 2008?

Tiquinho – Sempre fui contra a reeleição. Acho que reeleição não traz progresso nem para o município, nem para o estado e nem para o país, tanto é verdade que nós estamos presenciando em nosso país as consequências da reeleição. E como eu sempre fui contra, é evidente que não poderia sair.

 

JA – E se candidatar novamente ao cargo após oito anos não seria como uma reeleição?

Tiquinho – Eu acho que não, porque acredito que é necessário dar oportunidade para outras pessoas desenvolverem um trabalho, e você também tem um tempo de descanso, quando você pode analisar aquilo que você fez, aquilo que o outro fez, e melhorar as duas coisas.

 

JA – Você abre seu plano de governo falando em descentralização do poder, inclusive com a criação de subprefeituras. Na sua primeira gestão, criticava-se que “todos mandavam”, e que você era o que “menos mandava”. O que você pensa disso?

Tiquinho – Antes de responder, quero deixar claro que o secretário é uma pessoa de inteira confiabilidade. Evidente que muitos não cumpriram com suas obrigações. Eu pequei, eu errei, porque a gente confiou, e tem que confiar, porque o prefeito não consegue fazer sozinho. Mas quando nós pegamos a Prefeitura, infelizmente em um estado caótico, equipamentos todos detonados, levamos dois anos para recuperar todo esse maquinário, e quatro anos é um período muito curto para desenvolver todo o trabalho que o município precisa, principalmente no caso de São Mateus, que estava parado há muitos anos no tempo. Foi difícil fazer uma série de investimentos, que ainda conseguimos junto ao governo. Mas nosso município é muito extenso. Mais de 5 mil quilômetros de estradas rurais, fora as vicinais e estradas de lavoura, e é humanamente impossível manter todas essas estradas em perfeitas condições para atender a demanda, ou atender quem trabalha lá, principalmente os agricultores, que temos que olhar com muito carinho, porque são a causa de estarmos ainda hoje em pé nesse país. E como o município é grande e visto as dificuldades imensas, pretendemos constituir três subprefeituras com equipamentos e uma pessoa responsável, para fazer as reuniões com o prefeito, vice e resolver o trabalho daquelas regiões, com equipamentos exclusivamente nessas regiões. Devemos adquirir um britador móvel, e assim poderemos melhorar as estradas. Uma solução para resolver definitivamente esse problema no município.

 

JA – No passado você teve mais condições de trabalhar a questão de cursos superiores, tendo em vista a situação econômica atual. O que leva a crer que agora será possível fazer mais?

Tiquinho – Quando nós estávamos na Prefeitura, criamos a Associação dos Estudantes. Na época eram 500 ou 600 estudantes que estudavam fora, então fizemos essa parceria para poder ajudá-los no transporte até as universidades. E como São Mateus nunca teve uma infraestrutura adequada, não só para educação como para implantação de novas empresas, nós sentimos, quando eu assumi, que não tínhamos nem uma rede de esgoto, hospital adequado, casa popular, e muito menos cursos adequados. Então, pensando no futuro, nós fizemos um contato com a Uniuv, onde Prefeitura cedeu uma área de dois alqueires. E é claro que hoje nós iremos atrás de novas universidades, fazendo a mesma parceria que fizemos, com faculdades estaduais, para poder fazer com que os jovens fiquem em São Mateus, não precisem se deslocar para outras cidades, até pela questão do custo ou mesmo o risco das estradas. Vamos correr muito atrás disso.

 

JA – Você declara interesse na valorização da cultura. No país, havendo dificuldades financeiras, historicamente a cultura é a primeira área a sofrer cortes. Como você garante manter suas propostas?

Tiquinho – A cultura faz parte do aprendizado do ser humano. Sem cultura não somos nada. E quando estávamos na Prefeitura, queríamos construir um centro cultural, para eventos, para que o jovem pudesse utilizar. Tivemos projetos com o Ministério da Cultura. Tem um projeto, que deve estar ainda na Prefeitura, mas do qual não foi possível conseguir os recursos, para construir um centro cultural onde hoje é a Praça do Carvalho. Isso é o meu sonho, para poder alavancar a cultura em São Mateus. E naquela região seria interessante, até para agregar, centralizar.

 

JA – Centralizar não iria na contramão do que muitos municípios parecidos com São Mateus do Sul fazem atualmente, de justamente tentar descentralizar a cidade, melhorando o fluxo e valorizando outras regiões?

Tiquinho – Isso depende de um estudo. Acho que é algo bom para desenvolver o município, crescer e até valorizar imóveis. Falei de instalar o centro cultural naquele local pensando em utilizar a mesma estrutura para instalar secretarias municipais na parte superior. Ali, a intensão ainda é aproveitar o espaço ocioso. Mas descentralizar é uma ideia excelente e temos que começar a investir, inclusive pensando seriamente em tirar a delegacia do centro.

 

JA – Em segurança e trânsito, você resume suas propostas somente à ampliação das câmeras de monitoramento e da linha de transporte público. Para você, isso é suficiente para resolver os problemas dessas áreas?

Tiquinho – A questão de segurança é muito complexa porque na verdade o município não tem tanto poder sobre segurança. É de competência do Estado. Para ter, o município tinha que criar uma guarda municipal. Eu estive, quando prefeito, em Foz do Iguaçu, conhecendo a Guarda Municipal de lá, e pensei em implantar isso aqui, mas o custo é muito alto para manter, apesar de ser algo excelente. É preciso estar em contato com a Secretaria de Estado para ampliar o quadro da nossa Polícia Militar, e implantar as câmeras em outros pontos do município.

 

JA – Em relação à infraestrutura, seu plano de governo não está claro. O que você teria a oferecer?

Tiquinho – Nós pretendemos implantar uma usina de asfalto em São Mateus para pode pavimentar todas as nossas vias, inclusive, se for possível, algumas vias no interior. Se tratando do quadro urbano, com essa usina teremos condição de dar uma infraestrutura melhor, claro, com rede de esgoto, manilhamento, todo o necessário, com custo menor. Porque hoje ou você consegue recurso a fundo perdido da esfera federal, o que não é muito, ou sob financiamento com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu), que torna-se caríssimo para o contribuinte, para o proprietário beneficiado pela obra. Sempre fui contra a cobrança de contribuição de melhoria, porque a lei é muito complexa, e dependendo da forma como aplicada no edital, não se pode cobrar do contribuinte. São coisas que eu estudei muito a respeito diante dos problemas que houve com São Mateus na execução da contribuição de melhoria de certas ruas. Particularmente, não cobrei de ninguém. Mesmo a lei em certos casos determinando e obrigando, mesmo correndo risco, vou tentar não cobrar, até porque acho uma injustiça, pagando imposto. E com essa usina, cujo estudo fiz já na primeira gestão, no fim do mandato, juntamente com a Petrobras, vejo um caminho para poder conseguir pavimentar a um custo muito menor. E também aplicando a rede de esgoto, que conseguimos na minha gestão junto com Região, e que é obra que nenhum prefeito acha que deve ser feita porque é uma obra que não aparece, mas que é fundamental para a saúde pública.

 

JA – Seu plano de governo é bastante enxuto. Na agricultura, por exemplo, fala apenas da erva-mate e Xisto Agrícola. É só isso que o agricultor pode esperar?

Tiquinho – A agricultura aqui é bem diversificada. Colocamos a erva-mate e o projeto Xisto Agrícola porque é um produto que pode dar maior competitividade. Nossa secretaria existirá para dar suporte maior com um secretário qualificado nessa área, para poder orientar, dar toda a estrutura que o agricultor, principalmente que o pequeno agricultor, precisa. É claro, com isso queremos implantar essas subprefeituras, para poder dar condição melhor nas estradas. Então queremos dar toda condição ao agricultor para que ele possa plantar, colher e possa desenvolver sua agricultura junto com uma secretaria adequada.

 

JA – Nas reuniões do Xisto Agrícola, do Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo (NDE), você não esteve presente?

Tiquinho – Estive presente em reunião aqui [na cidade], mas nas reuniões em Curitiba, e mesmo na visita à Maringá, não fui convidado, não fiquei sabendo.

 

JA – Você propõe a construção de um hospital municipal. Como acredita que seria viável?

Tiquinho – Eu me inteirei bem desta situação, pois quando fui prefeito, não tinha nem anestesista, implantei plantão 24 horas, então acho que na saúde fiz um trabalho, não com tudo que necessita, mas perto do essencial. Contratamos bons médicos, as cirurgias mais complexas mandamos para o Hospital Angelina Caron, onde firmamos um convênio, e UTI à disposição, o que posteriormente o prefeito que me sucedeu extinguiu. Quanto a um hospital, também estávamos em conversação com a Petrobras e governo do Estado para construir um hospital regional. Vieram médicos e fizemos reuniões. Inclusive o terreno onde o Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes hoje comprou era o ideal. Na situação como a Prefeitura quer hoje eu fui extremamente contra, porque a Prefeitura iria pagar um valor exorbitante por um prédio que não tem como ampliar, porque é antiguíssimo, não tem nem viga. Se desmontar uma parede, cai o resto. E o Hospital, com esse dinheiro jamais iria construir um novo espaço sem ajuda de empresários, do povo, porque o governo não pode investir em coisa particular. Aí é que vem a minha ação. Eu pretendo não construir tudo, mas iniciar a construção do hospital municipal, porque aí eu tenho como fazer, com recursos próprios, do Estado, do governo federal. Sei que é uma obra ousada, que vai levar muito tempo, diante da situação que se encontra hoje o nosso país. Pode até ser que levemos sorte de conseguir algum recurso e fazer em quatro anos, mas não penso que vamos concluir nesse tempo. É algo para iniciar para o futuro. Qualquer planejamento, investimento, tem que ser pensando lá adiante, pois São Mateus vai crescer e precisamos ter vida própria. Conhecemos histórias de que nenhum município quer ter um hospital porque não aguenta, mas a construção aqui seria para depois terceirizar o serviço, para poder atender com qualidade. Não vejo de outra forma. Alguém tem que fazer alguma coisa. Acho que o município tem condição, nem que leve quatro, seis, oito anos, porque se eu for prefeito e iniciar, forçosamente faz com que o outro dê continuidade, e a própria população vai cobrar. Alguém tem que dar o pontapé inicial.

 

JA – Qual é a sua principal promessa de campanha? Seu objetivo?

Tiquinho – Eu penso muito no crescimento e luto para que município se desenvolva para que tenhamos uma vida digna e melhor, mas para que isso venha a acontecer, meu empenho, além da saúde, é na geração de empregos. Acho que é fundamental. Vemos mais de 12 milhões de desempregados no país, é uma coisa triste. Somos empresários com uma noção administrativa, e temos que procurar de todas as formas, primeiro adquirir outra área industrial, já que a nossa já não comporta mais, e trazer novas empresas para gerar mais empregos.

 

JA – Na época da sua gestão, o ACONTECEU fez algumas matérias sobre a qualidade da infraestrutura do distrito industrial, crítica de muitos empresários de lá. Seu comentário não contrapõe um pouco com esse incentivo que era dado para esses empresários?

Tiquinho – Quando eu assumi não havia nem rua, nem energia elétrica, infraestrutura nenhuma lá. Na minha gestão foi colocada energia elétrica, demos infraestrutura à instalação da Microxisto. Agora vamos procurar um ponto logístico.

 

JA – O que você considera que pode trazer de diferente em relação à sua primeira gestão?

Tiquinho – Quando você assume pela primeira vez um órgão público, mesmo tendo uma experiência na área administrativa, empresarial, ali o mundo é diferente. Administração pública é muito complexa, é extensa, muito diversificada, então mesmo tendo conhecimento às vezes você peca, erra em certas coisas, pois você depende muito de um terceiro para te ajudar e às vezes esse terceiro não tem condição de ajudar. Por isso, como falei, eu pequei, mas hoje tenho pleno conhecimento para colocar pessoas extremamente capacitadas em cada área. Por isso, torna-se mais fácil hoje eu administrar o município. Se eu chegar lá amanhã eu sei como fazer, já tenho uma experiência. A gente já acertou muito e já errou bastante, então vamos consertar, corrigir esses erros. Portanto, para mim acho que torna-se bem mais fácil hoje administrar do que da primeira vez.

 

JA – Fique à vontade para fazer suas considerações finais.

Tiquinho – Espero que o povo de São Mateus, de um modo geral, acredite nisso que nós estamos expondo, porque é uma coisa feita com base na realidade. Não é sonho, não é fantasia, e não são promessas infundadas. Peço que acreditem, pois queremos administrar junto com o povo, ouvi-lo, para que possamos fazer um trabalho bom para todo mundo, daquilo que o povo realmente precisa e quer.

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