ELEIÇÕES 2016: ACONTECEU entrevista Clóvis Distéfano

26 de agosto de 2016

Clóvis Distéfano abre série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura de São Mateus do Sul, falando sobre o que tem a propor indo do cargo de vice na atual gestão para tentar ser prefeito da próxima

 

DSC_9238Foto: jornal ACONTECEU

 

Esta semana, o jornal ACONTECEU dá início à publicação de uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de São Mateus do Sul, que concorrem nas eleições de outubro deste ano. Por ordem alfabética, o primeiro convidado foi Clóvis Distéfano (PSC), da coligação Caminhando Juntos, que esteve na redação na última terça-feira (23) acompanhado do candidato a vice-prefeito, Enéas Melnisk (PPS).

Clóvis José Gugelmin Distéfano, 49 anos, advogado, é natural de São Mateus do Sul, casado e tem dois filhos. Entrou na administração municipal em 2013, como vice-prefeito, ao lado de Clovis Ledur (PT), que optou por não se candidatar à reeleição.

 

jornal ACONTECEU (JA) – Você é candidato da situação?

Clóvis Distéfano – Sou candidato com uma proposta nova. É evidente que no momento sou vice do Ledur e apoiado por ele. Estou vice-prefeito, mas agora trago uma proposta totalmente diferente. Acho que no governo Ledur foram priorizadas algumas áreas, como saúde, educação, assistência social, e muitas de suas conquistas têm que continuar. Qualquer prefeito que entrar tem que dar continuidade a boas ideias, bons projetos. Mas algumas coisas que estiverem erradas, temos que corrigir.

 

JA – Ledur sempre enfatizou que seu projeto de governo não era para quatro, mas para oito anos. E agora, nessa brevidade do mandato dele, você diz que tem um projeto novo. Você não vai ser a continuidade do projeto dele?

Clóvis Distéfano – Não. Nossa proposta é diferente do projeto Ledur. Eu tenho minhas propostas, minhas ideias são diferentes. A partir do momento que ele deixou de ser candidato a reeleição, uma situação em que eu manteria com certeza a fidelidade a ele, abriu-se a oportunidade de eu apresentar esse novo projeto, próprio, que não se confunde com o projeto de 2012. Embora eu tenha interesse em manter alguns bons projetos que foram realizados, é uma ideia nova para São Mateus do Sul. Uma ideia focada em outras áreas nas quais a gestão atual realmente deixou a desejar.

 

JA – Quando um candidato desiste da reeleição, no caso do atual prefeito, há de se convir que ele analisou que o contexto político não era tão favorável neste momento para ele, ou você acha que ele deixou de ser candidato e está te apoiando porque ele tem um projeto diferente?

Clóvis Distéfano – Essa é uma pergunta que deve ser feita para ele. Eu não sei os seus reais interesses.

 

JA – O que você mais se orgulha desta gestão que você participou? 

Clóvis Distéfano – Duas grandes alegrias foram a melhora na saúde e na educação. Na saúde hoje temos à disposição UTI no momento em que precisar, em Campo Largo. No passado eram três, quatro dias à espera na famosa central de leitos. Hoje nós temos quatro ambulâncias e uma UTI móvel à disposição da população. Os médicos, do Programa Mais Médicos, deram mais qualidade de vida, assistindo muitas comunidades. E na educação também. Material didático, uniforme escolar, treinamento contínuo aos professores, valorização dos professores com pagamento de salários de acordo com o piso nacional. Corrigimos todas aquelas dívidas que ficaram com os professores. Não tenho dúvida que melhorou significativamente.

 

JA – Você falou em educação. Como ficou a questão da promessa da educação em período integral?

Clóvis Distéfano – Hoje temos quatro escolas funcionando em tempo integral, de 24 escolas e Cmeis. Não foi atingido mais porque muitas escolas trabalham em regime de dualidade com o Estado. Em um turno funciona a escola municipal, e no outro turno a estadual, em várias escolas. Para isso, nosso plano de governo coloca a construção de novas escolas para conseguir compreender essa demanda em período integral. É uma busca incessante.

 

JA – E qual foi a sua maior frustração nesse período?

Clóvis Distéfano – A maior frustração é não conseguir atender principalmente a infraestrutura urbana, devido à diminuição de receita. Mesmo assim, nós temos cadastrados R$ 6,5 milhões no governo atual em infraestrutura. R$ 2,5 milhões para canalização Rio Canoas e mais R$ 4 milhões em asfaltamentos, além do projeto de revitalização da Rua Ulisses Faria, mais R$ 2 milhões. Temos projetos prontos, e que vão ter continuidade. Outra coisa que faltou foi pavimentar mais na Vila Amaral, Vila Verde, Jardim Santa Cruz. Por falta de receita. Nós tentamos. Isso foi muito triste. Entramos em 2013 com um projeto de R$ 16 milhões em infraestrutura, e isso estava caminhando. E em função de problemas contábeis em 2013, reflexo de 2012, não foi aprovado o empréstimo. Então acho que a maior frustração é a questão de urbanização. E é o nosso foco agora.

 

JA – Em seu plano de governo, você fala sobre dar continuidade ao diálogo sobre o novo hospital, que foi um marco da campanha anterior e seria para a gestão, mas que não saiu do papel. O que pode haver de diferente agora?

Clóvis Distéfano – O hospital não saiu nesta gestão, ainda lá em 2014, por questão política. Esse foi o problema. Foram divergências políticas. Tivemos um projeto que entendo como muito bem desenhado, uma ideia bem sacada. A venda do terreno do Lar São Mateus, a compra do prédio do hospital pela Prefeitura, e com esse dinheiro a entidade poder construir sua nova estrutura. Mas houve uma denúncia anônima dizendo que o valor de compra estava muito alto. O Ministério Público foi atrás, fez nova avaliação, passou pelo colegiado deles, e esse processo ficou em análise até a metade deste ano. Há um mês e meio, ele foi devolvido para dar continuidade. Mas agora não tem como, com a situação de hoje do município, do país. Nesse cenário não tem como. Mas não dá para perder de vista as negociações e esse modelo. Além do que o hospital já comprou o terreno. Agora é edificação. Acho que essa seria sim uma possibilidade muito grande nessa próxima gestão, desde que, lógico, conversada com todos. Penso que esse formato é muito bom. Ainda tendo em vista que comprando o prédio atual, levamos para lá muita estrutura, acabando com os R$ 15 mil ou R$ 20 mil que a Prefeitura gasta por mês em aluguéis atualmente.

 

JA – Além do hospital, existem outros projetos importantes para o município, como a expansão do gasoduto da Compagas até São Mateus, o Xisto Agrícola, além da carência de cursos superiores. A população pode acreditar que haverá empenho por essas demandas?

Clóvis Distéfano – Sobre o gasoduto. Estamos insistindo nisso, inclusive o deputado estadual Hussein Bakri está trabalhado conosco, porque entendemos que tendo a oferecer uma matriz energética mais barata, no caso, o gás, conseguimos trazer mais indústrias. Isso já foi amplamente conversado com várias empresas. Mas também tem outras questões que bloqueiam a vinda de indústrias. A própria BR 476 que precisa de duplicação, afinal, as indústrias querem boas estradas para escoar a produção. Mas o próximo gestor tem que insistir no gasoduto com certeza, para que o estado invista. A Incepa iria instalar uma nova unidade em São Mateus, há cerca de três anos, e instalou em Campo Largo em função do gás. Se tivéssemos o gasoduto já aqui, teríamos uma nova planta da Incepa gerando empregos.

Sobre o projeto Xisto Agrícola, estamos totalmente envolvidos, em conversas com o IAP, governo do Estado, e temos apoio. Só que tem sempre algumas questões, cuidados que IAP está tomando pra evitar uma situação que possa ser nociva. Mas estamos articulando para fazer com que isso aconteça o mais rápido possível. Já temos duas empresas que querem se instalar aqui, havendo a liberação dos finos do xisto, do xisto retortado, do calcário de xisto. Querem investir em São Mateus.

Em relação aos cursos universitários, houve uma reunião recente com a Uniuv justamente buscando a implantação de novos cursos, até porque a Uniuv tem obrigação contratual com a cidade de ampliação da oferta de cursos, sob pena de devolução do terreno. Mas é importante também ressaltar que não adianta querermos um polo educacional em São Mateus agora. Isso foi um time perdido lá em 2008, 2009, quando Irati, União da Vitória e Canoinhas foram atrás e nós ficamos parados, esperando, sem fazer nada. Estamos correndo atrás, não deixamos fechar UEPG aqui, municipalizamos o polo de ensino à distância, que pode receber mais cursos. E com a Uniuv estamos cobrando severamente, e por cursos direcionados à nossa vocação.

 

JA – A implantação do estacionamento regulamentado, o Estar, também era um projeto da atual gestão e agora está em seu plano de governo…

Clóvis Distéfano – É fundamental que o Estar seja implantado. O Estar e a mudança de estrutura viária do centro de São Mateus do Sul. No início do ano que vem, se formos eleitos, já tem que ser implantado. Não dá pra conviver mais com essa falta de vagas. A lei está aprovada, caminhou, mas a licitação foi deserta. Nenhuma empresa quis porque na Câmara houve vereador que se colocou contrário a algumas questões, em relação a ter de haver tempo de tolerância sem cobrança, e também no horário do almoço, e com isso nenhuma empresa se interessou, inviabilizou o projeto. O desafio é político, questão de pessoas, de se chegar a um consenso. Aí, é importante envolver a comunidade, chamar para o debate.

 

JA – Você vem de uma família com bases políticas, sua formação é em Direito, mas qual a sua experiência em gestão municipal? Você considera que tem bons relacionamentos que beneficiem a cidade? Sente-se capaz de administrar um município como São Mateus do Sul?

Clóvis Distéfano – Sinto-me extremamente capaz. Também com a parceria com o vice Enéas, que conhece muito as finanças públicas, foi secretário, tem um conhecimento profundo nessa área. Apesar de eu não ter ocupado um cargo de secretário, acompanhei a gestão Ledur, e me sinto preparado. Tenho conhecimento da marca administrativa, da Prefeitura de São Mateus do Sul, dos seus desafios. Temos uma parceria muito boa com Hussein Bakri, e ele tem uma ligação forte com o governo do Estado. Temos também uma boa relação com Ratinho Junior, que pretende se candidatar a governador. Com a União, também temos uma boa relação com os deputados federais Sandro Alex, Nelson Padovani, extremamente ativos e que representam nossa região, além do Takayama, que também nos ajudou muito e já deixou a porta aberta para nós em Brasília. Acredito que nós temos o relacionamento político mais afinado.

 

JA – Existe agora o Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo (NDE), grupo apolítico que tem se reunido para pensar no desenvolvimento da cidade, e que está preparando um documento do que imagina para o futuro de São Mateus. Esse núcleo será ouvido, terá voz ativa para dialogar no seu plano?

Clóvis Distéfano – Já está no plano de governo, inclusive. Fiz parte de caravana do grupo que foi até Maringá conhecer o trabalho que é realizado lá, e gostei demais da forma que é feito o relacionamento naquela cidade. Entendo que o núcleo é fundamental para nos auxiliar a ter uma visão macro de São Mateus do Sul. Também estamos trabalhando com a Agência de Desenvolvimento do Paraná, que permite não só estudo da vocação do município, mas das necessidades das empresas para se instalar. Essa agência faz a ligação dos investidores com os municípios e isso vai ser tratado também com o NDE. Quero ouvi-lo. Vou trabalhar junto ao NDE, ACIASMS, CDL e todas as organizações. Sabemos o quanto é importante ter a participação dos agentes para o desenvolvimento.

 

JA – Qual a sua principal promessa de campanha? Seu objetivo?

Clóvis Distéfano – São vários objetivos. Penso em continuar a atenção especial com educação e saúde, porém, focar muito na questão do urbanismo. Recuperando pavimentações, projetando um novo traçado para o centro. Queremos dar atenção especial à cidade, dar uma nova cara para São Mateus.

 

JA – Fique à vontade para fazer suas considerações finais.

Clóvis Distéfano – Acho importante colocar também nossa preocupação com o interior, que foi pouco explorado em nossa conversa. Projetos voltados para uma das grandes forças econômicas do nosso município, que é a agricultura. Temos que tratar com carinho das estradas municipais. Nesse governo já foi renovada a frota de caminhões e adquirida uma carreta duas ou três vezes maior do que um caminhão normal, permitindo fazer a estocagem de pedras em pontos estratégicos para melhoria das estradas, uma vez que sentimos dificuldade em função do tamanho do município. Nosso problema hoje não é patrola. O problema é material, pedra, e queremos ainda adquirir pelo menos um britador móvel.

Vamos trabalhar dessa forma. Fazer São Mateus continuar sorrindo feliz e não voltar a uma ditadura.

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