Abrindo as portas para atitudes excepcionais

05 de setembro de 2014

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla acende atenção para inclusão: é hora de ampliar oportunidades e diminuir diferenças

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Dizem que ser excepcional é ser diferente, raro, fora do comum, mas os dicionários não resumem o adjetivo necessariamente como sinônimo de algo ruim. Einstein era excepcional porque era genial. Pelé é considerado o rei do futebol pelo seu talento excepcional com a bola nos pés. E 45,6 milhões de brasileiros que apresentam algum tipo de deficiência não são excepcionais somente por sua condição física ou mental — podem ser considerados excepcionais pelos degraus que sobem a cada dia rumo ao seu desenvolvimento e seu lugar na sociedade.

A Escola de Educação Básica 21 de Outubro atualmente recebe 122 alunos, e é uma das 2.130 sedes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) espalhadas pelo Brasil, com o propósito de lutar pela garantia dos direitos da pessoa com deficiência, proporcionando melhores condições de educação, saúde, assistência social e educação para o trabalho, na perspectiva de sua inclusão na sociedade em que vive. Nesse parâmetro, oferece educação especial nas modalidades de educação infantil (0 a 3 anos), pré-escolar (4 a 5 anos), ensino fundamental (6 a 14 anos) e educação de jovens e adultos, com oficinas protegidas, contando com 53 funcionários — o que inclui profissionais especializados em fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, assistência social, terapia ocupacional, nutrição e psiquiatria. “O aluno tem assistência desde pequeno. Os jovens participam de oficinas variadas e, mediante suas condições, são inseridos na escola regular e até no mercado de trabalho”, conta a diretora Ieda Maciel Rosa Ballin. É uma gama de ações que muita gente acaba nem se dando conta, distante pela natural barreira ainda existente entre a sociedade e muitos excepcionais. “O caminho é observar seu desenvolvimento e inseri-los em novas atividades se observarmos essa condição. Mas eles sempre têm o suporte necessário”.

Tentando superar as diferenças e promover a inclusão, a Apae Brasil todo ano promove a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Mútipla, que este ano ocorreu na semana passada e trabalhou o lema “Construindo uma história de igualdade e de oportunidades para todos”. Em São Mateus, a Semana incluiu uma série de atividades que interagiu alunos com a sociedade, a partir de apresentações artísticas e partidas de futebol, e estimulou os excepcionais a incluírem-se em atividades, a um primeiro olhar corriqueiras, mas que valorizam o lugar dos alunos dentro da comunidade. “Um certo dia, levamos os alunos para tomar um sorvete, e, para eles, foi uma alegria sem tamanho. Algo que nós vemos como uma atividade comum”, revela Ieda. Além do bem para eles, a interação promove ganho para cada um, que aprende a valorizar as pequenas vitórias e prazeres da vida. “Para quem está na Apae, o mínimo progresso faz uma grande diferença. O fato de vermos um aluno com grandes problemas físicos conseguir se sentar, fazer um novo movimento, é uma vitória. Vemos assim que cada estímulo faz a diferença”.

Inseridos no mercado de trabalho

 

Segundo a publicação Retratos da Deficiência no Brasil, mais de 50% dos portadores de deficiência do país são inativos, ou seja, não exercem nenhuma atividade profissional, e a atitude de mantê-los excluídos da sociedade, ainda muito presente nos dias de hoje, se reverte aos poucos, com um empurrão da lei e de pequenas mudanças de consciência da sociedade. Em São Mateus do Sul, quatro alunos da Apae atualmente estão inseridos no mercado de trabalho, acolhidos por grandes empresas e órgãos públicos. É o caso de Janete Ivani de Paulo Oliveira e Ari Pinheiro, que trabalham na rede de supermercados TodoDia praticamente desde que a filial são-mateuense inaugurou. “Vou para a escola (Apae) de manhã, e à tarde venho para o trabalho, e isso já faz algum tempo”, conta Ari. Enquanto Janete carrega a responsabilidade do setor hortifruti, Ari é repositor de mercadorias. “Gostamos muito daqui”, resumem, visivelmente alegres, quando questionados.

Para a Apae, as empresas que contratam mão de obra de pessoas com deficiência oportunizam a inclusão social desses trabalhadores, além de promover aprendizado, respeito e certa independência financeira.

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Fotos: Apae/jornal ACONTECEU

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