Jovens talentos buscam espaço no competitivo mundo do esporte

21 de agosto de 2015

Sem tanta tradição no incentivo ao esporte, cidade é berço de muitos talentos que almejam um lugar nos grandes clubes

 

11055303_504756786358291_8813638529026995131_o Fotos: Arquivo pessoal dos entrevistados

 

O desempenho da equipe são-mateuense de futsal nos Jogos Abertos do Paraná (JAPs) chamou a atenção para o potencial dos atletas locais para brilhar no esporte. Do time despontou André Train, o Deco, que chamou a atenção dos olheiros do Caramuru de Castro, equipe que atualmente disputa a Série Ouro do Campeonato Paranaense de Futsal. Deco é um dos são-mateuenses que, apesar da pouca tradição no incentivo ao esporte em São Mateus do Sul, busca uma oportunidade no competitivo mundo do esporte.

Hoje com 20 anos, Deco está no esporte desde os 8, começando na Escola Municipal Odemira Cunha, da vila Amaral. Já havia feito dois testes, para o Paraná Clube e Juventude de Caxias do Sul, e agora aguarda a resposta do teste feito em Castro para o Caramuru. “É um sonho difícil, pelo fato de nossa cidade ser pequena e não ter muitos recursos ou pessoas que lutem pelo esporte. Mas incentivo que vale a pena tentar”, opina. “Depois de tentar duas vezes e não dar certo, muitas pessoas falavam que não daria mais, mas eu coloquei na minha cabeça que era isso que eu queria para minha vida. E graças a Deus estou tendo uma oportunidade novamente”, relata.

Além dele, outro atleta que se destacou recentemente foi Guilherme Lara Cordeiro, que aos 16 anos passou no teste do Trieste, cujas categorias de base revelam jogadores para clubes profissionais. Morando em Curitiba desde julho, quando foi selecionado na peneira, Guilherme vive no alojamento do clube e treina nas manhãs de segunda a sexta-feira, mantendo os estudos à noite, e participando dos jogos aos sábados. Revela otimismo em relação ao seu futuro no futebol, que pode ser decidido nos próximos meses conforme seu desempenho. “O clube gostou bastante do meu jogo e já me colocou como titular. Meu sonho é ir para algum time grande e estou confiante”, revela.

Uma das oportunidades para quem gosta de fazer a bola rolar em São Mateus do Sul é a Escolinha de Futebol do Clube dos Empregados da Petrobras (Cepe), onde Guilherme se revelou. O professor Rodrigo Lima, que iniciou o trabalho na escolinha como preparador de goleiros desde que parou de jogar profissionalmente, revela que muitos talentos passaram pelos gramados do clube. “Nesse período conseguimos revelar dois goleiros, o Clayton Karpinski, que passou pelo Avaí de Florianópolis (SC), Serrano de Prudentópolis e se profissionalizou pelo Clube Cerâmica, do Rio Grande do Sul. Outro foi o Cristian Ribas, que disputou a primeira divisão do Catarinense Juniores pelo time do Ipiranga de Rio Negrinho, jogou pelo Andraus de Curitiba e foi contratado pelo São Bernardo, de São Paulo”, revela. “Além deles, outros jogadores também se destacaram, passando pela escolinha com o mesmo sonho, mas infelizmente a minoria teve boas oportunidades”, acrescenta.

O professor acredita no potencial dos talentos locais, com capacidade para jogar em times de nível estadual e até nacional, mas lamenta as dificuldades. “Talvez o que falte é um incentivo maior ao esporte são-mateuense, não somente no futebol, mas no geral. Condição para participar de competições federadas e apoio financeiro, como não estamos na capital, onde se encontram os grandes clubes. Tenho certeza que com mais incentivo e planejamento, muitos jovens podem ser descobertos e condicionados a realizar seus sonhos, e mostrar a riqueza de talentos que São Mateus possui”.

 

Muito chão pela frente

De acordo com a Secretaria Municipal de Esporte e Turismo, hoje o município possui escolinhas de futsal do sub 8 ao sub 17 e possui as parcerias com o Coritiba Cancun, que conta com três são-mateuenses na equipe sub 17 e  quatro na sub 15, e com o Serviço Social da Indústria (Sesi), com o projeto Atleta do Futuro. Questionada sobre as demais modalidades esportivas, a Secretaria diz que as atividades se concentram mais nas escolas, com escolinhas de vôlei, basquete e xadrez, por exemplo. Segundo o secretário Artur Roscoche dos Santos, existem limitações financeiras que muitas vezes inviabilizam, por exemplo, o transporte frequente de atletas para treinos fora da cidade, mas diz que a equipe se atenta para possíveis destaques. “Todo atleta que vemos que tem condições, levamos para testes”, relata. “Esperamos que a finalização do Estádio Municipal colabore por novas oportunidades, como é o caso de escolinhas do Coritiba e do Atlético Paranaense, clubes que mostraram interesse”. Artur enfatiza a visibilidade possibilitada com a realização dos Jogos Escolares e Jogos Abertos na cidade, vitrine para novos talentos, e diz que estuda trabalhar a equipe de futsal para entrar na Série Bronze do Campeonato Paranaense. No entanto, há muito trabalho a fazer: os adversários do time são-mateuense nos Jogos Abertos, como Irati e Guarapuava, contam com patrocinadores, folha de pagamento e estrutura que conseguem fazê-los competitivos, exemplos que podem ser seguidos.

 

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Guilherme Lara Cordeiro

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André Train (Deco)


 

Construção do Estádio caminha a passos lentos

As obras do Estádio Municipal Olívio Wolff do Amaral, o antigo Estádio do Atlético, caminham devagar. Após imprevistos e longos períodos parada, a construção avança devagar e a expectativa é que termine em aproximadamente três meses.

Segundo a Secretaria Municipal de Esporte, o andamento da obra deve permitir em breve o início dos trabalhos com o gramado. Após concluídas as arquibancadas e banheiros no prazo previsto, ainda é necessário providenciar os muros, alambrados e iluminação.

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