Um segundo lar de portas abertas

07 de agosto de 2015

Contraste entre grandeza de um prédio dos anos 1930 e a fragilidade atribuída justamente pela ação desse tempo traz ainda mais encanto a entidade aberta há quase 45 anos, para acolher crianças de forma extraescolar

 

843-lar2Fotos: jornal ACONTECEU/Arquivo Lar São Mateus

 

Em um casarão dos anos 1930, cujos corredores compridos e de acesso a inúmeros cômodos ainda lembram o uso hospitalar que deu origem ao lugar, funciona há quase 45 anos o Lar São Mateus, sociedade civil sem fins lucrativos que oferece atividades extraescolares para crianças de 5 a 10 anos. A grandeza do prédio, numa arquitetura antiga de 3 mil metros quadrados situada na região mais nobre da cidade, contrasta com sua fragilidade, dada a ação do tempo. Contraponto que não ofusca a relevância do serviço que a entidade presta para São Mateus do Sul há tantas décadas.

Prestes a completar 45 anos, a entidade está no meio do complexo plano para gerar a construção de um novo hospital na cidade. Ligada ao Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes desde a cessão do espaço, na década de 1970, mediante cláusula que garante o direito de uso enquanto o Lar São Mateus existir, a entidade ocupa um casarão quase condenado levantado sobre um terreno de avaliação milionária, que deve entrar no negócio de venda do prédio atual do hospital. Se isso efetivamente ocorrer, a entidade pode sair de lá, desde que receba uma sede mais apropriada. “O que precisamos é de um lugar seguro”, relata o presidente do Lar São Mateus, Sullivan Costa de Oliveira. Um novo espaço também poderia permitir a ampliação do atendimento, hoje limitado a 130 crianças, mas com uma longa fila de espera.

O Lar São Mateus foi fundado no começo dos anos 1970, inicialmente para atender idosos. Em 1977, mudou o foco para crianças de famílias mais carentes, em um regime de contraturno. Hoje, pequenos de 5 a 10 anos com fome de aprender invadem os corredores cor de rosa da entidade para atividades diferenciadas em relação ao conteúdo escolar, como oficinas de literatura, informática, dança, artes plásticas e recreação. Além das atividades lúdicas, também há o apoio de uma assistente social, uma psicóloga e um pediatra voluntário. “Esse serviço acaba cumprindo o princípio da educação em tempo integral, que vem sendo adotado na educação básica”, ressalta Sullivan.

Os tantos anos de funcionamento criaram um vínculo da comunidade com o Lar São Mateus, revela a diretora Rita de Cássia Portella Furtado. “Temos muitos casos de alunos que anos depois se tornaram professores e continuaram fazendo história aqui, acompanhando as atividades, sendo sócios contribuintes ou participando dos eventos”, conta. As poucas mudanças no espaço ao longo das décadas também frequentemente geram nostalgia em quem revê a entidade. “Outro dia um ex-aluno viu uma foto de nosso parquinho na internet e se emocionou, ao perceber que tudo estava muito parecido”, conta Rita.

Não é raro que gerações de uma mesma família tenham frequentado o casarão. Em uma carta solicitada aos pais para avaliação do serviço, a diretoria se surpreendeu com o relato de Lídia Catarina Serpe e seus 24 anos de ligação com o Lar São Mateus. Lídia confiou seus cinco filhos aos cuidados da entidade e agora vê a neta frequentar as atividades com a mesma alegria. “Falar do Lar para mim é falar da minha vida, minha história, pois me ajudou muito e ainda ajuda, agora com a minha neta. Se esse velho casarão falasse, contaria muitas histórias, pois muitas vidinhas passaram por lá e as lembranças serão eternas”, descreve.

 

25º Festival de Sopas

Mantido prioritariamente por uma subvenção da Prefeitura, o Lar São Mateus ainda conta com o apoio de algumas doações de empresas e sócios contribuintes, além da realização de eventos, a fim de aproveitar todas as oportunidades possíveis para completar o caixa e garantir a pesada manutenção. “Nosso desafio é manter a qualidade com recursos limitados”, explica o presidente da entidade. O mais representativo evento é o Festival de Sopas, que entra na 25ª edição este ano, objetivando reunir fundos e também mostrar o serviço para a sociedade.

O evento acontece no sábado (8), às 19h30, no Salão Paroquial da Igreja Matriz São Mateus. O cardápio conta com as sopas húngara, capeletti, canja, caldo verde, mandioquinha e udon. Também haverá sorteio de brindes e música ao vivo.

Os ingressos são limitados e estão sendo vendidos pela entidade ao custo de R$ 30 (adulto) e R$ 15 (crianças de 5 a 10 anos).

Mais informações pelos telefones 3532 1136, 3532 6469 ou 8856 4249.

 

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