Um diálogo sobre aflições e contradições

11 de dezembro de 2015

“Má Conduta”, a ser lançado pela Arte Editora no próximo sábado (12), provoca o leitor com temas intensos e realidades veladas

 

Untitled-1Fotos: Divulgação 

 

Matheus Lara provoca o leitor e a si mesmo ao criar personagens “desprezíveis”, como ele mesmo se refere. O comum apego do criador com sua criatura, a empatia do autor com os personagens que representam sua visão criativa e acabam, às vezes, representando um pouco de si, são confrontados em “Má Conduta”, coletânea de contos que aborda realidades veladas e problemas sociais gritantes — preconceito, adultério, misoginia, violência doméstica, abuso sexual. Matheus inseriu seus personagens ficcionais em um contexto de realidade nua e crua, gerando diálogo e questionamento a partir das situações que eles vivenciam.

“Quero dialogar com o público sobre esses temas”, explica Matheus. Os contos de “Má Conduta” vêm para provocar o debate sobre a banalização de alguns desses temas e, de certa forma, ajudar a identificá-los e combatê-los, extrapolando os limites das páginas do livro. “Meu otimismo é grande em relação a isso, porque nós vivemos um momento em que as pessoas querem debater, querem expressar o que pensam, querem ter voz. No fim, essa voz – calada muitas vezes pela inércia, pela violência e pelo conservadorismo – é o que faz com que atrocidades como algumas das retratadas em ‘Má Conduta’ sejam revertidas ou até combatidas”, expõe.

Com referências à cultura pop, de “Love Me Tender” a “O Iluminado”, os contos possuem uma narrativa dinâmica, com diálogos sucintos, mas que exploram também aflições e contradições do ser humano em sua vida em sociedade.

Para o autor, a narrativa ficcional vem como uma ferramenta oportuna para criar e representar pessoas, situações, tipos e problemas, e tudo começou no interesse em criar essas situações, aliado ao desafio de desenvolvê-las com seus elementos narrativos. A escolha dos contos que formam “Má Conduta” tem um motivo, mas os motivos que fizeram o autor escrever os contos variam de um para outro, revela Matheus. “Em geral, o que motivou a criação de cada conto que passou a integrar ‘Má Conduta’ é a vontade de criar e contar histórias. Somado a isso, surgem impressões da realidade e o resultado da vivência em sociedade”.

Sobre seus personagens intrigantes, são as escolhas do autor. A interferência de sentimentos, conflitos e questionamentos vividos é que orientam e dão o tom nas palavras. No livro, “as histórias não são lineares, por isso, os personagens não são regulares, ou coerentes”, explica Matheus, parafraseando Belchior: “Não me peça que lhe faça uma canção como se deve; correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras, são navalhas. E eu não posso cantar como convém sem querer ferir ninguém”. Desprezíveis personagens, adorável criatividade.

 

SERVIÇO

Má Conduta (Arte Editora, 2015)

Lançamento dia 12 de dezembro

14h | Livraria Nobel

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