Professores são-mateuenses vivem de perto o chamado “massacre de 29 de abril”; greve continua

08 de maio de 2015

Paralisação interrompeu novamente as aulas na semana passada, motivada pelo projeto de mudanças no Paranaprevidência

aag20150505025_1Irredutível, categoria decidiu manter a greve em assembleia (foto: Geraldo Bubniak/Estadão Conteúdo)

 

A greve dos professores e funcionários da rede estadual de educação segue por tempo indeterminado, decidiu a categoria na última terça-feira (5), em assembleia realizada no Estádio da Vila Capanema, em Curitiba. A paralisação é continuidade do movimento que começou no início do ano letivo, agora motivada pelo projeto de mudanças no Paranaprevidência e pelo conflito violento que marcou o dia 29 de abril.

Segundo a APP Sindicato, que representa a categoria, a pauta ainda mantém outros itens, como o reajuste da data-base, com previsão de 8,4%, piso nacional para professores e funcionários, porte da escola, hora-atividade de 50% e concurso público, prometendo seguir a defesa pela previdência, punição aos responsáveis pelo chamado “massacre de 29 de abril”, assembleia permanente e atos regionais.

Com relação à lei que modificou a ParanaPrevidência, o sindicato informou que estuda medidas legais para derrubar a legislação, tendo em conta que o governo sancionou sem receber o parecer de legalidade do Ministério da Previdência Social.

Em nota, o governo diz que lamenta a decisão dos professores de manter a greve, ressaltando que uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) declarou o movimento ilegal. No texto, o governo diz que está cumprindo com todos os itens da negociação fechada em março com a categoria. Ressaltou também que deverá descontar os dias parados dos trabalhadores que mantiverem a greve.

29 de abril

Quase 200 manifestantes ficaram feridos no confronto com policiais militares em Curitiba na tarde 29 de abril, em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no Centro Cívico. A confusão começou por volta das 15h, quando os deputados começaram a sessão para votar — e aprovar — o projeto de mudanças no Regime Próprio da Previdência Social, o ParanaPrevidência, que entre outras medidas, altera a fonte de pagamento de mais de 30 mil beneficiários para gerar economia ao Estado. Os policiais usaram bombas de gás, balas de borracha e jatos de água para dispersar os manifestantes. Os professores recuaram, mas a polícia continuou jogando bombas de efeito moral.

Cerca de 35 professores de São Mateus do Sul estiveram no local no momento do confronto. Eles alegam que não houve pressão dos manifestantes que motivasse o início da posição mais violenta da polícia. “Quando veio a notícia de que a sessão iria começar, sem que pudéssemos acompanhá-la, houve gritaria, mas sem violência. Então começaram as bombas”, conta a professora Lisângela Bueno Samistraro. Segundo ela, nenhum são-mateuense ficou ferido, apesar do desconforto causado pelas bombas de gás, e o grupo conseguiu se reunir próximo à Prefeitura, em segurança. Questionada sobre o que sentiu naquele momento, a professora descreve: “Uma sensação de impotência. Diante de toda aquela batalha, vermos a nossa aposentadoria em jogo e sentir tanto desprezo. Temos nas mãos o futuro dos alunos, mas naquele momento, diante daquele tratamento, era como se não fôssemos nada”.

IMG-20150504-WA0009Grupo são-mateuense esteve presente no momento do conflito (foto: arquivo Lisângela Samistraro) 

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