Passeata mobiliza comunidade contra possível fechamento da Casa Familiar Rural

14 de agosto de 2015

Professores, pais e alunos percorreram a cidade informando instabilidade em relação à manutenção do programa

 

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Participantes tentaram mostrar o problema e a importância do programa para a agricultura familiar – Fotos: jornal ACONTECEU

 

Uma passeata percorreu as principais ruas de São Mateus do Sul na manhã da última terça-feira (11) em prol da Casa Familiar Rural. O programa educacional que trabalha a pedagogia da alternância com jovens da área rural está ameaçado com a não continuidade de manutenção pelo governo do Estado, que vem atrasando repasses e já anunciou a necessidade de um novo modelo para manter o funcionamento das 40 unidades espalhadas pelo Paraná.

A Casa Familiar Rural de São Mateus do Sul atua desde 2006 e atende também a Antonio Olinto. Atualmente conta com 52 alunos no curso Técnico em Agroecologia e executa projetos que já tiveram destaque nacional. As atividades ligadas ao campo estimulam a permanência dos jovens no meio rural, com capacitação para prosperar em suas comunidades e colaborar por um dos principais setores da economia local.

Os recentes diálogos geraram continuidade do convênio para as turmas em andamento, assegurando sua conclusão, porém, não permitindo a abertura de novas turmas, o que projeta a futura desativação do programa até 2017. Segundo a unidade de São Mateus do Sul, os 12 funcionários já vêm enfrentando atrasos no pagamento dos salários, o que dificulta o andamento das atividades. “No ano passado o governo já havia cortado a carga horária dos professores para 20 horas semanais e os atrasos se seguiram. Somente agora os profissionais receberam o salário do mês de abril”, revela a professora Sinara Soares.

O município de São Mateus do Sul, que já paga uma subvenção, manifestou intenção de municipalizar a área técnica para garantir a continuidade do serviço, mas a alternativa ainda é questionada. Muitos prefeitos entendem que os municípios não podem assumir o ônus de manter uma instituição que oferece ensino médio, enquanto já há tanto a se fazer com a educação infantil.

Segundo a organização, o intuito da passeata foi informar a comunidade sobre a situação das Casas Familiares Rurais, mostrar a importância do programa e reunir apoiadores na região para que a mobilização alcance nível estadual. “O diálogo não está fluindo, nós damos um passo para frente e recuamos outro”, preocupa-se Bernadete Wolochen. “Queremos começar a nos mobilizar aqui para reunir toda a região atendida pelas Casas Familiares e alcançar todo o Estado”.

Na semana passada, foi criada uma frente parlamentar em defesa da Casa Familiar Rural em São Mateus do Sul, unindo também Antonio Olinto. Os vereadores manifestaram apoio no sentido de se articular com suas lideranças políticas e com o governo estadual.

 

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