Morador abre as portas de casa para uma biblioteca comunitária

28 de agosto de 2015

Iniciativa voluntária ajuda a projetar novas perspectivas a jovens da vila Bom Jesus

 

846biblioteca1Adilson se orgulha de ver espaço ser bastante frequentado (fotos: jornal ACONTECEU)

 

Há quatro anos, o mecânico de máquinas agrícolas Adilson Oliveira Cardoso, de 49 anos, cede uma parte de sua casa para receber crianças e adolescentes da vila Bom Jesus, ávidos por conhecimento. O cantinho antes ocupado por uma lan house se transformou em uma biblioteca comunitária com mais de 3 mil títulos, disponíveis para empréstimo ou até mesmo estudo no próprio local.

A iniciativa simples vem colaborando para trazer novas perspectivas ao futuro dos jovens do bairro, fazendo com que, por meio da leitura, eles se mantenham afastados de males como as drogas — assim como ocorreu com Adilson. Dos 13 aos 17 anos, ele conheceu de perto um dos maiores problemas da sociedade, mas superou o vício a partir do hábito da leitura, que o levou também a realizar trabalhos com crianças e adolescentes. “As coisas erradas estão facilmente disponíveis para os jovens, mas existem muitos projetos que podem afastá-los dessas situações. Basta um pouco de investimento para grandes resultados”, destaca o voluntário.

Nesta perspectiva, cedeu sua própria casa para um projeto da Associação de Moradores da vila, a partir de uma ação social da Petrobras/Six, que possibilitou a criação de uma biblioteca comunitária. Após ocupar a sede do Portal do Saber, a biblioteca migrou para a casa de Adilson, permitindo que o morador desse início a um projeto pessoal em prol da comunidade. Uniu a iniciativa ao esporte, a partir da escolinha de futsal do bairro, a BJ Futsal. Os cerca de 50 jovens de 8 a 16 anos que participam da escolinha frequentam a biblioteca e são acompanhados de perto na escola, uma vez que boas notas e bom comportamento são requisitos básicos para participar das competições.

Além dos meninos, o espaço é aberto a toda a comunidade, que também colabora com doações para manter a biblioteca. “Às vezes chego do trabalho e encontro caixas de livros que nem sei de onde vieram, quem trouxe. Mas isso incentiva ainda mais meu trabalho. Fico muito grato a todos”, comenta.

A biblioteca, na rua João Batista Pinheiro, esquina com São João, está sempre aberta — sempre há alguém em casa para receber quem deseje emprestar livros ou estudar no local. Segundo Adilson, os livros sempre voltam na data certa e não há extravios. Seu sonho, adianta, é agora conseguir montar uma brinquedoteca, atraindo ainda mais as crianças da comunidade. “A educação é a meta principal do projeto e o hábito de leitura é uma grande ferramenta”, assegura o voluntário.

 

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