Incertezas em relação ao futuro da Casa Familiar Rural mobilizam vereadores

07 de agosto de 2015

Frente parlamentar em defesa do programa quer sensibilizar deputados e o governo para evitar o fechamento das unidades

 DSC_0692Foto: jornal ACONTECEU

 

A preocupação em torno do futuro das Casas Familiares Rurais (CFRs) está gerando mobilização de vários segmentos da sociedade. Agora os vereadores manifestam apoiar o movimento pela permanência do programa e, por meio de uma frente parlamentar e apelos aos deputados e ao governo do Estado, esperam que o Paraná mantenha as unidades.

O dilema das CFRs começou com o anúncio da não continuidade da manutenção pelo governo estadual, colocando em risco o programa, que atende, com a metodologia de alternância, a formação educacional e profissional de jovens do meio rural. O convênio continuará até o final do ano, porém, o Estado já manifestou que um novo modelo deverá ser pensado para 2016 em diante, para que os municípios possam suportar o funcionamento das unidades.

São Mateus do Sul, que possui uma das maiores populações agrícolas do Paraná, conta com uma CFR desde 2006, atendendo também alunos de Antonio Olinto, município com 95% de sua população vivendo no meio rural. A importância do serviço foi pauta da última sessão da Câmara Municipal de São Mateus do Sul, na segunda-feira (3), quando marcaram presença profissionais e ex-alunos da unidade, e também representantes de entidades como a Emater e Sindicato Rural, defendendo a CFR.

Na ocasião, a professora Gizela Lazzari apresentou a unidade local e destacou as conquistas ao longo dos anos, que incluíram até mesmo um prêmio nacional, enquanto o presidente da Câmara, Enéas Melnisk, expôs o problema das CFRs e a mobilização que se pretende promover. “A ideia é criar um movimento dos vereadores para que levem até a população o conhecimento do que está acontecendo. Temos que adotar de coração esta causa”, disse.

O coordenador regional da Emater, Orival Stolf, que participou das primeiras discussões sobre a CFR em São Mateus do Sul, falou do trabalho duro para a implantação da unidade e defendeu que o programa abriu perspectivas para os jovens. “Como essa é a única opção de estudo agrícola aqui, esses jovens precisarão sair da região, coisa que a maioria não tem condição de fazer. Na CFR, esses jovens ficam perto de suas famílias e propriedades”, ressaltou. Vereador de Antonio Olinto, Jurandir Ferreira Alves disse que a Câmara do município está entrando no movimento. “Precisamos de uma mobilização muito grande para reverter isso”. O ex-aluno da unidade, Denilson Franco, também contou sua experiência e como ela colaborou pela sua vida. “Se eu não tivesse estudado lá, não teria o vínculo que tenho hoje com a minha propriedade”.

Segundo Bernadete Wolochen, atualmente somente os alunos já matriculados tem garantida a continuidade do curso e não são permitidas novas matrículas. Informou ainda que os professores da área técnica não estão recebendo seus salários.

Nas votações do dia, os vereadores aprovaram o envio de ofícios a deputados estaduais e federais, às Secretarias da Casa Civil, de Agricultura, da Fazenda e de Educação pedindo para manter a CFR, e também ao governador Beto Richa. Na próxima terça-feira (11), às 10h, uma passeata em prol da unidade será realizada em São Mateus do Sul, com saída no terminal rodoviário.

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