Greve de professores adia início do ano letivo

13 de fevereiro de 2015

Em São Mateus, determinações do governo estadual resultaram em diminuição de repasses, demissões e no fechamento de turmas; apelo tomou as ruas e reuniu educadores de todo o Paraná

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A luta dos profissionais do ensino estadual contra as novas medidas de austeridade adotadas pelo governo do Paraná se intensificou nos últimos dias, culminando na deliberação de greve geral a partir do que seria o primeiro dia do ano letivo (9 de fevereiro). Fora das salas de aula, os protestos ganharam as ruas e se espalharam pelo Estado.

Há dias, os professores já vinham reivindicando o pagamento de um terço de férias devido e rescisão dos contratos dos profissionais temporários, do Processo Seletivo Simplificado (PSS), além da verba destinada às escolas, que estava atrasada. No entanto, às vésperas da semana pedagógica, o governo determinou a redistribuição das aulas — que já havia sido feita em dezembro —, deliberando o fechamento de turmas regulares e de contraturno e demissão de 30% dos funcionários PSS de administração e de limpeza. E nesta semana, ainda, chegou à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) o chamado “pacotaço”, composto por uma série de medidas que cortam benefícios concedidos ao funcionalismo público do Estado.

 Mobilização são-mateuense

Diante do impacto das novas determinações, os profissionais, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato), passaram a se mobilizar. Em São Mateus do Sul, o primeiro movimento aconteceu no dia 4 de fevereiro. Já nesta segunda-feira (9), os profissionais voltaram a se reunir, com direito a passeata pelo centro da cidade, a fim de expor à população as causas da mobilização. “O governador está desmantelando a qualidade da educação para conseguir dinheiro, para equiparar o rombo nos cofres públicos que ele mesmo fez”, expressa o professor de História Celso de Freitas. “Só estamos pedindo respeito aos profissionais, e aos alunos, que estão sendo preparados para o futuro, para serem cidadãos brilhantes. A educação do Paraná já foi referência, e é triste ver como está hoje e como ainda pode se tornar”, completa.

Além dos funcionários que já foram dispensados e dos professores que ficaram sem aulas, a categoria lamenta o impacto que o fechamento de turmas vai gerar, incluindo todos os projetos de reforço escolar, fanfarra, dança, xadrez, esporte e outros, que foram interrompidos. “Isso é triste, pois são esses projetos que garantem o acompanhamento integral dos estudantes, o chamado ensino em tempo integral”, declara o professor Felipe Domingos de Lima Chico. “Nossa luta não é salarial”, enfatiza, representando a categoria.

O Colégio Estadual Duque de Caxias é um dos mais afetados pelas medidas. Além das aulas de reforço e projetos, houve fechamento de turmas regulares, culminando no agrupamento de estudantes — no terceiro ano do Ensino Médio, a turma tem 70 alunos. “Teremos que fazer o remanejamento de alunos, possivelmente transferindo alunos do período da manhã para a noite. A dificuldade é que muitos são do interior, e dependem de ônibus que não passam nas localidades nesses horários”, explica a diretora do Colégio, Clemira Santana. A Casa Familiar Rural também está insegura, pois houve diminuição da carga horária e não há notícia sobre a renovação do contrato na área técnica, que está por vencer.

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 Respostas

O Governo do Estado informou que acertará ainda neste mês o pagamento das rescisões dos professores contratados pelo PSS. O anúncio foi feito na sexta-feira (6) pelo secretário de Estado da Educação, Fernando Xavier Ferreira, que também informou que o terço de férias dos professores será pago em duas parcelas, em março e abril, e que pagou a primeira parcela do Fundo Rotativo do ano, para as escolas comprarem materiais básicos.

Vigília na Alep

O pacote de medidas do governador Beto Richa, que propõe mudanças nos benefícios do funcionalismo público por meio de dois projetos de lei, foi tema de discussão na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a semana. Milhares funcionários do Estado se reuniram no Centro Cívico, em Curitiba, a fim de apelar contra a aprovação do projeto. Com a pressão dos profissionais da educação e ameaça de greve em outros setores, o governo recuou em três propostas para que os deputados aprovem as medidas. A tentativa de acelerar a votação por meio da manobra conhecida como “tratoraço” — quando os projetos são votados a toque de caixa, sem passar pelas comissões — também foi impedida na terça-feira (10), porque os manifestantes invadiram o plenário.

De São Mateus do Sul, dois ônibus partiram para Curitiba na terça-feira, para engrossar a vigília junto à Alep. Na quarta, mais um ônibus lotado de professores seguiu à capital, enquanto os que ficaram seguiram realizando mobilizações na cidade.

Na próxima semana, o ACONTECEU trará os desdobramentos da mobilização após o período do fechamento desta edição.

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Fotos: jornal ACONTECEU/Maria do Rocio Caminski/APP Sindicato

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