Estudada possibilidade de municipalização futura da Casa Familiar Rural

17 de julho de 2015

Unidades enfrentam insegurança devido a divergências que podem culminar no fim dos repasses do Estado

 

DSC_0400 Unidade de São Mateus do Sul atende também jovens de Antonio Olinto, promovendo a formação voltada para o meio rural (foto: jornal ACONTECEU)

 

A Casa Familiar Rural de São Mateus do Sul pode ter um novo futuro traçado. Com a insegurança que permeia os futuros repasses do Estado, o município já se adiantou afirmando pretensão de municipalizar a área técnica da unidade, para evitar sua desativação.

As Casas Familiares rurais são espaços destinados à formação de jovens do meio rural, propiciando o acesso ao ensino fundamental, médio e técnico gratuito, com profissionalização condicionada à realidade do campo, a fim de oferecer alternativas de renda e trabalho que estimulem a permanência dos jovens na área rural. A unidade de São Mateus do Sul, localizada na Colônia Taquaral, atua desde 2006 e conta, entre outras atividades, com curso de Agroecologia, além da conquista recente de patrocínio da Petrobras para o projeto “Da Horta Mandala à Agroindústria Familiar: Saberes e Sabores do Campo”, que objetiva a geração de renda de jovens agricultores familiares da região.

Segundo o prefeito Clóvis Ledur, há uma divergência entre a Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar Sul) e o Estado, o que pode culminar na desativação do espaço nos próximos dois anos. Existe um trabalho para reverter essa situação, mas se isso não ocorrer, o plano do município é assumir e investir na parte técnica, enquanto o Estado segue com a parte pedagógica. “O município já paga uma subvenção social de R$ 50 mil ao ano. Municipalizar a área técnica não representaria um grande investimento, mas daria maior liberdade para tornar a Casa Familiar Rural um centro de pesquisa em agricultura”, revela o prefeito.

A Secretaria de Estado da Educação afirmou, em nota, que o contrato de convênio com as Casas Familiares está em fase de renovação. “Os estudantes da educação profissional oferecida nas casas familiares rurais têm a garantia de continuidade até a cessação da oferta dos cursos profissionalizantes. Já os estudantes do ensino fundamental e médio matriculados têm assegurado o direito à educação”, declara. A Secretaria ainda informa que os professores que ministram aulas das disciplinas da base nacional comum estão com os salários em dia, e os monitores que ministram disciplinas específicas recebem dos recursos do convênio, e que com a prorrogação do contrato, a Secretaria tomará providências para regularizar os pagamentos.

Conforme informações da coordenação da Casa Familiar de São Mateus, as propostas do Estado preveem a redução da carga horária dos professores para 20 horas, o que inviabiliza a continuidade dos trabalhos na maneira como ocorre hoje. Ainda, uma nova reunião com os prefeitos deve ocorrer para discutir o que pode ser possível fazer para resolver esses conflitos.

Em números gerais, São Mateus do Sul possui uma das maiores populações agrícolas do Paraná. Proporcionalmente, o município de Antonio Olinto, também atendido pela Casa Familiar Rural, se destaca com 91% de sua população vivendo no meio rural.

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