Comissão planeja evento de resgate à memória do tropeirismo

07 de agosto de 2015

Proposta se transformou em uma semana de programação sobre o legado dos tropeiros na região

 

DSC_0683Foto: jornal ACONTECEU

 

O Encontro Regional de Tropeiros, planejado para 2016 em São Mateus do Sul, está tomando forma. Na última semana, a comissão organizadora, formada por integrantes da Fundação Cultural, Secretaria de Educação e Cultura, Departamento de Turismo, Rotary Club, pesquisadores e voluntários, definiu novos detalhes do evento que objetiva resgatar o legado dos tropeiros na região.

Na ocasião, o evento revelou maior proporção. Além da Festa de São Sebastião, a ser realizada na localidade de Emboque, a agenda prevê uma semana cultural com diversas atrações. A definição mais significativa diz respeito às datas — anteriormente planejado para ocorrer em janeiro, mês de São Sebastião, o evento foi transferido para fevereiro, a fim de não coincidir com outros eventos já agendados. De 7 a 14 de fevereiro, estão previstas cavalgadas, palestras, simpósio, acampamento tropeiro e desfile, este último em paralelo à Festa de São Sebastião, que encerrará a semana. Está confirmada a realização de um workshop de comida tropeira e a presença de importantes nomes do tropeirismo na região. Também estuda-se a possibilidade de trazer uma exposição à Casa da Memória e a realização de um concurso de trovas e música de raiz.

A diretora da Fundação Cultural, Dalva Vaz de Almeida, sugeriu que o evento seja assegurado em lei municipal, para enfatizar a importância do resgate ao tema torná-lo uma tradição no calendário são-mateuense. “A memória dos tropeiros é uma verdadeira odisseia. Eles construíram estradas, igrejas, cidades. Não podemos deixar isso se perder”, comentou. Ainda foi enfatizado o propósito de dar um fim também social ao evento, direcionando os lucros a alguma entidade filantrópica. “Nosso lucro é cultural”, ressaltou Dalva, apoiada por todos.

A Fundação Cultural já manifestou a intenção de que os municípios da região, que foram rota dos tropeiros e acabaram, de alguma forma, influenciados por seus costumes, encaminhem uma carta ao Ministério da Cultura e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para tornar o tropeirismo na região patrimônio histórico imaterial.

 

O Tropeirismo

O surgimento do tropeirismo fez florescer a comercialização de animais no sul do País. Os tropeiros passavam até meses em viagens, desbravando regiões ainda inabitadas e fazendo surgir muitas cidades nos locais de parada. As tropas cruzaram o Paraná até a primeira metade do século 20, e São Mateus do Sul ainda possui, em seu interior, resquícios e histórias da passagem dos tropeiros, gerando até mesmo a criação de um monumento em Taquaral do Bugre. O trajeto por aqui ainda inclui as localidades de Passinho, Passo do Meio, Faxinal dos Elias, Tijuco Preto, Dois Irmãos e Água Branca.

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