Carência de ofertas desafia quem quer ingressar no ensino superior

30 de janeiro de 2015

Primeira reportagem de série sobre o cenário do ensino superior em São Mateus do Sul aborda carência de opções para quem busca um curso universitário e, na maioria das vezes, precisa se deslocar para outras cidades

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Em época de buscas por vagas, bolsas ou financiamentos especiais para ingressar nas universidades brasileiras, os estudantes são-mateuenses têm outra dificuldade para enfrentar no caminho pelo sonhado diploma: a quase ausência de ofertas de ensino superior na cidade. Apesar de estar em constante crescimento populacional e com demanda crescente por cursos em várias áreas, a cidade vê, todos os dias, centenas de são-mateuenses pegarem a estrada rumo ao estudo em cidades vizinhas — além dos que se mudam definitivamente para a capital e outros grandes centros.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, pouco mais de 400 estudantes locais recebem subsídio no transporte para estudar em cidades vizinhas, como União da Vitória, Irati e Canoinhas — por parte do município, um investimento mensal de R$ 40 mil, e para os estudantes, horas e muita paciência dispensadas diariamente, em especial para quem enfrenta a calamitosa PR 364. O subsídio vem como tentativa de compensar a falta de universidades por aqui.

A estratégia do município ultimamente vem sendo fechar parcerias com outras universidades, tornando-se campus avançado e recebendo cursos ministrados por professores que vêm diariamente da sede da instituição. A parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) perdurou por algum tempo, tendo possibilitado cursos como Administração, Letras e Ciências Contábeis gratuitamente. Contudo, a universidade informou, no último mês de dezembro, a impossibilidade de manter o campus universitário em São Mateus por motivos de logística e falta de docentes.  O mesmo ocorreu em relação à tentativa de trazer cursos presenciais pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Com as negativas, o município se foca na educação à distância, cujas parcerias se mantêm com mais facilidade pelo polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB). “Nossa preocupação é investir no polo, para não perdê-lo, como já ocorreu com outras cidades que não atenderam às especificações exigidas. O espaço foi reorganizado recentemente e está atendendo às exigências da UAB, recebendo cursos de graduação e pós-graduação à distância. Estamos investindo no que temos”, descreve a secretária de Educação, Dinéa Distéfano Wiltenburg.

No ensino particular, se arrasta há anos a possibilidade de chegada do curso de Engenharia de Produção no campus local do Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), além da atual oferta em Administração, e existem alguns cursos também à distância. Mas o desafio maior segue para graduações presenciais e, principalmente, públicas. Em relação a mais ofertas, uma nova esperança está na solicitação de um Instituto Federal, que está sendo acompanhada, porém, ainda é recente. “Existem solicitações feitas e reforçadas há anos. E não podemos parar de solicitar, de mostrar que precisamos de cursos superiores”, enfatiza a secretária. Segundo o município, a maior demanda é para cursos de Pedagogia, Serviço Social e licenciaturas em geral.

UFFS

Para quem está ligado à área da educação, diante das dificuldades encontradas atualmente na tentativa de ampliar a oferta de ensino superior em São Mateus do Sul, o caminho está em mobilizar a comunidade para mostrar essa carência e até apoiar possibilidades que não se fixam exatamente na cidade, mas nas proximidades. “Estamos muito atrasados no ensino superior, porque aqui nunca se trabalhou pensando nesse objetivo, nunca foi uma prioridade. E na nossa realidade atual, a possibilidade mais palpável está na Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), que pode chegar a Três Barras, e precisamos apoiar”, destaca o vereador e professor Luiz Cesar Pabis.

A universidade a que Pabis se refere tem sede em Chapecó (SC) e atende a uma mesorregião de 400 municípios do Sul do Brasil. Bastante recente mas com diversos cursos, a instituição pretende expandir sua área de atuação, e algumas microrregiões estão se mobilizando para serem contempladas com um campus — entre elas, a vizinha catarinense Três Barras, que se articula já há algum tempo.

Segundo o vereador, já existem grupos são-mateuenses se mobilizando para dar apoio a Três Barras, considerando a universidade beneficiar não só o Planalto Norte catarinense como também o Sul do Paraná. “Pensamos em sensibilizar a comunidade, começando por instituições, movimentos sindicais, grupos de jovens, igrejas, para participar das mobilizações”, destaca. Entre os apoiadores, está o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro). “Entendo que a cidade precisa do ensino superior, além da formação, para abrir novos horizontes no desenvolvimento local. Mas Três Barras está muito avançada, e é nosso papel consolidá-la para receber essa universidade”, destaca o sindicalista Rui Rossetim. Um abaixo-assinado deve ser feito em breve na cidade, para demostrar à sede da universidade o interesse da região no campus três-barrense.

Ensino técnico

No ensino técnico, o cenário é um pouco mais otimista, devido à finalização das obras do Centro de Formação Profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na vila Prohmann, que vai formar perfis profissionais para atuar na indústria, conforme demanda da região de São Mateus do Sul. A construção está sendo concluída e ainda não há data para inauguração, mas a expectativa é que os cursos comecem a ser ministrados no segundo semestre deste ano.

Fotos: Divulgação/jornal ACONTECEU

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