Volta às aulas marca o fim da greve

13 de março de 2015

Depois de quase 30 dias paralisados, professores estaduais decidem em assembleia pela suspensão da greve; em São Mateus, turmas que seriam fechadas retornam conforme demanda do ano passado

Foto: Paula Degraf

822professores em greve

Mesmo ainda com sentimento de desconfiança em relação a alguns compromissos firmados pelo governo estadual, os professores da rede estadual de ensino do Paraná deliberaram pela suspensão da greve, que alcançou 29 dias de paralisação e foi marcada como uma das maiores dos últimos 20 anos. Como resultado da última assembleia que acatou sugestão do comando de greve, realizada na segunda-feira (9), as aulas retornam nesta quinta-feira (12), seguidas de dois dias de semana pedagógica para preparação das escolas e conteúdo de aula.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato), os professores e funcionários deliberaram que é o momento de voltar às aulas, por considerarem que o desempenho do movimento possibilitou o debate e garantiu que a pauta inicial da greve fosse atendida. No entanto, o movimento mantém estado de greve, ou seja, ao primeiro sinal de descumprimento da carta compromisso assinada pelo governo estadual, o sindicato poderá convocar uma assembleia para reinstaurar a greve.

As medidas do Estado que culminaram na paralisação, no início de fevereiro, foram adotadas com a intenção de conter gastos, havendo atrasos de pagamentos e repasses às escolas, além dos polêmicos projetos de lei 06/2015 e 60/2015, que comprometeriam o que os educadores afirmam ser conquistas antigas da categoria, mas que foram retirados após pressão na Assembleia Legislativa.

Em São Mateus do Sul, uma das principais medidas de contenção de gastos que preocupava os educadores era o fechamento de turmas regulares e de projetos de contraturno, como reforço escolar, esporte, música, dança e idiomas. No entanto, com os novos acordos junto ao Estado, as turmas foram mantidas. De acordo com a representante local do Núcleo Regional de Educação (NRE), Bernadete Wolochen, ainda na semana passada, após a última reunião entre o sindicato e o Estado, o governo determinou a distribuição de aulas conforme a demanda de dezembro de 2014, ou seja, mantendo as turmas de acordo com o que era previsto antes das medidas de corte. Com isso, os professores temporários do Processo Seletivo Simplificado (PSS) que estavam ameaçados com a redução de turmas não ficam de fora do ano letivo. “Ao longo da semana, convocamos um grupo PSS. Hoje [terça-feira, quando foi entrevistada] convocamos mais seis professores para fechar as aulas. Tudo seguindo a demanda de dezembro de 2014, e incluindo ainda sete novos pedagogos que foram nomeados para a cidade, alguns daqui mesmo, outros de fora”, informou Bernadete.

No início da semana, o governo do Estado informou que iniciou um esforço concentrado, convocando diretores, professores e funcionários para que assumam o compromisso de deixar as escolas preparadas para receber os estudantes após o fim da greve. Disse ainda que a Secretaria da Educação vai convocar as lideranças grevistas para o estabelecimento de um cronograma conjunto de reposição do calendário escolar. São 200 dias letivos que precisam ser cumpridos por lei, sem prejuízo ao processo de aprendizado dos estudantes.

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