Um novo hospital?

05 de junho de 2015

A discussão da semana é a proposta de construção de um novo hospital para atender as necessidades da saúde de toda nossa população e região.

Quem é contra essa ideia?

Quero crer que, ninguém em sã consciência, se oporá a esse objetivo, já que o hospital local, construído há várias décadas, já não supre as nossas necessidades e está com sua capacidade de atendimento e ampliação exauridos.

O filósofo Will Durant já afirmava que ensinar aos nossos filhos a cuidar da saúde é a nossa primeira tarefa e a mais importante.

Dessa maneira, qualquer iniciativa, seja pública ou privada, que possa melhorar e atender a saúde de todos nós, é bem vinda e deve ser aplaudida e apoiada em todos os sentidos.

Porém, isto não significa que devamos acatar qualquer ideia maluca ou fora de propósito, para atingir a esse objetivo.

É o que parece estar acontecendo com a proposição da atual administração municipal, que ao invés de “construir um novo hospital”, sob o argumento de que tal não seria viável, está “comprando um velho hospital”, alegando que essa é a maneira certa de fazer a coisa.

Dá para entender?

Isso tudo mais parece um “negócio” mal urdido do que verdadeiramente uma proposta correta e economicamente viável.

Se não, vejamos:

O hospital local verdadeiramente não tem dono, pois os seus sócios, que seriam os proprietários, são apenas uma centena de cidadãos e cidadãs, que contribuem mensalmente com uma pequena importância (5% do salário mínimo) e com isso passam a ter direito de votar nas assembleias e a participar das diretorias.

Qualquer pessoa, em tese, pode se tornar associado e portanto ser presidente da entidade, desde que apresente uma chapa para concorrer à eleição bianual que se realiza e seja chapa única, conforme ocorre a maioria das vezes, ou vença a outra chapa porventura concorrente.

Até agora, as diretorias têm sido compostas por pessoas decentes e com bons propósitos, e que estão lá para ajudar a comunidade e colaborar, mas nada impede que maus elementos, ou pessoas com propósitos obscuros, também controlem a entidade.

Não estou falando da eleição que se aproxima, pois, segundo se propala, novamente pessoas honestas estarão na disputa, e por mais um período estará assegurada a existência de bons propósitos e o caminho reto.

Mas daí em diante, como será?  Como garantir que não teremos aventureiros ou interesseiros no comando?

Ainda mais, quando se propala que pelo menos R$ 6 milhões serão repassados pelo poder público à entidade.

Ainda hoje ouvi o atual presidente afirmar que há pouca participação dos sócios, porque um grande número deles sequer reside em São Mateus!

Ora, isso comprova que apenas uma pequena minoria de sócios decide por todos, podendo fazer o que bem entendem, já que na assembleia convocada para discutir a “venda” apenas dez pessoas participaram.

Assim eu pergunto: Onde está a responsabilidade do administrador, que entrega dinheiro público nesse volume, a uma dúzia de pessoas, que foi escolhida por outra dúzia de pessoas? Sem controle ou fiscalização alguma.

O atual prefeito foi escolhido pelo voto da maioria dos são-mateuenses, aproximadamente 18 mil, e é controlado e fiscalizado pela Câmara Municipal e seus vereadores, igualmente eleitos por milhares de nós, além de outros organismos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas.

Esses agentes públicos é que deveriam ter a responsabilidade de construir um novo hospital, e não delegar poderes que eles próprios receberam do povo, para terceiros, em uma clara tentativa de terceirização e de privatização dos serviços públicos de saúde.

Se não há capacidade e nem vontade para tocar uma obra desse nível de importância, que deixem para a iniciativa privada, mas que não se entregue dinheiro público de forma irresponsável e sem controle.

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

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