Um novo hospital II

12 de junho de 2015

A ideia de construir um hospital à margem da BR 476, através da aquisição do atual, sito na Rua Dr. Paulo Fortes, está causando polêmica, com posicionamentos contrários e favoráveis.

Ao que parece, ante a ausência de intenção real de se fazer um novo prédio, com mais leitos, UTIs e demais espaços e equipamentos necessários, está se vendendo que essa é a melhor, ou a única forma de fazer a coisa.

Um dos argumentos utilizados pelos que se posicionam favoráveis, é que de forma privada, ou particular, há maior agilidade e facilidade, tanto na contratação de mão de obra como na compra de materiais, elaboração de projetos, etc.
Ora, a burocracia prevista em lei, exigida para efetuar e gastos, imposta a entidades públicas ou subvencionadas, existe apenas para garantir a lisura e a honestidade na efetivação das despesas.

Leis e regras, não existem por acaso. Todas têm um determinado objetivo e em se tratando de dinheiro dos outros, ou de dinheiro público, existem várias normas que tem que ser seguidas e cumpridas, entre as quais a licitação, visando o pagamento do menor preço e a prestação de contas, visando comprovar que os gastos foram efetivos e bem feitos.
Querer fugir disso, me parece uma grande ingenuidade, ou o que é pior, má fé ou má intenção.

Evidentemente que você leitor, faz o que quer com o “seu dinheiro”. Até rasgar o mesmo, no caso de insanidade, você pode fazer sem que isso signifique um crime ou prejuízo para outrem.

Assim, não podemos, sob a alegação de agilidade e facilidade, deixarmos as regras de segurança de lado.

Outro dia, ouvi por aí, e até duvidei que fosse verdade, que a atual diretoria do Hospital, reclamava que o atual modelo de repasses feito pelo Município, através de convênio, não funcionava bem, pois se tinha a obrigação (!) de prestar contas!

Realmente, em se tratando de verbas que dizem respeito a todos (pública) isso sempre foi e sempre será necessário.
Se sendo assim, ainda ocorrem desvios e falcatruas conhecidas por todos, em todos os níveis e setores. Imaginem se não se tivesse essa exigência.

Será que esse repasse, simulado como uma compra de imóvel, não tem o objetivo de se negar a prestar contas ou fazer licitações ou promover disputas nas aquisições?

Afinal pode se alegar: estou comprando um imóvel, o que o vendedor vai fazer com o dinheiro, não me interessa, pois aí já não se trata de dinheiro público!

Se for esse o raciocínio, o mesmo peca por ser falso, um sofisma, na linguagem filosófica.

Quero crer que todos estejam bem intencionados, mas como diz o ditado popular, “o inferno está cheio de bem intencionados”.

Não podemos ser ingênuos ao ponto de achar que a ideia de um “novo hospital” signifique que podemos atropelar as regras de prudência e responsabilidade.

Em se tratando de recursos públicos e investimentos na área da saúde, as cautelas devem aumentar e não diminuir, como no presente caso, pois o que está em jogo é a própria vida das pessoas, que vão se beneficiar ou não com a correta aplicação de seu dinheiro.

Argos Fayad

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