Um fã

27 de janeiro de 2015

Dias desses participei de um bate papo, onde começaram a falar sobre essa agonia de querer ser famoso e/ou de conhecer gente famosa. O que leva determinadas pessoas a querer a fama, tema pertinente para o momento, quando tem início mais um Big Brother.

A direção da conversa dará mais desdobramentos por aqui, mas o que eu gostaria de comentar nessa oportunidade é o fato de ter conhecido algumas pessoas com relativa fama ou bem famosas num campo específico, digamos assim. Eu comentei quais seriam as pessoas que os parceiros gostariam de conhecer e aquelas que realmente tiveram oportunidade de conhecer. O que fariam se estivessem frente a frente com determinadas celebridades?

Eu particularmente não sou de ficar correndo atrás de ninguém nesse sentido, confesso que gostaria de poder conversar com determinadas pessoas, e digo que o roll de pessoas que sou “fã” não é muito extenso e por motivos diversos sou “fã” deles.

Algumas pessoas “famosas” que conheci foram todas por acaso, nunca fui atrás de ninguém, bom, apenas uma eu quase fui, mas na hora “h” deu um problema e não ocorreu.

Para quem gosta de futebol, dá pra falar que conheci quando criança, com 12 anos, o jogador Dirceu, que jogou a Copa de 78. Eu treinava no Coritiba nas categorias iniciantes e ele, como também começou por lá, quando podia visitava a garotada nos treinamentos, e foi quando peguei meu primeiro autógrafo — o dele. Não apenas consegui o autógrafo na camiseta, como tive a oportunidade de jogar ao seu lado. É, ele bateu uma bolinha com aquela garotada toda. Uma grande lição de humildade, pois ele já era conhecido, jogava na Itália, se não me engano, e retornando a Curitiba foi até onde começou, e não foi convidado, foi por saudade e por saber da importância que seria para aquela piazada toda que sonhava ser jogador de futebol. Hoje alguns jogadores medianos ou piores ainda, quando visitam algum local, seja o treino das categorias iniciantes ou um abrigo de velhinhos, quem sabe um hospital, anunciam para toda a imprensa, mais como uma jogada de marketing, do que espontaneidade.

O dia da visita do Dirceu foi surpresa até para o professor que nos treinava, pois ele treinou o Dirceu também… Lembro bem dele falando sobre a obediência para com os pais, o esforço de estudar e da dedicação que não só o futebol tem que ter, mas a dedicação em tudo na vida. Quem conhece futebol sabe que ele era um craque, mas mais do que isso, era daqueles que todo mundo, inclusive os adversários chamavam de boa gente, camarada ao extremo. Praticamente não fazia falta, nunca foi expulso, dizem que nunca revidou uma entrada desleal.

Uma criança sonhando ser jogador de futebol e conhecer um craque que jogou no seu time do coração, é um evento e me recordo até hoje com muita nostalgia e simpatia pelo gesto que foi. Mas uma grande dor, a recordação que também ficou marcada, foi quando anos depois chorei ouvindo sobre a sua morte. Falava com minha mãe ao telefone e ela sentiu uma grande tristeza em mim e perguntou o que foi que houve, e lembro como se estivesse acontecendo agora, falei:

“Aquele jogador que autografou minha camisa, quando estava no Coritiba, morreu num acidente hoje” (https://www.youtube.com/watch?v=YvcfDvNExns).

Minha mãe, que nunca gostou de futebol, ficou triste por mim e falou:

“Bom, agora ele foi jogar no Céu, que é um campo bem melhor”.

Tive a oportunidade de conhecer o lado gente do Dirceu, e por isso sou seu fã até hoje.

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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