Última hora para decidir

03 de outubro de 2014

Apesar da intensa campanha nas ruas, com significativa poluição visual, causada pelas malsinadas placas tipo cavalete, atrapalhando o trânsito e os pedestres, grande parte dos eleitores ainda não decidiu em quem votar.

Tal indecisão é muito maior no caso dos cargos legislativos, nos quais os candidatos são muitos, e os 10% ou 20% bons misturam-se aos 80 ou 90% sem nenhuma condição de ocupar um cargo público.

A culpa é de quem?

De todos nós, mas principalmente dos atuais detentores do poder, que há muitos anos prometem uma reforma política e não o fazem. O atual sistema, em minha opinião, está defasado e a exigir mudanças.

Os partidos políticos, que deveriam ser um filtro para lançar apenas candidatos que possuam alguns requisitos, só se preocupam em lançar o maior número possível, sem dar nenhuma importância às condições pessoais dos pretendentes.

A lei eleitoral é tão ingênua, que obriga os partidos a lançarem um determinado número de mulheres – 30% – em suas chapas. Ora, como obrigar, forçar alguém a ser candidato? Se a pessoa não quer, não é uma obrigação imposta de cima para baixo que vai convencê-la a fazer isso ou aquilo. Nesse caso, para atender à lei o que os partidos fazem? Simplesmente pegam assinatura de uma filiada, que muitas vezes sequer sabe o que está fazendo, apenas para cumprir a determinação legal. Nesse caso, a candidata é apenas de fachada, virtual, para ocupar lugar.  Não faz campanha e não pede um voto.

Esse é um pequeno exemplo da necessidade da reforma, pois, de leis burras, estamos cheios.

Evidentemente que a participação feminina é importante, crucial até, pois não podemos prescindir da mulher em nenhuma área de atuação, mormente na política. Mas daí, a querer conseguir maior participação das mulheres pela imposição, pela letra fria de uma lei, vai uma grande distância.

A pouca participação política do sexo feminino é um reflexo do pouco interesse das mesmas em participar desse campo minado que é a política, pelos seus dissabores e pelos maus elementos que a compõem. É preciso de algum estômago no começo, pois os exemplos negativos são muitos e os positivos, bastante escassos.

Entretanto, somos unânimes de que “é preciso mudar”, mas o que tem acontecido é que entramos no meio político com muitos ideais, que logo são deixados de lado, pois o exemplo é de que só os políticos tradicionais é que conseguem se eleger.

Isso demonstra que não são só os candidatos que devem mudar, mas o próprio eleitor e o seu discernimento.

Argos Fayad

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