Ser humano

11 de setembro de 2015

O que você faz se a casa de seu vizinho, ao ser atingida por um evento natural, ficou totalmente destruída, deixando ao relento toda a família que ali residia?

Fica simplesmente assistindo o desespero e o sofrimento dos moradores, simplesmente comunica as autoridades, ou passa a ajudar de todas maneiras, primeiro dando abrigo em sua própria casa para aqueles atingidos pelo infortúnio?

Se você não aprendeu em casa, com sua mãe ou seu pai, a ajudar àqueles que precisam, ou que estão passando por uma situação de risco, é muito provável que fique estático e pense muitas vezes antes de agir.

Além de “aprender” a ser caridosos no âmbito familiar, em nossa casa, todas as religiões ensinam que devemos ter compaixão e nos solidarizarmos com o sofrimento dos outros, procurando ajudá-los da melhor maneira possível.

A isso, podemos chamar de civilização, educação, bom caráter, bondade, solidariedade, compaixão, compreensão, fraternidade etc.

A mim custa crer que alguém não seja dotado desses sentimentos, por isso nos assustamos quando, a pretexto de situações políticas, alguns de nós nos posicionamos contra a vinda de haitianos a nosso país, colocando algumas justificativas inaceitáveis e não verdadeiras.

Colocando a pergunta inicial de outra forma, o que você espera de seus vizinhos se sua casa está pegando fogo ou se foi atingida por um tufão e ficou destruída?

A Europa, principalmente a Alemanha, através de sua primeira ministra Ângela Merkel, tem liderado o continente no caso dos refugiados da Síria e da África, dispondo-se a receber centenas de milhares e propondo que os países mais ricos recebam quotas maiores de refugiados e imigrantes.

Essa não é e nunca será uma questão econômica, ou de que aqueles que vêm vão tomar o lugar de algum dos nossos, como se propaga por aí, mas uma questão humanitária. Ser humano, como diz o título da matéria.

Até para “ser humano” é preciso saber, conhecer, ter discernimento, para não agirmos com estupidez, insensibilidade e intolerância, os grandes males da atualidade.

Por isso nos regozijamos quando uma grande liderança mundial afirma que a vinda dos refugiados tornará nosso país melhor dentro de alguns anos.

Ninguém pode ficar impassível e não se comover com as tragédias e naufrágios que assistimos diariamente no noticiário. Tudo é chocante, triste e desnecessário, como a imagem da criança de dois anos morta na praia e logo após ser carregada nos braços por um soldado.

Acharmos que tudo aquilo não nos diz respeito é nos isolarmos no egoísmo e na inconsequência, é contrariar a sábia frase “ao salvarmos uma vida, estamos salvando a humanidade”.

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

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