Responsabilizar é necessário

13 de fevereiro de 2015

Devido ao meu ofício atual, sempre estou circulando pela cidade e quase sempre sou questionado da seguinte maneira: “Você que trabalha no jornal, o que acha da situação do país, o que tem a dizer?”. Primeiro eu acho engraçado por acharem que a minha opinião seja importante, mas creio que seja por imaginarem que a minha opinião é a que impera no trabalho que desenvolvo, e não é. Ao transmitir as notícias a ideia é me ater aos fatos — a opinião é outra coisa. Como qualquer brasileiro eu estou um tanto assustado com a situação e como otimista que sou, espero que as coisas entrem nos eixos o mais rápido possível, mesmo sabendo que os eixos serão outros.

Não tenho o costume de ficar emitindo opinião em qualquer coisa ou em qualquer situação que presencio. Sendo curto e grosso, não tenho o costume de me intrometer, mas quando perguntam minha opinião procuro emitir sem maiores problemas. A situação na verdade está bem complicada e nos dois lados, no âmbito federal e no estadual, ou seja, onde um é oposição e o outro situação, está tudo complicado e o engraçado é que as pessoas parecem que colocam uma venda nos olhos e só olham o erro do outro lado, indistintamente.

A questão agora, creio eu, é como fazer para sair desta situação, algo a nível nacional e estadual, bem difícil na minha opinião, pois vai necessitar o esforço de muita gente que não provocou essa situação. Mas também creio que é necessário criar mecanismos para evitar que ocorram isso novamente, pelo menos no nível em que vemos tudo hoje em dia.

O que mais tenho comentado ultimamente é sobre a necessidade de se penalizar, de se cobrar a responsabilidade dos dirigentes, mas cobrar efetivamente. Ninguém é obrigado a ser um prefeito, governador ou presidente. Mas, se está nessa posição, tem que ser cobrado por isso, cobrar as responsabilidades. Exemplifico: se a direção da Petrobras provocou realmente todos os ataques aos cofres que estão sendo divulgados, eu pergunto quem colocou lá esses diretores… está na hora de parar de passar a mão na cabeça dos amigos criminosos, para tentar preservar o partido ou quem quer que seja. Comento que acho bacana o que acontece nos Estados Unidos, pelo menos o que ouvimos e vemos às vezes nos noticiários, e me recordo bem o caso do ex-presidente Bill Clinton, que num “assédio” à estagiária, foi parar diante dum juiz federal para dar explicações. Ele, o homem mais poderoso do mundo, foi parar no banco dos réus em frente a um juiz, se explicando pelo erro que cometeu. Não falo aqui sobre ser grande ou pequeno o que fez, mas o fato de prestar conta — independentemente de ser o presidente dos Estados Unidos da América, foi responsabilizado.

Quando um dirigente que ganha R$ 30 mil por mês, que ganha R$ 20 mil por mês, ou o valor que seja, partindo da premissa que ninguém o obrigou a ser vereador, prefeito, governador, deputado, ou o cargo eletivo ou comissionado que seja, se fizer “besteiras” que seja responsabilizado por isso. Não se pode quebrar um banco, uma prefeitura, uma empresa como a Petrobras e ficar por isso mesmo, por incompetência ou deliberadamente.

Sejamos honestos conosco mesmo, independente de que partido for, devem ser responsabilizados por isso.

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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