Remédio para doente

18 de setembro de 2015

Se você ficou doente, o primeiro passo é saber o que você tem, em seguida tomar o remédio para a cura de seus males, tudo de acordo com o diagnóstico médico.

Simples não?

Na política as coisas são bem diferentes.

É o caso da recente crise econômica por que passa o país.

O governo errou no passado, ou passando para a linguagem corriqueira, não se cuidou devidamente, exagerou em alguns sentidos e a economia ficou doente, surgindo o fantasma da inflação e da recessão. Tudo culpa dele mesmo.

Os remédios que têm que ser administrados, para sua cura, são a economia nos gastos e o aumento da arrecadação, de forma conjunta.

Há no momento quase uma unanimidade nesse diagnóstico, que é de dez entre dez economistas.

Mas para que isso aconteça, o governo – diga-se Executivo – necessita do Congresso, diga-se Legislativo, e o que acontece?

A oposição, seguida por uma ampla maioria de ex-aliados, argumentando que foi o próprio governo que deu causa a sua doença, não aprova nada do que lhe é pedido, torcendo para que este morra da doença de que foi responsável.

Muito lógico e natural, se fossem eles os políticos que pagassem para ver, ou na linguagem vulgar, “pagassem o pato”, quando na realidade quem vai “pagar o pato” somos nós, população brasileira.

Se nada for feito, corremos o risco de nos tornarmos uma Grécia ou uma Venezuela, apenas para citarmos dois exemplos negativos.

Lá em cima — Brasília — a luta travada é a luta para o Poder e não a luta para resolver os problemas da nação.

Além da luta para alcançar o poder, que seria legítima se não prejudicasse ninguém, o que vemos são querelas pessoais, como a do atual presidente da Câmara, que quer se vingar da presidente Dilma e de seu governo, por achar que são eles os responsáveis pela recente denúncia criminal apresentada conta si, pela apropriação de 5 milhões de dólares!

Cada lado busca apresentar suas razões e os argumentos às vezes parecem sólidos e justos, utilizando-se o povo — nós — como massa de manobra.

Afinal, quem entre nós, 204 milhões de brasileiros, é favorável a aumentar impostos?  Se a carga tributária já é excessiva.

Quem de nós é favorável em se cortar programas ou verbas federais que auxiliam imensas camadas da população?

Evidentemente que ninguém, mas se não há outra solução, o que fazer?

Deixar o doente morrer? Porque ele não se cuidou como devia.

A presidente perdeu sua credibilidade e muitos exigem o seu impeachment, mas o que dizer do atual Congresso?

Se for para resgatar a confiança, e para não respeitar os mandatos, que todos renunciem coletivamente, se convoquem novas eleições, para todos os níveis.

Agora ficar acusando um ou outro, sem oferecer nada de concreto e objetivo, apenas acusando sem oferecer alternativas, é o pior e mais nocivo caminho, próprio dos demagogos e dos inconsequentes.

Essa pequena análise do atual momento, por analogia entre a saúde e a doença, feita acima, também pode ser realizada, como exercício mental, pelo pai de família que abusou de seus gastos, deixou furtarem muitos de seus bens, comprou coisas desnecessárias, não administrou adequadamente suas finanças, emprestou dinheiro, deu mesadas excessivas a seus filhos, permitiu que gastassem demais, não economizou luz, água, celular, etc. E ao final do mês encontra-se endividado e sem condições de cumprir com seus compromissos.

Pergunta-se: O que ele tem que fazer para sair dessa?

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

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