Reflexões a partir do capítulo IV do livro A República de Platão

12 de agosto de 2016

por Airton Gasiorck

 Através do cap. IV do livro “A República de Platão”, vamos tentar levar o leitor a refletir sobre as possibilidades de estabelecermos um bom governo em nossas cidades. É claro que vindo de um filósofo que divaga sob o mundo das ideias precisamos ter em nós que essas concepções do que seria um governo ideal provindas dos diálogos que Sócrates tem com alguns cidadãos de Atenas não podem ser levados em conta se comparados com a realidade a que estamos inseridos. Porém, nem tudo está perdido, podemos também levar em conta que a falta de vontade, ou melhor, dizendo que a vontade de poder vem na contramão das virtudes muito bem referenciadas no livro, virtudes essas que seriam essenciais para se fazer um bom governo. A falta dessas vem sendo um grande entrave para a realização daquilo que Platão apresenta em seu livro como sendo um governo bom para todos.

Entre tantas excelentes ideias sobre uma boa governança, a que mais me chama atenção não vem propriamente do administrador, mas sim daqueles que fazem parte da cidade, daqueles que são responsáveis pela vida da cidade, seja na área da segurança, da economia ou educação.

Sim, o seu povo, aqueles que realmente podem garantir que a estrutura física e moral de uma cidade possam alcançar patamares próximos de uma perfeição. O livro vem nos chamar a atenção sobre a necessidade de termos bons profissionais, profissionais de diversas áreas a qual compõe as engrenagens do que seria a força motora de uma cidade.

O artesão, soldado, agricultor, escultor, entre outros, deveriam ser bons naquilo que fazem. Tinham que ter plena capacidade e responsabilidade sobre suas atribuições e isso pouco teria a ver com questões particulares, mas sim com a possibilidade de apresentar bons serviços para aqueles que necessitam dos seus afazeres. Não se devia fazer somente por fazer, mas fazer bem feito, fazer para além do lucro e desejos pessoais, pois este, segundo Sócrates, corrompe o homem e acaba com o bom andamento de uma cidade.

Sócrates, em seu diálogo com Adimanto, diz que uma boa cidade tem a ver com uma cidade feliz, e esta felicidade se compara à estética, tudo deve estar em perfeita harmonia, onde todos cujas suas funções devem trabalhar com grande competência e honestidade para que se possa garantir a felicidade e a beleza da cidade.

Por exemplo: a felicidade dos guardas da cidade por estarem servindo a sua pátria, mesmo sem grande soldos, deve estar explícita na execução do trabalho. Esse soldado deveria fazer parte disso e não ser um simples objeto manipulado para atender interesses particulares.

Todas as classes (profissões) devem participar da composição da cidade, não somente pelo dinheiro ou pela possibilidade de fazer riquezas. Sócrates faz a comparação com outros diálogos onde a corrupção está em ter posses e na falta delas. O objetivo primeiro de qualquer profissional de uma cidade não deve estar no dinheiro e sim de ser uma peça importante na composição da mesma.

A partir desse trecho é que percebemos que, para mais do que um bom governante, precisamos ter bons cidadãos. Podemos refletir sobre a importância de nos conscientizar do nosso papel na sociedade, que para além de exercermos nosso ofício para garantir o nosso sustento, o mesmo também garante a beleza, a felicidade e o bom governo da cidade.

 

Airton Gasiorck
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade do Contestado – Campus Canoinhas.
Pós-graduando em Ensino da Sociologia pela Unicentro.
Presidente das Obras Sociais, Assistenciais e Culturais de Canoinhas.
Professor de Sociologia do Colégio São Mateus – São Mateus do Sul – PR.
Membro do Grupo de Estudos em Ciências Humanas do Colégio São Mateus.

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