Quem não vive pra servir

01 de agosto de 2014

Quem viveu os maravilhosos anos 1980 deve ter muito vivo na memória o Solidarnosc, o famoso sindicato do estaleiro de Gdanski, na Polônia, que fez uma revolução por lá. Os estudantes universitários tinham Lech Walesa como herói, por fazer uma revolução sem armas.

Nos recentes acontecimentos em nossa cidade, no tocante as maravilhosas ações de solidariedade, eu associo o nome do sindicato a essas ações, não apenas pela tradução, mas pelo som da palavra (acho muito legal e as vezes engraçada o som das palavras polonesas). Fico muito gratificado de morar num lugar assim e poder participar das diversas ações espontâneas em prol de alguma causa, seja numa campanha do agasalho, doação para quem sofreu com as chuvas ou quem necessite de algum tratamento de saúde, e por aí vai…

Mas, na verdade, eu fico espantado com uma coisa, ou diversas coisas… fico analisando o que leva alguém a ajudar intensamente alguém que não conhece, e muitas vezes nem vai conhecer. Emprega esforços e ou dinheiro, torce, ora por ela, se preocupa, se angustia e tudo o mais. Isso faz com que a fé nas pessoas cresça cada vez mais.

Por vezes, me pego na frente da TV ou lendo um jornal, acompanhando uma notícia onde um esforço gigantesco de salvamento de uma pessoa soterrada, ou uma cirurgia extremamente difícil que durou mais de 20 horas e dezenas de profissionais envolvidos. Buscas incansáveis de alguém desaparecido e toda a sorte de envolvimento para salvar uma única vida que seja, em qualquer situação. Isso aquece o coração da gente e acompanho o desenrolar dessas notícias, numa torcida bem maior do que uma final de um campeonato, mesmo sendo por algo ou alguém que nunca verei. Entre outros pela simples torcida para que o bem vença. Pena que essas notícias sejam escassas…

Por outro lado, me angustia muito ver tantas notícias sobre mortes, não que isso não faça parte da vida, mas tantas mortes sem sentido, por banalidades, por puras besteiras e outras tantas sem o menor sentido. Fico imaginando o que um médico que ficou por 12 horas numa cirurgia, que ao todo durou perto de 20 horas, participando de um transplante múltiplo e salvando a vida de uma única pessoa, sente ao ver que “um simples canalha mata um rei” (como diz a música Canção do Novo Mundo, do Beto Guedes https://www.youtube.com/watch?v=tTyxT32117c), um tiro sem o menor sentido tirando a vida de alguém, ou ver a notícia de guerra na Croácia ou no Oriente Médio, matando centenas ou milhares de pessoas por ignorância…

Qual é o valor que se dá para a vida? Eu fico meditando e pensando e sofrendo e me angustiando várias vezes quando vejo notícias que colocam o homem na pior situação da cadeia animal, pensando muitas vezes que Deus deveria ter pedido para Noé fazer a arca, mas ficar de fora dela, deixar apenas os animais lá dentro…

Mas agradeço a Deus também por me colocar num lugar onde a “solidarnosc” impera, e me deixa assim, ter muita esperança, já que sou um otimista convicto e chato nesse sentido.

Gosto muito de frases e uma que eu acho que deveria ser ensinado para todos desde criança é a seguinte: “Quem não vive pra servir, não serve pra viver”. Assim teríamos um mundo um pouquinho melhor, por aqui fazemos a nossa parte…

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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