Quem cai antes?

16 de outubro de 2015

A crise política em que vivemos agrava-se ainda mais com a crise econômica, fazendo com que perguntemos: onde vamos parar com tudo isso?

A situação é preocupante, principalmente porque não vemos a chamada “luz no fim do túnel”, como afirmou a presidente, querendo dar a entender que as coisas estavam clareando e que as soluções estavam à vista.

Nessa terça feira, o STF concedeu medida liminar dizendo que o presidente da Câmara não poderia encaminhar o pedido de impeachment feito pelo jurista Hélio Bicudo e outros, da maneira que estava fazendo.

Esse deputado, Cunha, já demonstrou todo seu poder ao enfrentar e ganhar do governo e toda sua máquina, nas últimas votações realizadas na Câmara.

O fato relevante é que quem preside o processo de cassação ou não do mandato executivo, é um parlamentar sob suspeita, e que também pode ser cassado, caso se comprove a existência de contas no exterior, recentemente denunciadas pelo procurador da República.

Ao seu lado, e sob seu comando, está um Congresso repleto de parlamentares que atuam exclusivamente a seu próprio favor, esquecendo a nação e sua população.

Como confiar num julgamento justo e imparcial, quando os interesses pessoais, políticos e partidários, são muito superiores aos interesses dos governados?

Uns pouco mais que 300 indivíduos terão que decidir por mais de 200 milhões. Se quiserem fazer Justiça, devem começar pela própria Casa. Será que farão isso?  Essa é a democracia representativa em que vivemos.

“A democracia é um péssimo regime, mas é o melhor que eu conheço”, já disse um pensador importante.

Outro, o jornalista americano H.L Mencken, desancava em meados do século passado a democracia e muitas de suas consequências malignas. Não estou aqui pregando a mudança de regime, mas provocando uma reflexão mais séria.

É de Mencken a frase que muito bem se aplica aos tempos atuais: “dá-se mais valor a um relincho que a 100 silogismos”.

Quando isso acontece, não há luz que apareça, pois a escuridão e a estupidez é que prevalecem.

De qualquer forma, a conclusão a que chegamos é que devemos pagar todos pelos erros cometidos, pois mesmo que não se tendo a intenção de errar, trata-se de um “erro na escolha”, o qual no Direito é definido por uma expressão latina, “error in iligendo”, muito propriamente como se vê.

A esperança que resta é que a recuperação da economia e o crescimento econômico podem voltar a tornar nosso país viável e o povo mais feliz.

Vamos apostar nisso e melhorar nossas escolhas, porque um governo ruim é ruim para todos, independentemente de quem o tenha colocado lá.

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

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