Que tal a volta do Sugismundo

16 de novembro de 2014

Viajo semanalmente para Curitiba e vejo sempre muitos porcalhões pelo caminho. Sai voando dos carros e caminhões, latas, pacotes de tudo quanto é tipo, e sem falar das bitucas de cigarro. Chego a lembrar de um antigo personagem de uma campanha dos anos 70 (se não me engano), para se evitar sujar as ruas, o Sujismundo (https://www.youtube.com/watch?v=-XCa1C7RB9E). Ele deixava seu rastro de sujeira por onde caminhava. Creio que esta campanha deveria voltar urgentemente.

Tenho o costume de andar pela rua e volta e meia acabo catando lixo que deixam por aí… e depois jogo no seu devido lugar. Tenho o costume de chupar bala e mascar Trident, e por conta disso ando com os bolsos cheio de papel, e que muitas vezes acabo por esquecer de tirar na hora de lavar e lá vai aquele monte de fiapos junto. A mesma coisa acontece no meu carro, é muito papel de bala…

Já copiei o gesto de um grande amigo, em catar lixo que jogam na minha frente e peço desculpe e me faço de rogado dizendo, que a pessoa deixou cair sem querer, só pra ver a reação da pessoa em saber que alguém viu ela jogando lixo na calçada, quando deveria levar até uma lixeira. A coisa fica mais legal ainda quando esta pessoa está com criança junto, seja ou não filho…

Morei alguns anos numa belíssima cidade que é Maringá, quem conhece concorda comigo, muito linda e verde, mas sempre me entristeceu um fato de lá, a quantidade de lixo espalhado pelas ruas. Concordo que falta lá também, como na maioria das cidades, as lixeiras, mas isso não é desculpa para se jogar lixo por onde se passa. Um amigo meu, lá de Maringá um dia numa conversa, onde falei sobre isso, ele saiu com essa, “a fata de lixeira não é desculpa, pois na hora do aperto a gente dá um jeito de achar um banheiro e não sai se aliviando por aí…”, sábias palavras.

Já me chamaram de lixeiro, tanto aqui em Samas, quanto em Maringá, por catar lixos maiores e levar até uma lixeira, só respondo que é o lugar onde vivo e prefiro me abaixar pra catar um papel ou sacola, para vê-lo limpo e não me importar de alguém que ache engraçado ou tire sarro disso. Faço a minha parte. Não conclamo a ninguém a sair por aí catando lixo também, apenas o fato de não jogar ou quando ver alguém fazendo isso, chame a atenção, será de grande valia pra ver nosso ambiente, nossa cidade um pouco mais bonita e agradável. É uma questão de educação, simplesmente.

Me recordo que há muito tempo um professor que tive no segundo grau, falou da vergonha que ele passou certa vez em Blumenau. Ele estava num ponto de ônibus e chupando uma bala, acabou jogando no chão o papel e um garoto que estava com o pai no ponto também, foi lá e catou o papel. Ele ficou intrigado com aquilo, e fez de novo só pra testar o garoto, e sem que ninguém falasse nada, ele foi lá e catou o papel de novo e guardou no bolso. Disse que a vergonha foi tanta com o gesto do garoto que acabou por ir a pé, sem coragem de pegar o ônibus… Disse depois que daí reparou que a cidade que ele visitava era realmente a cidade mais limpa que já havia visto e sabia bem o motivo.

É um pequeno gesto que faz muita diferença enorme, não apenas para a limpeza da cidade, mas para não se jogar lixo no terreno baldio, depois não cortar árvores das calçadas, não desperdiçar água, e aos poucos mudar as coisas maiores… Lembro de uma frase que diz assim, falando dos jovens, mas serve para todos nós que somos jovens, mesmo com 50, 60 70 ou 100 anos… “Todo jovem quer mudar o mundo, mas deveria começar por arrumar seu quarto”… vamos arrumar a nossa casa, dando início por não jogar e não deixar que joguem lixo nela.

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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