Quanto mais muda…

10 de outubro de 2014

O resultado da eleição de domingo não foi o esperado para muita gente, mas principalmente para aqueles que queriam grandes mudanças.

Os movimentos populares do início e meio do ano, ao que parece, se perderam em meio à campanha política, demonstrando que o fenômeno foi passageiro e não se sedimentou na sociedade brasileira.

Não tendo mais com que protestar, como ocorreu com a Copa do Mundo, ou no caso local, com o aumento do número de vereadores, o eleitorado comportou-se como antes e elegeu em, sua maioria, as velhas práticas políticas, da propaganda bem realizada, do abuso do poder econômico e político, e da falta de informação correta.

A racionalidade ficou de lado e acabaram sendo eleitos, ou candidatos desconhecidos, sem um passado ou história política ou de vida, ao lado de políticos experientes, de vários mandatos e de conduta duvidosa ou questionável.

Passemos aos exemplos: Para deputado federal, a mais votada, com surpreendentes 200 mil votos, foi a mãe, Cristiane Yared, que após a tragédia familiar que passou, ocupou bom espaço na mídia, e por suas posições, alcançou a admiração do eleitorado paranaense. Ao seu lado, dois políticos de vários mandatos e com votação semelhantes, sendo um de Londrina e outro de nossa vizinha Bituruna.

Para a Assembleia Legislativa, o radialista e comunicador Ratinho Massa alcançou os 300 mil votos previstos, e levou consigo a maior bancada, tornando-se maior que os próprios partidos políticos e demonstrando que o atual sistema está falido.

Ainda na Assembleia, foram eleitos e reeleitos, tanto os deputados que se intitularam por terem corrigido os erros e desvios ali cometidos, como os que foram acusados de cometerem esses erros e desvios.

Os candidatos locais, em número de quatro, novamente não conseguiram seu intento, tendo ficado muito longe da votação necessária a disputar uma vaga.

Neste caso, o destaque foi nosso vice-prefeito, que, alcançando mais de 11 mil votos, ainda ficou distante de qualquer chance, demonstrando que uma candidatura local precisa ser melhor construída, tanto perante a sociedade local, como junto à classe política. Difícil mas não impossível.

A nível de majoritária, elegeram-se os que tinham a melhor imagem perante o público eleitor, sem serem analisados por seus atos e sua atuação política. O que valeu foi a simpatia e o que eles simbolizavam, sem importar-se com a sua atuação.

Agora com o segundo mandato, espera-se que Richa realmente comece a governar o Estado e a atender aos municípios, o que não aconteceu até agora.

Para a presidência, jogamos para o segundo turno a decisão definitiva e a pergunta final: continuamos com o que aí está, com as promessas de corrigir o errado, ou vamos experimentar, de novo, o partido contrário que promete ser diferente e continuar com o que está dando certo.

Qualquer que seja a decisão final, sabemos que essa luta política não é a luta do bem contra o mal.

Todos possuem defeitos e qualidades. O que é preciso é colocar tudo na balança, e ver o que pesa mais.

Argos Fayad

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