Público x privado

26 de setembro de 2014

Quando se trata da análise da eficiência administrativa e dos avanços de um governo em determinado período, é necessária uma indagação mais acurada e sem pressa, pois a empulhação a embromação, ou a enganação, são muito comuns nesses casos.

Agora mesmo, vimos no programa eleitoral do atual governador como grande realização de “seu governo”, a construção de grandes obras no Estado, todas elas de natureza privada, dinheiro particular portanto. A realidade desses investimentos, todos eles do próprio caixa das empresas, ou por meio de empréstimos do combatido governo federal, sendo alardeados como conquistas e “obras” do atual governo do PSDB.

Muitos se iludem com essa propaganda enganosa, à falta de um melhor discernimento e de uma melhor isenção política.

Os investimentos citados foram as ampliações das fábricas da Renault,  da Klabin e da Ambev, todas empresas poderosas e com presenças significativas no mercado e na economia nacional e internacional.

Evidentemente que todas elas são bem vindas e importantes para o crescimento da nossa economia, emprego, etc, mas daí a querer impingir ao povo em geral que se tratam de conquistas do governo estadual, há uma longa distância.

Primeiro, porque não se tratam de indústrias de cunho estadual ou regional. Seu mercado não é só nacional mas mundial, e todas são impulsionadas, ou não, pelo que acontece em termos de política a nível federal em primeiro lugar, e secundariamente com relação à economia internacional.

Segundo, porque ninguém faz investimentos tão altos, somente pela simpatia com o atual governante, ou porque ganham um benefício aqui e outro acolá, que se diluem com o passar do tempo e que são fatores temporários.

Terceiro, porque o que as grandes empresas querem é logística de transporte, localização e mão de obra, elementos que não são oferecidos por governos, a não ser a longo e médio prazo.

Um governo que se orgulha como realização ou como obra sua algo que foi feito por terceiros, é porque nada ofereceu à sua população nos últimos anos. É porque pouco ou nada fez ou realizou.

Basta citar, como exemplo, que o principal investimento na saúde no Paraná, nos últimos quatro anos, foi a construção de um hospital particular, em Campo Largo, com 1,2 mil leitos e 300 de UTIs, investimento privado de profissional médico daquela cidade, que mostrou com a cara e a coragem o que a maioria de nossos governantes deveria.

É a mesma coisa com o “combate à corrupção” que muitos anunciam como programa de governo ou realização pessoal, e que nada mais é do que a primeira obrigação do bom político e do bom governante.

Combater a corrupção é necessário, mas ficarmos dizendo, e repetindo, que temos coragem e que fazemos isso diariamente,  nada mais é que manipulação, falar o que agrada aos ouvintes, sem ter nada de concreto a apresentar.

Argos Fayad

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