Pior do que se pensava

03 de abril de 2015

As recentes notícias de corrupção no governo do estadual, estampadas por toda imprensa, agora até em nível nacional, nos levam à conclusão de que a situação atual do Estado é muito pior do que se imaginava.

Se antes pensávamos apenas em desgoverno ou má gestão dos recursos públicos, originados pela falta de experiência administrativa e incompetência do nosso governador, agora temos diversos escândalos de corrupção que atingem a honra e a boa fama de nosso maior dirigente.

Era o que faltava para podermos taxar o governo Beto Richa como um dos piores da história do Paraná.

Os mais velhos ainda lembram do governo Lupion, que graças a uma campanha muito bem encetada pelo então nascente líder político Ney Braga, ficou cognominado como “ladrão”, embora tenha realizado uma gestão de muitas obras para a época.

O fato é que o atual governador, com sua boa aparência e com a maneira gentil com que trata as pessoas, e com muito apoio político e financeiro, conseguiu se impor como deputado estadual, depois como prefeito da nossa capital e agora com dois governos consecutivos.

Como uma pessoa despreparada conseguiu acumular tantas vitórias eleitorais e obter amplo sucesso em sua carreira política?

Essa indagação é a que fica e as respostas são várias, mas a mais importante é a grande propaganda feita pela eficiente máquina publicitária, a ilusão pelas mentiras e promessas e o engano pelas aparências, tudo isso, aliado à falta de atenção e discernimento do eleitor.

Quando na campanha, seus adversários o acusavam de “filhinho de papai”, ou “piá de prédio”, para caracterizá-lo como uma pessoa sem condições de ocupar um cargo tão importante, a maioria não deu bola, achando que era mera retórica eleitoral e que não se deve falar mal dos outros numa campanha política.

Agora a realidade revela que muitas das críticas a ele dirigidas eram verdadeiras e tinham procedência, e que os filhos nem sempre seguem o exemplo dos pais.

Mas agora é tarde. O homem já está lá e teremos que aguentá-lo ainda quase quatro anos, ao menos que nossos deputados tomem vergonha na cara e iniciem uma CPI e após um processo de impeachment.

O grande abalo e as denúncias quase diárias parece que não transformaram o governador, que continua com a mesma cara e os mesmos argumentos, embora seja claro o seu envolvimento com o “primo” distante e com o fotógrafo contratado como seu assessor e que realizou acordo de delação com a Justiça.

Enquanto isso, assistimos a uma sucessão de escândalos envolvendo o Executivo, o Legislativo e o Tribunal de Contas, lembrando que há pouco tempo o Judiciário também esteve envolvido sendo necessária a intervenção do CNJ.

Em suma, esse o Paraná de hoje, em matéria de exemplo negativo, está em um dos primeiros lugares entre todos os entes federativos.

Argos Fayad

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