Para 2016

05 de fevereiro de 2016

Chega o final do ano e a maioria das pessoas começa a pensar na vida, no que fez durante o ano e no que deixou de fazer dentre todas as coisas já programadas no ano anterior. E então passam a planejar (ou replanejar) os desejos para o ano que se inicia.

São momentos de reflexão que transformam a energia de todos os lugares, pois cada um pensa em ser um pouquinho melhor nos próximos dias.

Não diferente dessas pessoas, eu também parei para analisar o meu ano.

No final de 2014, eu tinha comprado um vestido novo, de alcinhas finas, branco com listras cor-de-rosa. Ficava acima do joelho e tinha um cinto delicado, em couro branco e a fivela dourada com ranhuras em flores. Eu iria usá-lo na chegada de 2015.

Eu tinha feito uma sessão de quimioterapia no dia anterior e não estava disposta. Eu estava careca, sem cílios e sem sobrancelhas. Não me achava bonita e não quis usar o vestido. Ele ficou guardado no armário para outra ocasião, como o meu velório, por exemplo.

Naquele dia 31, eu estava enjoada e não sentia gosto de comida nenhuma. Apesar de a família estar reunida, contando piadas e rindo, eu chorei muito. A única coisa que pedi, no primeiro minuto de 2015, foi ter cabelos novamente.

E no último dia de 2015, me deparei com aquele vestido. Ainda estava com a etiqueta da loja onde comprei. Não hesitei em usá-lo na virada deste ano. Penteei os cabelos. Até passei um pouco de gel. Fiz uma maquiagem leve, com rímel e lápis. Usei batom.

Faltando segundos para o ano novo, eu comecei a fazer os meus desejos. Eu poderia listar aquelas coisas que todo mundo pede na meia-noite do dia 31, como paz, amor, dinheiro, saúde e todos os outros pedidos que normalmente são representados por cores que influenciam até a roupa que vamos vestir.

Mas aí vai a minha lista:

1 – Beijos molhados: aqueles sinceros. De olhos fechados. De amor. Acompanhados de longos abraços apertados.

2 – Passeios de bicicleta: de preferência em descidas. Em alta velocidade com o vento batendo no rosto.

3 – Blusas quentinhas. Com chá de camomila e filmes debaixo do cobertor nos dias de inverno.

4 – Grama: e terra. Sujar as mãos e os pés. Plantar árvores e subir em um monte delas.

5 – Nós: nos cabelos bagunçados. E entre a gente também.

6 – Doces: brigadeiros e tortas de bolacha cobertas com granulado de chocolate. E pudim.

7 – Água: na chuva enquanto faço uma caminhada, nos lagos refletindo o pôr do sol e na praia junto com areia grudando nas pernas.

8 – Risos: piadas, histórias, desenhos animados, tombos e batidas do dedinho do pé no canto do sofá.

9 – Sonhos: realizados. E de creme, doce de leite ou goiabada.

10 – Tudo: em um dia só. Todos os dias. Agora.

Francini Franco do Prado

francini.adv@hotmail.com |

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