Os trigêmeos: uma partida rápida

20 de fevereiro de 2015

Foi uma surpresa a gestação, e logo na primeira consulta fomos fazer o primeiro ultrassom. Eu comecei o exame e logo disse: “Agora não gritem”, brincando. “Um, dois, três… São trigêmeos!”

Pedro e Carol ficaram extasiados com a notícia de ter três bebês, dois meninos e uma menina, que logo receberam os nomes de Ricardo, Jessica e João. O principal problema para eles naquele momento era pensar que não tinham o número suficiente de braços para segurar os filhos. Eles realmente estavam muito animados com a chegada dos bebês, em fevereiro de 2013, e começaram a preparar a casa para isso.

Tudo ia muito bem, eles iam crescendo a cada dia e se desenvolvendo na barriga de Carol. Porém, o corpo dela começou a apresentar sinais de que estava sendo difícil a gestação de três bebezinhos. Ela tinha dores de cabeça, dores e palpitações no peito e refluxo, Apesar disso, os bebês iam bem. Com 22 semanas de gestação, Carol tinha as medidas de uma gestação de 35 semanas e o pesadelo começou.

Numa noite, ela começou a sentir pontadas e dores no abdômen. Era uma situação muito difícil, não apenas porque eram muito pequenos por serem trigêmeos, mas também porque seus pulmões ainda não tinham se desenvolvimento o suficiente para respirar. Sendo assim, eles não poderiam ser colocados em ventilação mecânica, pois seus pulmões subdesenvolvidos poderiam explodir causando morte imediata.

Nas primeiras horas do dia 15 de novembro, os três pequenos bebês nasceram e foram para UTI neonatal, pesando entre 360 e 450 gramas. Eles nasceram cheios de vida e se movendo muito, mas partiram rapidamente.

Carol e Pedro não tinham escolha. Teriam que deixar seus filhinhos partirem tão rapidamente como chegaram. Apesar da tristeza indescritível que tomou a vida deles, eles puderam observar como eram doces seus bebês. Tiveram uma vida curta, de apenas quatro horas. Mas foram amados e receberam a visita de familiares que ajudaram na despedida. Eles tiveram as marcas de seus minúsculos pezinhos carimbados em um papel, receberam um gorro e roupinhas coloridas, Nós apenas os seguramos. Nós choramos. Olhamos para eles. Os conhecemos. Falamos com eles e nós os amamos.

Dez meses depois de perder os trigêmeos, a família teve a grande bênção de receber um lindo casal de gêmeos. Sem nenhuma ajuda de medicamentos ou tratamento para engravidar.

 

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.1 cor 13-7

Cristina Veloso Andreacci
CRM 12570 Titulo de especialista em Ginecologia/Obstetrícia Titulo de especialista em Ultrassom Titulo de especialista em Medicina Fetal Competência pela Fetal Medicine Foundation de Londres Cemmefe.com.br Apoio TV Novo tempo Canal 10 local e Sky 14
cemeffe@gmail.com | http://cemmefe.com.br

Comentários