Os primórdios da exploração de xisto – Parte 2

22 de agosto de 2014

Como vimos na semana passada, nos anos 1920 a companhia Henrique Lage instalou uma sonda de perfuração na fazenda do senhor David de Paula e Silva, iniciando a extração do xisto betuminoso em São Mateus do Sul. Foram gastos 120 contos na empreitada, até que acabaram os recursos para dar continuidade à operação.

Mas em 1932, na localidade de Água Suja, em um terreno arrendado, o senhor Antonio Tapia montou uma usina que funcionou por três anos. O negócio também não conseguiu sobreviver devido às muitas dificuldades, surgidas principalmente devido às taxações do governo. Esta usina produziu cerca de 240 tambores — ou 48 mil litros — de óleo de xisto.

Mas, de todos os exploradores do mineral, a figura mais lembrada é a de Roberto Angewitz, o Perna de Pau. Nascido em São Bento do Sul em 1878, visitou São Mateus do Sul em 1930 e se interessou pelo xisto ao conhecer a usina da companhia Henrique Lage. Quando rapaz, foi picado por uma cobra e teve a perna amputada, o que lhe rendeu o famoso apelido. Mudou-se para cá em 1932, após vender a oficina mecânica que tinha em Curitiba. Por dez anos, explorou o xisto na cidade, e neste período enfrentou vários problemas, como um incêndio e a tomada da empresa pelo governo, sob a acusação de estar vendendo material de guerra. Angewitz ficou muito conhecido na região, e os produtos que extraía do xisto abasteciam muitos veículos motorizados de São Mateus do Sul e União da Vitória. Ele morreu em 1947, com a saúde abalada pela intoxicação causada por odores do óleo.

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O forno da usina de Tapia, onde o xisto era aquecido. Foto: João Margraf

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Usina do Perna de Pau, com funcionários ao lado de tambores com os diversos derivados do mineral

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Roberto Angewitz, o Perna de Pau, e Antonio Tapia Sanches

José Nelson Chaves de Souza

jnelson.souza@gmail.com |

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