Os números de um Brasil servo

11 de março de 2016

Diariamente assistimos notícias sobre a derrocada política e econômica brasileira e nos saltam aos olhos os números negativos que se sobressaem dia a dia, comprovando a surpreendente incapacidade do atual governo de construir as bases sólidas para que o Brasil saia da crise e volte a crescer. Com um PIB negativo de 3,8% em 2015, os economistas reforçam o que chamam de “efeito estatístico” para 2016, ou seja, o péssimo desempenho econômico do ano passado já é suficiente para contaminar o resultado de 2016, mesmo que as coisas comecem a melhorar neste ano.

O consumo das famílias e os investimentos privados tiveram as piores quedas em vinte anos. O setor de serviços que responde por mais de 70% da economia fechou 2015 com queda de 2,7%, o pior índice desde 1996. A indústria acumulou os incríveis 8,3% de retração, tendo o pior desempenho da série histórica pesquisada pelo IBGE iniciada em 2003.

Com o aumento das taxas de juros e a diminuição da renda dos consumidores, as vendas do comércio despencaram em 2015 e fecharam o ano com uma lamentável queda de 4,3%. O varejo teve sua queda mais expressiva no segmento de móveis e eletrodomésticos, com um recuo de 14%, seguido pela atividade de livros, jornais, revistas e papelaria com queda de 10,9%. Incrementando a negatividade dos números do comércio temos o retrocesso nas vendas de tecidos, vestuário e calçados de 8,7%. Os hipermercados e supermercados sofreram queda de 2,5%, a maior desde 2003, seguido pelo baixo desempenho do setor de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação com o recuo de 1,7% e outros artigos de uso pessoal e doméstico com queda de 1,3%. Quando a análise do comércio é ampliada para incluir outros dois setores importantes da economia, tem-se uma queda livre de 17,8% nas vendas de veículos e motos, seguido pelo de material de construção com uma recessão de 8,4%.

O desempenho da economia ainda pode ser mais triste quando voltamos os olhos a números que parecem surpreender ainda mais a realidade brasileira. Um desses números diz respeito ao fechamento de quase 100 mil lojas em 2015, sendo os mais prejudicados aqueles que são mais dependentes das condições de crédito: materiais de construção (-18,3%), informática e comunicação (-16,6%), móveis e eletrodomésticos (-15%) e automóveis (-14,9%). Segue-se a esse quadro deprimente o lado mais dramático de uma recessão econômica, o desemprego, que fechou 2015 em 8,6%, porém, é previsto pelo IBGE um salto de 11,8% para este ano e 13,1% em 2017.

Essa é a face mais cruel de um governo que acredita que o Estado é a força mais poderosa da sociedade. Além de regular cada vez mais todos os detalhes de como os negócios devem operar, diminuindo a liberdade de empreender das empresas e das pessoas como indivíduos, somos testemunhas atônitas da crescente e contínua corrupção dentro do governo, do colapso financeiro do país, com o aumento dos impostos, da dívida interna, da inflação, do desemprego e com ele, da violência. Quando o empresariado se vê nessa situação, muitos deixam de investir, ou em bom português, deixam de trabalhar, contratam menos pessoas ou levam seus negócios para fora do país. Aqueles que geram riqueza e que são os verdadeiros criadores de oportunidades de desenvolvimento sucumbem ao poder de um Estado gigante e desistem de seu mais nobre papel dentro da sociedade. Seria, por assim dizer, a vitória de um sistema socialista sobre o sistema capitalista, porém, não há comemorações de seus cidadãos. A comemoração ocorre apenas entre aqueles que se perpetuam no poder, usufruindo dos bens, do conforto e da liberdade que tanto combatem e negam a população de seu país.

 

Ingrid Eliane Hoch Ulbrich – Presidente CDL – Gestão 2015/2016

Redação

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