O Brasil e a manipulação das ideias

12 de fevereiro de 2016

A maioria de nós ainda sofre de um medo profundo. Decidimos nos proteger contra opiniões contrárias através da não formulação de opiniões, ou pelo menos, da não exposição delas. Aderimos ao pacote de ideias preenchido e pronunciado pela maioria, divulgado pela mídia, ensinado nas universidades, idealizado pelos partidos políticos, vivido nos meios de cultura. Consideramos talvez, que a maioria da população deva estar certa e passamos a acreditar que a minoria deva estar errada. Ou então, nos enclausuramos como uma ostra, crentes de que assim não seremos afetados pelas reprimendas, chacotas, represálias, que muitas vezes são seguidas por boicotes de pessoas de nossas relações. Sejam entre amigos, colegas de trabalho, de clientes ou chefes, o silêncio e o sorriso de meia boca parecem nos sentenciar ao sentimento de conformismo.

Seremos, portanto coniventes e passíveis de manipulação na implantação de novos conceitos. Isto é explicado pela “Janela de Overton”, um modelo criado que mostra como as opiniões públicas podem ser mudadas intencionalmente e de forma gradual por um pequeno grupo de pensadores. Ou seja, ideias que antes pareciam impossíveis são plantadas na sociedade e com o tempo se transformam no oposto do que eram na sua origem. Causas político/sociais como educação, aborto, descriminalização de drogas, são exemplos de causas onde há um espectro de ideias que vai de um extremo ao outro, do pensamento mais radical ao pensamento mais liberal. E assim, a Janela de Overton é o conjunto de ideias aceitáveis na sociedade, ou seja, a posição da sociedade num dado espectro.

Felizmente, observamos dia a dia mudanças nos posicionamentos e defesa de pensamentos. Instituições, entidades e indivíduos vem a público pronunciar suas visões de mundo e auxiliar aquela parcela da população que continua refém de um círculo vicioso de assistencialismo destinado apenas para geração de votos, a grande massa. Nossa sociedade evoluiu para uma fase onde a comunicação e a divulgação de conhecimento já não é propriedade de alguns privilegiados. Podemos ser autodidatas e concluir de punho próprio o que é aceitável ou não em uma sociedade.

As religiões cristãs possuem especial responsabilidade. “Avançar, aventurar-se em águas mais profundas é o provocante desafio de Cristo a Pedro, como também a todos os apóstolos e a todos os seguidores de Jesus de ontem e de hoje, pois é justamente lá, nas águas mais profundas, que nadam os peixes graúdos e a pescaria está garantida”. Este texto de um folheto dominical, assinado por Pe. Virgilio, ainda segue dizendo “chegou a hora de evangelizar a política para que favoreça o bem comum, a cultura para que promova a dignidade, temos de nos aventurar por águas mais profundas nunca antes navegadas”.

As entidades representativas de setores da sociedade e empresários possuem ainda maior responsabilidade. Ideologias, intervencionismos do governo, criação de novas leis, aumento da burocracia e da carga tributária, corrupção, são exemplos onde o silêncio não pode substituir a denúncia e a voz, sob a pena de uma sociedade inteira pagar através de desemprego, inflação, aumento da violência, decadência moral e ética e tantos outros males.

Cabe a cada um de nós criar coragem e desafiar essas águas mais profundas. Somente lá poderemos fazer a diferença para salvar este país. Um país que possamos chamar de nosso. Pois dele depende a concretização de projetos de vida, empreendimentos, geração de renda e riqueza e oportunidades para todos.

 

Ingrid Eliane Hoch Ulbrich – Presidente CDL – Gestão 2015/2016

CDL São Mateus do Sul

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